O ministro Luiz Henrique Mandetta, da Saúde, apela, com o mesmo rigor com que defende o isolamento, para que não se politize demais a questão do uso da cloroquina, levantada não apenas por Bolsonaro como também por muitos dos secretários da área nos estados. É desejar uma solução inviável porque as cautelas adotadas pelo ministério não impedem a confusão, ainda que se constituam num esforço de racionalidade num contexto em que se colocam em xeque até princípios deontológicos, éticos, da nobre profissão.

É que relatos de cura com o uso da droga são admitidos abertamente por médicos, e um deles, o do doutor Roberto Kalil, ganhou repercussão, embora o pneumologista Carlos Carvalho, que o atendia, tivesse feito reparos. Ocorre que ambos foram contaminados pela Covid-19 e curados. Carvalho alertou que não há como provar o que o salvou até porque não se valeu da cloroquina: "tomei Novalgina e outros remédios e não posso dizer que o analgésico seja a causa do meu restabelecimento." Politizadíssimo, portanto, ainda mais com o presidente Bolsonaro fazendo a promoção do produto novamente em aberto conflito com o ministério. O dado emocional nutre a pregação ante a falta de uma resposta efetivamente científica.

Endemias concorrentes

O Paraná, posto que não seja destaque na pandemia, a acumula com outros patógenos como o da dengue, que aqui é epidêmica (e é líder no país com 158,8 mil casos), o sarampo (quarto no ranking, com 113 casos, atrás do Pará, Rio e São Paulo) e ainda com surto de febre amarela. A dengue está no Brasil, com 484.249 casos e 148 mortes, o sarampo com 909 casos e mais 3.119 em investigação e 4 mortes, e completa a lista de patologias concorrentes muitos casos de influenza, a maior parte de H1N1, com 772 internações. No apanhado geral, deficiências severas nas ações preventivas e profiláticas, descuido com saneamento e com a cobertura vacinal, deficiência, aliás, nacional.

Ajuda em debate

Ajuda aos estados em pacote financeiro no curtíssimo prazo e sem contrapartidas, com apoio do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, foi tema ontem de novo confronto com a equipe de Paulo Guedes, preocupado com um terremoto fiscal de R$ 180 bilhões. Valendo-se da situação de calamidade, os estados tentam adiar seus compromissos com a dívida para a União e ainda alavancar-se com novos recursos. Alguém tem que pensar nas consequências que tornarão o cenário mais complicado, depois de superada a pandemia. Enquanto isso, o legislativo estadual do Paraná reconhece o estado de calamidade em 38 municípios e o de Londrina montou esquema de R$ 86 milhões para gastos no combate à Covid-19.

Aliás, o conflito ficou exposto a partir do momento que o presidente Jair Bolsonaro resolveu se aproximar do parlamento para expor seu ponto de vista (o da área econômica) ainda ontem a deputados de pelo menos três bancadas e buscar conter os efeitos do protagonismo de Rodrigo Maia e que surtiu efeito imediato transferindo o debate da matéria da ajuda federal para a próxima semana.

Folclore

Ney Braga, governador, visita a sua cidade natal, a Lapa, e ao entrar com sua comitiva no cemitério comenta que naquele campo santo estão as cinzas do seu avô. Impressionado, um promotor público observa que deve ser incomum a morte de um familiar num incêndio. Essa é de acionar a sirene dos bombeiros.

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