Matizes do espectro
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quinta-feira, 19 de novembro de 2020
Luiz Geraldo Mazza 
Entre o polo infravermelho e o ultravioleta há matizes que explicam historicamente variáveis entre direita e esquerda. No transitório governo de Collor apareceu o liberal social, repetido na avalanche de Bolsonaro, e havia quem lembrasse que essa tonalidade existia historicamente e que precedia ao Manifesto Comunista. Das legendas, a esquerda contida da socialdemocracia já esteve na moda, mas a direita nunca foi tão forte como agora em escala nacional, posto que uma de suas expressões foi o integralismo, ultra direita, de Plínio Salgado, do qual saíram vários esquerdistas como Alceu Amoroso Lima (Tristão de Ataíde), o padre Helder Câmara e Santiago Dantas, a figura máxima do governo João Goulart.
Fragmentada, atomizada até, a esquerda tenta recompor-se do tratoraço sofrido, mas o personalismo dos mais imantados atrapalha. O nome dela no maior pleito é Boulos com a aliança afirmativa da ex-prefeita Luisa Erundina.
Ratinho presidente
Kassab, um dos dirigentes máximos do PSD, entende que pelos efeitos eleitorais o governador Ratinho Junior pode disputar as eleições presidenciais. Inúmeras vezes tivemos situações como essa e que não se confirmaram e justamente o melhor dos nossos coordenadores políticos, Affonsinho Camargo, por sua passagem pelo Ministério dos Transportes, assumiu a candidatura, mas foi decepcionante. Outra, nos anos cinquenta, foi a de Munhoz da Rocha, cogitado para vice-presidente, com passagem no Ministério da Agricultura, e que acabou não dando certo. E no regime militar a de Ney Braga, que também não emplacou, mas chegou em convenção regional a superar Costa e Silva. Alvaro Dias foi outra tentativa malograda, a mais recente.
Há quem ache a sugestão precipitada e que possa até prejudicar a reeleição ao governo estadual. Gilberto Kassab, quando lançou o PSD, declarou que o partido (que tinha um homônimo criado ao lado do PTB por Getúlio Vargas) não seria nem de direita, nem de esquerda, quando não passa de uma das versões desidratadas da socialdemocracia.
Pandemia cresce
Com a taxa de transmissão superando 1, os centros médicos de Paraná e Santa Catarina, hoje no vermelho do mapa da elevação do número de ocorrências, adotaram a linha de abandonar cirurgias seletivas. Entre segunda e terça 676 óbitos, 32,262 novas infecções em 24 horas. 5,9 milhões de casos e 160.743 mortes.
Reeleição
Surpreendente a taxa de reeleição de prefeitos, com 62,9%. Só no primeiro turno 1.600 repetiram a vitória. Renovação foi mais no legislativo. Votos brancos, nulos e abstenções superam os números do primeiro colocado em 483 cidades.
Folclore
A eleição vencida por Dutra tinha um candidato comunista, o engenheiro Yedo Fiúza, e Carlos Lacerda o atingiu chamando-o de "rato Fiúza". Na Praça Osório houve um comício do PCB em Curitiba e o grito dos partidários era "Yedo, Yedo não tem medo".


