Lava Jato em queda
PUBLICAÇÃO
sábado, 11 de maio de 2019
Luiz Geraldo Mazza 
É visível que há uma reviravolta em relação à Lava Jato: isso se torna claro em decisões da instância superior, mais até do que na doutrina e aqueles que antes usavam cautelas para o ataque hoje transbordam. Faz parte desse enredo o incidente da transferência do COAF para a pasta da Economia no Congresso e que mostra a reação, agora em plena ofensiva, da classe política que tem todos os motivos para escudar-se contra Sergio Moro e a herança que deixou. Os primeiros alarmes, dados pelo ministro Gilmar Mendes, se referiam às prisões prolongadas, sem as quais é difícil imaginar o êxito obtido notadamente com Marcelo Odebrecht e tantos outros delatores que devassaram para o mundo a picaretagem sistêmica aqui cultuada.
No país kafkeano que é o Brasil, em termos de absurdo, não é impossível, apesar das provas coligidas, imaginar, de repente, com o tipo de político que temos, uma anistia, daquelas geral e irrestrita, dos que se valeram do caixa dois, a essa altura levado para a competência da justiça eleitoral sabidamente cultora de um fair play radical em enxergar pecado venial em crimes estarrecedores do colarinho branco. Um desses exemplos de bobeira se deu na eleição, a primeira, de Roberto Requião, fruto de um estelionato e que o Tribunal Regional Eleitoral não soube encarar, ainda que tivesse, precipitadamente e por unanimidade, cassado o vencedor do pleito, o que seria revertido com a máxima naturalidade.
Reforma claudica
Por força de sua desarticulação notória na base parlamentar o presidente Jair Bolsonaro sofreu derrotas no andamento de sua reforma administrativa nas duas casas do Congresso e vê sob risco o andamento da proposta previdenciária, o abracadabra das forças do sistema que terão extrema dificuldade em negociar as coisas com o centrão. O arranjo de pastas e atribuições, algo que ainda pode ocorrer na aldeia em função do corte de secretarias, precisa ser aprovado até 3 de junho em face da determinação do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, de adiar a votação para a próxima semana. Essa mini-reforma atende, para efeito de emendas, o apetite pantagruélico das bancadas, o que desvenda a inocuidade da nova política.
Há o entendimento de analistas que o presidente teria dado Moro de bandeja ao Congresso nas conversações e a presença do ministro da Justiça na comitiva presidencial no Paraná é mais uma do estilo presidencial para sugerir que nada houve como quando interveio no choque entre a ala militar e a linha ideológica e se referiu à página virada.
A refrega
Uma das questões arqueológicas no Brasil é a questão das perdas do Rio de Janeiro como ex capital do país e a sequela de outras quedas, além da expressão política, como unidade cultural e esportiva. Pretende-se mexer no vespeiro da sediação da F-1, tirando-a de Interlagos em São Paulo para o autódromo do Rio em Deodoro. O Tribunal de Contas do Município do Rio aprovou na semana o edital de licitação para a construção e exploração do novo autódromo num investimento de R$ 697 milhões e enquanto isso se apurava que a União já despendeu em Interlagos, ao longo dos 29 anos em que acolheu o Grande Prêmio Brasil, cerca de R$ 880 milhões com Interlagos.
O Rio, além de capital política, já polarizou no mundo financeiro, cultural e futebolístico e hoje seu desempenho ganha força na sinistrose, já que São Paulo ameaça empatar até em carnaval. Só a capital da indústria cultural pela Globo no Rio, ainda dominante, divide espaço com São Paulo. Em ruína social, a violência mais a corrupção, sai na frente do ranking disparadamente com Sergio Cabral, mas paulistas ameaçam a hegemonia, tanto que a prisão do ex presidente Michel Temer é lá.
Normalíssimo
A vinda ontem (sexta, 10) do presidente da República ao Paraná (Foz do Iguaçu com a questão das pontes com o Paraguai e aqui presença no Palácio Iguaçu diante do seu aliado, governador Ratinho Júnior) deu margem a manifestações de protestos por parte de estudantes e professores em razão dos cortes nas universidades. Por sinal que na Bahia o governo do PT também se viu obrigado a cortes orçamentários nas universidades estaduais, problema também sério no caso paranaense como se capta há tanto tempo, embora o governador Ratinho Júnior se esforce para minimizar qualquer hipótese de ajuste.
Trinário
Tanto no diálogo com assinantes da “Folha” como no havido mais recentemente com o Fórum Desenvolve Londrina, o prefeito Marcelo Belinati identificou suas prioridades na questão da Sercomtel e sua recuperação, na Caapsml, fundo de pensão municipal, e na revisão do Plano Diretor da cidade como seus desafios básicos. Uma das ações em andamento é colocar quadros da Universidade Estadual como apoio e análise das questões básicas da cidade.
Folclore
Em 1961, quando da resistência contra a posse de Jango, o prefeito de Curitiba, General Iberê de Mattos, comandou comícios nas ruas e um ano depois houve eleições diretas e ele ficou como oitavo suplente da bancada estadual do PTB. Pior se deu com o petebista Estevam de Sousa Neto em 1954 que apareceu em terceiro na eleição de prefeito, posto que beneficiado pelo suicídio do presidente Getúlio Vargas. Nem sempre se é favorecido pelos fatos.


