Londrina na frente
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sexta-feira, 21 de maio de 2021
Luiz Geraldo Mazza 
Embora o grande número de obras em Curitiba – a residência do médico João Luis Betega, hoje memorial, o Hospital São Lucas entre elas -, Londrina captou que era preciso marcar a passagem do arquiteto João Batista Vilanova Artigas pela cidade com a edificação da antiga rodoviária, hoje Museu de Arte. Artigas foi um dos fundadores do curso de arquitetura da USP e a obra-chave dele é a do prédio em que funcionou. É dele também o estádio do Morumbi. Agora Londrina festeja o fato de abrigar um patrimônio cultural do Brasil cujo tombamento se deu nesta semana pelo Conselho Consultivo do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, Iphan. Surpreendeu-me o fato de Londrina cultuar mais o arquiteto do que Curitiba, sua cidade natal. Várias edificações na capital, importantíssimas, como uma que serviu de residência do jornalista João Feder e a do seu irmão, o médico e mestre Giocondo, que ficavam, lado a lado, na rua Fontana. Aconteceu fato semelhante com as criações de Airton (Lolô) Cornelsen e essa sinalização que faz de Londrina patrimônio cultural do Brasil é exemplo para que haja maior esforço de preservação dos nossos artistas.
Descompasso
Cultuamos muito nossos indicadores econômicos e sociais que tanto nos projetam e agora vivemos um ciclo negativo com a pandemia: somos o segundo estado com mais casos da infecção e com a maior taxa de contágio. Daí a saída radical para o lockdown que leva super e hipermercados ao alertamento de que sua adoção no fim de semana provocará aglomerações na quinta e sexta feira, agravando os problemas.
No Brasil passamos de 442 mil mortes, 2.485 entre terça (18) e quarta (19), estamos com perto de 16 milhões de casos, computando-se perto de 80 mil infecções em 24 horas. Curitiba com 26 óbitos e 799 novos casos e ocupação de 95% dos leitos, Paraná se aproximando de 25 mil mortes e 7.029. Vacinação lenta, mas um em cada cinco recebeu ao menos a primeira dose.
Paralelo e secreto
Fala-se muito na CPI em gabinete paralelo na área de saúde, mas o Tribunal de Contas da União se preocupa com outro paralelismo, o do orçamento secreto. Quem pediu a investigação foi o Ministério Público.
Medo menor
Pesquisa Datafolha mostra que diminuiu o número dos que viam a pandemia fora de controle: era de 62% em janeiro, subiu para 79% em março e agora regrediu para 53%. Os que diziam que a pandemia estava em parte controlada eram 33% em janeiro, 18% em março e agora está em 42%. A expectativa acompanha o ritmo da estatística móvel. Essa acomodação dos números também se apoia no distanciamento cada vez menor e mais assustador.
Folclore
Para governistas, o ex-ministro Eduardo Pazuello saiu-se bem e a avaliação na oposição é a de que foi o maior dos trunfos. Redes sociais ampliam esses feitos e turbinam Bolsonaro. Pelo jeito nem a oposição está obtendo o que pretendia e o governo não é tão invulnerável como imagina. O embate é um empate, apesar de todos os horrores.


