Jogaram a toalha

Confirmando o que era esperado, o voto da ministra Rosa Weber indica que a prisão pós segunda instância cai sem perspectiva de retornar pelo menos brevemente, como já aconteceu. Possível até que a questão não seja, como em outras matérias polêmicas, decidida por um voto. Quem ganham são a advocacia criminal (que aliás acontece também com as delações) e o colarinho branco, que volta a dispor de meio protelatório. Quem perde é o Ministério Público, mormente o que operou no ciclo punitivo, aliás ainda não afastado com as ações contra um "clube" de empresas na Petrobras e na prisão de um fugitivo (rei Arthur) em Miami que desde 2017 era procurado pela Interpol.

A transferência da decisão para novembro nada altera, ainda que possam ocorrer até lá novos procedimentos em exaltação à Lava Jato ou situações curiosas como a de Rocha Loures, aquele da mala, cujo processo está suspenso porque vinculado à carga contra Michel Temer, já que a grana (os R$ 500 mil da JBS) tinha destinatário específico naquele papo noturno. O fato é que a esperança numa nova ordem com menos corrupção e impunidade, já afetada pelos vazamentos adversos, volta a ser uma aspiração distante.

Pesquisa

Numa coisa Londrina levou a melhor do que Curitiba: fez a pesquisa origem-destino de mobilidade. Na capital a necessidade desse instrumento indispensável ao planejamento do sistema de transporte foi meio esnobada e a realizada foi olhada com ceticismo. Das viagens dentro da segunda cidade do Paraná, apenas 19% foram apontadas como feitas em ônibus e 57% dos deslocamentos em transporte individual. Nos grandes centros como São Paulo esse tipo de pesquisa indica o predomínio do transporte individual e ainda por cima, dominantemente, com um só usuário e a imensa faixa de pedestres, traduzida em milhões. As viagens por aplicativos ou táxis somariam apenas 2%, o que afasta a hipótese de influência significativa nos deslocamentos.

Curitiba tem um monitoramento mais sofisticado na medida em que os deslocamentos são registrados no sistema e leva a vantagem da escala que permite experiências e inovações como as que darão maior eficácia operacional aos "ligeirinhos" do Inter 2 e Interbairros.

Sarampo

Há 231 casos de sarampo confirmados no Paraná. Dezesseis municípios do Paraná registram ocorrências, das quais onze na Região Metropolitana de Curitiba e três em Londrina. Houve baixa da guarda em relação a medidas profiláticas preventivas e é surpreendente o registro de que há 20 anos não tínhamos casos da doença. Com o retorno da vacinação isso baixa.

Fabrício de novo

Fabrício Queiroz, aquele assessor de Flávio Bolsonaro, marcado pelo Coaf no qual aparece grana para a primeira dama, voltou com tudo em áudio de WhatsApp, no qual sugere agir nos mais de 500 cargos na Câmara e no Senado a 20 contos per capita. O senador Flavio afirma que há mais de um ano não vê seu ex-assessor, e o presidente lá na China afirma: "Queiroz cuida da vida dele e eu da minha". Situações como essa lá pelos anos 50 gerariam CPIs e uma exploração infinita em torno dos episódios. É que hoje a carga é tão frequente que acaba virando normalidade.

Ônibus de graça

No Paraná há casos de ônibus de graça em pelo menos dois municípios (um deles na região de Agudos do Sul e outro no vale do Ivaí) e agora quem parte para a mesma experiência é Vargem Grande, justamente na Grande São Paulo, a partir de 5 de novembro. O valor atual é de R$ 3,70. O prefeito anuncia que ampliará a frota para 13 ônibus e o número de linhas de quatro para sete. Curitiba fez recente experiência de baixa tarifária em horários de baixa carga no intento de reduzir a ociosidade da frota.

Destaque

O IBGE fez uma radiografia de empreendedorismo e mostrou que em 2017, quando o Brasil perdeu 22,9 mil empresas (São Paulo com menos 12,2 mil), o Paraná ganhou 799. Taxa de sobrevivência empresarial no Paraná foi de 86,5%, a quarta do país, atrás de Rio Grande do Sul (87,4%), Santa Catarina (87,2%) e Minas (86,2%). Dá para perceber novamente que a economia pouco tem a ver com a situação fiscal das unidades federativas, afinal todas elas na pior, inclusive o Paraná, embora gaúchos e mineiros sofram mais com a crise de Estado, atrasando salários de funcionários públicos ou os pagando em parcelas.

Folclore

O professor de português Luis Lenz Cesar, apelidado de "corvo" por causa das roupas que sugeriam religiosidade, tinha o hábito de ao ler um texto juntar as sílabas finais de uma palavra com a seguinte para criar no leitor a resistência ao cacófato, não necessariamente formando uma expressão como "lá tinha", mas simplesmente pela desagrabilidade do som produzido. E explicava que o cacófato está mais no som desagradável (caco fonos) do que quando forma palavras. Só que acusar uma cacofonia é som desagradável e forma a palavra macaco.

mockup