Linguagem desesperada

Depois de todos os revezes – salário congelado, fim da licença-prêmio - o fórum sindical valeu-se do dia da categoria para sinalizar com cruzes, um quase cemitério, para expressar o alto índice de suicídios e adoecimento de trabalhadores públicos em frente ao Palácio Iguaçu. A dureza da manifestação evidencia que a mais articulada das classes, embora se declare em permanente posição de luta, descamba para uma expressão de desespero. Como o governo não está nem aí, tanto que durante todos os dez meses da gestão não manteve um mínimo de diálogo com os servidores, resta aos prejudicados impor desgaste político como resposta a essa desatenção a uma classe que está sem reajuste desde 2016, acumulando perdas de 17%.

Essa estatística mórbida pode implicar numa ação permanente, de severa denúncia, contra essa forma de opressão expressando o sentimento dos explorados e desatendidos. Talvez essa barreira impeça o governo de programar novas surpresas em perdas de direitos.

O leão e as hienas

Até nas metáforas o exercício da megalomania: Jair Bolsonaro se vê com o rei dos animais atacado por hienas que expressam instituições como o STF, a Globo, a mídia, a OAB, CNBB, enfim, e o próprio PSL. É a mesma lenga lenga de Jânio Quadros e Collor nominando aqueles que não deixam o autoritário do momento governar. Disse-o bem o decano dos ministros do STF, Celso de Mello, que "o atrevimento presidencial parece não encontrar limites". Claro que a mensagem foi apagada, mas a agressão permaneceu: a cultura do fanatismo está aí viva e carregada de fúria e precisa ser contida. Ocorre que o clima gestado se ajusta a essa ideologização incontrolável: tudo tem origem nos inimigos, seja a borra de petróleo nas praias do Nordeste ou o fogo ateado pelas ONGs na Amazônia, o governo vítima de toda conspiração.

Mídia, Congresso, ONGs travestidas em hienas, nessa paranoia, é guerra declarada e com o claro objetivo de deslegitimar os instrumentos básicos da democracia e agir contra eles além das palavras e com empenho em deformá-los permanentemente.

Novo partido

A ideia de uma nova legenda para abrigá-lo leva Bolsonaro e seu grupo a esforços não favorecidos pelo clima atual, pois seria muito difícil fazê-lo ainda para as próximas eleições municipais. Ela precisaria ter o registro aprovado na justiça eleitoral até abril de 2020, ou seja, em seis meses.

Há ainda a primeira etapa constante da coleta de 500 mil assinaturas e na hipótese de algum questionamento o ritual fica mais demorado ainda.

Uma preliminar

O STF deve analisar no colegiado se condenados pelo Tribunal do Júri podem recorrer em liberdade ou se devem ser presos depois do veredito. Atualmente – e tivemos vários casos por aqui como o de Ribas Carli - um condenado pode recorrer em liberdade. É uma discussão complementar à da prisão pós segunda instância, já que ambas envolvem de executar a pena antes de finalizados todos os recursos, o trânsito em julgado. O caso concreto sobre o júri decorre de recurso do Ministério Público de Santa Catarina ao questionar decisão do STJ que permitiu que um condenado por feminicídio recorresse em liberdade. Ministros do STF reconheceram - e isso por unanimidade - a repercussão geral desse caso de Santa Catarina, o que significa que seu resultado terá impacto em todos os eventos semelhantes. O relator do recurso é o ministro Luis Roberto Barroso e não há data para análise da questão.

Rachadinhas

Há rachadinhas menos destacadas do que a do Fabrício Queiroz, como as que se dão em nossas câmaras municipais e levadas quando muito ao Conselho de Ética ou no caso da intervenção do Ministério Público. Aqui mesmo em Curitiba tivemos casos correlatos. Em São Paulo há uma tradição de arquivar suspeitas desse tipo de manobra. Os processos travam na Assembleia ou no Ministério Público.

Moleza

Governo federal está empenhado na baixa do custo das passagens aéreas e admite até o fim do monopólio da Petrobras na venda do querosene de aviação. Nessa semana o ministro Tarcísio de Freitas, da Infraestrutura, em conversa com empresários da área, adiantou essa disposição, além de outras, para a baixa dos custos. Uma das medidas anunciadas é a de reduzir a taxa de embarque em até 40% nos voos internacionais. Uma das providências em estudo é acabar com a cobrança de um adicional de US$ 18 na taxa de embarque internacional.

Subsídio

Há projeto no legislativo estendendo a prática do subsídio do governo, adotado há muito em Curitiba, em favor do sistema de transporte coletivo, a todas as cidades com mais de 300 mil habitantes. Isonomia de tratamento é o que pedem os seis deputados que a assinaram. Mais um probleminha para mexer nos custos da ação estatal que Ratinho Junior pensa em brecar. A discriminação é visível e os colégios eleitorais de Londrina, Maringá, Cascavel e Ponta Grossa agradecem.

Folclore

Sonoplasta novo foi atender a "Hora de Angelus" na Radio Clube. Ficou enlevado com a prédica religiosa de Lourival Portela Natel que quando ele fez sinal para baixar o som o rapaz, empolgado com a oratória, ajoelhou-se. E Natel encerrou com a frase "e que seja mais este dia todo em louvor a Maria."

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