Longe do pênalti

Para a mídia, em maioria oposicionista, o ministro Marcelo Alvaro Antônio, do Turismo, estaria na marca da cal, a penalidade máxima, depois de mais uma denúncia, agora da deputada Alê Silva, de que teria sido ameaçada por ele por causa das candidatas-laranja de Minas Gerais. São várias denúncias da mesma linha corroborando a dominante participação do ministro nessas operações. O governo central faz cara de paisagem para o assunto, que não tem a prioridade do caso do reajuste do óleo diesel. As quedas de Bebiano e do ministro da Educação, bem como de vários dos seus quadros, são palatáveis perto do desapreço à linha liberal na economia, afrontada com seu adiamento do reajuste por temor a uma nova parede caminhoneira, o pior, reproduzindo os malfeitos de Dilma Rousseff adotados de forma sistêmica. Como a questão dos fretes está sub judice, caminhoneiros, animados com o recuo, fazem forte pressão em cima do tema contestado pelo agronegócio e temendo um explosivo aumento nos custos de produção.

Como o governo prefere, via twitter, relações diretas com seus apoiadores e acha complicado negociar com os agentes econômicos, transportadores ou produtores agrícolas, reproduz-se aí o cenário da tramitação da reforma, cujas perspectivas nada têm de boas quando se corta a peça-chave desejada por Paulo Guedes, seu Posto Ipiranga, no capítulo de capitalização.

Pânico

Ameaça de massacre na Universidade Federal, semana passada, gerou compreensível clima de pânico, mas já na sexta-feira (12) a paranoia baixara consideravelmente. A tensão, perceptível numa certa postura ideológica, acirrada com o novo governo e perspectiva de caça às bruxas, imaginada no Ministério da Educação, bombou com a divulgação em fórum da deep web. A sociedade está habituada ao mini-terror, via telefone, de ameaças menores que tanto preocupam bombeiros ou de suspeitas de uso de bombas, mas a mudança de meios tecnológicos obriga a criar mecanismos preventivos contra ações do gênero ante o risco evidente de se tornarem mais frequentes.

Pedagogia adequada

Tem razão Tadeu Felismino, na condição de ex-diretor de inovação do Iapar, em usar um linguajar mais adequado e contundente na questão da fusão-absorção do órgão desejada pelo governo Ratinho Junior. Indispensável lembrar historicamente os esforços daqueles que criaram um dos mais importantes núcleos científicos e que responde, em grande parte, pelo sucesso alcançado por nossa terra, via aprofundamento em pesquisa e tecnologia, na produção agrícola. Era indispensável esse tom inconformado e indisposto às acomodações burocráticas em defesa da instituição, que é produto não apenas da Sociedade Rural, da Folha de Londrina e de suas mais expressivas lideranças, mas tradução do modo de ser coletivo de uma cidade que defende suas vocações como se se tratasse da própria vida.

Numa contingência dessas reclama-se o retorno do jornalista à lide, o que não lhe retira juventude e rigor, ainda que no exercício das funções formais de homem de gabinete do governador da cidade.

É isso aí, “parem de brincar com o Iapar!” O Iapar é uma instituição com a cara e o espírito de Londrina, a merecer muito mais do que os cuidados que se concedem agora com as ameaças de caducidade de sua empresa de telefonia, a Sercomtel.

Temos milícias?

Em passado recente, governo Requião, negava-se a existência de PCC e comando vermelho em nosso sistema carcerário e como andamos a decalcar experiências nefastas do Rio e São Paulo é o caso de perguntar: temos milícias? Certamente mal passamos do seu embrião, as associações de moradores que com o tempo ganham músculos e estruturas, mas em algumas das quais já se capta a patologia das cobranças de pedágio de caminhões que entregam gás e outras mercadorias, o que se dá em escala menor, todavia com risco de progressão. A tragédia da queda de dois edifícios no Rio de Janeiro e isso numa área de absoluto controle miliciano dá uma noção do grau de anomia daquela cidade, com dois ex-governadores e vários ex-presidentes do legislativo na cadeia. Como se já não bastasse a corrupção governamental e legislativa (numa tacada encanaram conselheiros do Tribunal de Contas) medra, com toda força, o poder paralelo das milícias. Na região em que operam não valem normas que não sejam as expedidas pela honorável máfia, a qual se ligam políticos, como se viu, vinculados ao governo, daí o abuso de edificações mal construídas porque também ligadas a “societas celeris”, sociedade do crime muito bem organizado.

Como vamos mal de segurança – o que é visível, apesar de alguns progressos na redução estatística dos homicídios - haverá sempre quem tente, em nome da proteção do patrimônio individual, exercer essa função alternativa, assumindo o poder de polícia, tido legalmente como indelegável.

Folclore

Miguel Zacarias, delegado da DOPS, era incorrigível boêmio. Estava de molho num hospital até que um dos visitantes mexeu na roupa de cama e percebeu que o homem estava devidamente trajado para mais uma noitada, assim que a vigilância amainasse.

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