Insegurança jurídica

Não há exemplo mais sólido de insegurança jurídica do que a questão do pedágio e isso alcança toda estrutura do estado, já que o órgão de regulação, com características de independente, a Agepar, consolida o cálculo das correções tarifárias, e surpreendentemente a Procuradoria Geral do Estado recorre em nome do governo. Essa oscilação, como biruta de aeroporto, mostra que é difícil postar-se diante da anomalia. A derrubada em liminar, exemplo de anomalia, o valor chega a R$ 23,70 em Jataizinho, o mais caro do Paraná.

Fica bem claro que a pretensão de Ratinho Junior nas novas contratações de baixar custos em 50% leva jeito de delírio. Se o governo tem lado ao opor-se à prorrogação contratual e adota posição militante em relação ao tema nada disso é garantia de que as tarifas baixarão como no mantra repetitivo e inútil de Requião. Pelo que se nota as descobertas de propinodutos nos desdobramentos da Lava Jato nada asseguram e a perspectiva a ser vivida é das mais sombrias.

Transportadores observam que a concessionária não duplicou trechos e afirmam que os valores vigentes a partir de sexta-feira (2) podem tornar inviável o frete de locais como Assaí e Cambará para Londrina.

O STF atento

Em nome da oscilação ideológica não se pode alterar a lógica de órgãos que buscam respostas para os desaparecidos do regime militar. O argumento do presidente Bolsonaro de que agora é a vez da direita no poder não justificaria que a partir de agora fossem postos em destaque torturadores em lugar das vítimas e investigadores do regime levados à exaltação incondicional. Raciocínio primário será posto em xeque com aquela provocação sobre o pai do presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, conforme a interpelação do presidente pelo ministro Luis Roberto Barroso, do STF, e que simbolicamente foi assinada por ex-presidentes para acentuar as dimensões do obscurantismo.

A agenda bolsonarista na instância superior terá semanas cheias e a decisão que manteve, por unanimidade, a demarcação de terra indígena na Funai nessa quinta feira evidencia que dá para confiar em nossas instituições com a derrubada da Medida Provisória que transferia tal competência ao Ministério da Agricultura. A MP já tinha sido suspensa pelo ministro Luis Roberto Barroso atendendo pleito da Rede Sustentabilidade, PDT e PT.

Garimpo seletivo

Como se firmou o consenso de que não há fundamento na pretensão de Sergio Moro de destruir os diálogos apreendidos com os hackers e isso ficou patente na decisão do ministro Luis Fux de preservar a integridade do material. O fato é que a origem criminosa do processo não se estende à documentação e até aqui a mídia fixa a sua orientação nessa reprodução com um tom adverso à Lava Jato. A suspensão de investigações da Receita contra ministros, criticada lá no início quando se atribuiu tal missão ao ministro Alexandre de Moraes, não apaga as referências feitas a ministros e suas esposas, Gilmar Mendes e Dias Toffoli.

Percebe-se que o garimpo dessa mineradora fica na dependência da forma como a mídia retrata o tema e critérios de neutralidade e imparcialidade adotados. E quem precisa se manter ativa é a força-tarefa, como quando afirma que Deltan Dallagnol jamais pediu que se investigasse ministros do STF. Como a irônica peça teatral pirandelliana se pode dizer "que assim é se vos parece."

Patinando sempre

Deu-se grande alarido no processo eleitoral sobre o uso ilegal de WhatsApp nas campanhas de Jair Bolsonaro e Fernando Haddad, mas segundo os investigadores as coisas patinam e nenhuma busca ou quebra de sigilo foi solicitada no inquérito aberto há mais de oito meses. O ritmo das apurações é muito lento. No caso dos hackers houve mais vigilância e tanto que o juiz da 10ª Vara Federal de Brasília determinou a prisão sem prazo dos suspeitos.

Sem golpe

O deputado federal paranaense Filipe Barros, PSL, assumiu o posto do petista Paulo Pimenta na Comissão de Mortos e Desaparecidos Políticos e já defendeu o ponto de vista consolidado de que não houve golpe militar em 1964. Em Londrina como vereador apresentou projeto pelo "fim da ideologia de gênero nas escolas municipais".

Folclore

A eleição mais ideológica que tivemos foi a de 1960, aquela que Jânio Quadros ganhou fácil do generalíssimo Teixeira Lott. Esse tinha carga negativa no norte paranaense por ter impedido a Marcha da Produção dos Cafeicultores, bloqueando-os nas estradas em sua luta contra a reforma cambial na condição de Ministro da Guerra. Prejudicado por manter-se fiel à chapa Lott-Jango, Nelson Maculan perdeu a disputa contra Ney Braga, que valeu-se do slogan "quem é Jânio é Ney" e "quem é Ney é Jânio". Uma das tonalidades era o nacionalismo e em Curitiba houve uma disputa enlouquecida para retirar da Boca Maldita um balão da Coca-Cola festejado na Semana da Pátria. Bombeiros tiraram o balão e o povo cantou o hino nacional como se tivesse derrotado o imperialismo.

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