Jeito de fofoca

Tem jeitinho de fofoca o informe do The Intercept Brasil de que o procurador Deltan Dallagnol teria revelado preocupação com a postura de Sergio Moro com o caso do senador Flávio Bolsonaro, embora uma possível passividade do ministro e ex-juiz deva ser levada em conta. De tudo que essa decodificação até agora produziu, aparenta contundência suficiente para minar de fato a imagem implacável do magistrado ante a naturalidade acomodatícia do político. O que porém é normalíssimo para o político, ora ministro, afeta profundamente a imagem forte do justiceiro que botou um ex-presidente em cana dentro dos rigores da lei.

Quanto mais aparentar fofoca, mais próxima da realidade pelo código da mídia retaliatória. É verdade que até aqui as discussões em curso debatiam a procedência discutível da medida do presidente do STF e que beneficiou o filho do presidente enredado em operações, flagradas pelo Coaf, quando deputado estadual e atribuídas a seu ex-assessor Fabrício Queiroz.


Ao aceitar ser ministro de Jair Bolsonaro, Moro se tornou político e isso gerou ambivalência com o papel exercido anteriormente que ora se acentua ante o caso concreto do senador enrolado. Como a suspeita de acomodação é de um rígido persecutor faz mais mal a Moro do que tudo o que foi até agora revelado. E de fato não há evidências de que o ministro cumpriria o papel que se impunha, a despeito das dimensões do problema e da perspectiva de evidência de prevaricação.

Pode-se dizer que o ato que beneficiou o filho do presidente se constituiu na mais grave das derrotas da Lava Jato, fundamento maior da eleição de Bolsonaro e do esgotamento do lulopetismo.

Empregos

A agência do Trabalhador tinha ontem 1.775 vagas em Curitiba e Região Metropolitana no mercado, dado surpreendente na conjuntura brasileira. Aliás, 11.038 novas vagas de janeiro a maio deram à capital o segundo lugar em geração de empregos, atrás de São Paulo (31.760). O setor de serviços foi o que mais empregou, com quase oito mil vagas, e seguido da construção civil.

Navios ao largo

Se Lula estivesse no poder, os navios iranianos em Paranaguá seriam abastecidos de combustível. Mas a reação de Bolsonaro foi de rígida adesão à política norte-americana, com a qual está, desde o início, identificado e tanto que pretende amarrar tudo isso com a indicação do filho para embaixador naquele país.

De novo

Na pauta do governo estadual, legislativo e Judiciário a retomada da campanha, de tantos anos passados, pela criação de um Tribunal Regional Federal em Curitiba. Um argumento que brecou a pretensão foi a de que o sistema em linha dispensava a criação e a própria Lava Jato, ora arguida como fator pela causa, mostrou a eficácia do status quo, em que pese o fato de constituir-se no maior acontecimento jurídico de expressão supra nacional com seus fortes desdobramentos no exterior.

Feminicídio

Estudo do Ministério da Saúde com pesquisas da USP, UFMG e Universidade de Toronto, com base em 800 mil notificações de violência contra mulheres por serviços de saúde e 16,5 mil mortes de 2011 a 2016, concluiu que as brasileiras expostas têm risco de mortalidade equivalente a oito vezes o da população feminina em geral. Detalhe impressionante: denúncias de tentativa de feminicídio cresceram 300% apenas no primeiro semestre no país.

Caminhonaço

Está aí mais um teste para o governo: perspectiva de uma nova greve de caminhoneiros a qualquer momento estruturada em dois mil participantes em aplicativos WhatswApp. Com o cartel da construção civil, que condenou o racha com recursos do FGTS, deu para encarar, mas e esse agora, como fica? Redes sociais não são monopólio do governo e da mesma forma que o elegeram podem colocá-lo sob risco .

Cocaína

Com a cobertura da Receita Federal no porto de Paranaguá que resultou em apreensões de mais de cinco toneladas de cocaína, agora se descobriu em marina em Guaratuba mais de três toneladas, considerada a maior até aqui numa única operação. De repente, a droga tem o fluxo de commodity e se vale a pena o risco é porque nem tudo é flagrado, ainda que esse fato de Guaratuba possa indicar diversionismo em função da maior vigilância portuária.

Enquanto isso volta o ciclo de assalto a bancos em pequenos municípios onde a vigilância é menor, como se deu recentemente em Quatro Barras e Morretes.

Folclore

Gravações do The Intercept Brasil se transformam no VAR da política e do jogo judicial. Como o do futebol, que irrita pelos rituais e a demora para ratificar ou retificar lances reais, esse se alimenta do mistério de sua origem e de uma ainda mais estranha convicção. No caso do futebol como o juiz, a despeito de sua inteireza técnica, o VAR pode ser tido como ladrão, ainda que até agora não teve sua mãe afrontada.

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