Horror à austeridade
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 22 de agosto de 2019
Luiz Geraldo Mazza 
Horror à austeridade
O recuo do legislativo estadual na intenção de estabelecer a isonomia salarial entre os poderes prova que Ratinho Junior não terá aliados em seu propósito de baixar os gastos, bandeira-chave de sua campanha eleitoral. Não houve sequer esforço para um entendimento, afinal perspectiva reservada a estadistas e, é claro, estamos longe da classificação. Quem fracassou nesse objetivo foi Beto Richa, que pelo seu capital político, vitórias duas vezes e no primeiro turno para prefeito da capital e governador, poderia ter desenvolvido um esforço pela união dos poderes no enfrentamento da crise que sempre existiu e ameaça nos colocar na mesma condição de Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do sul aureolados com a letra D na classificação da Secretaria do Tesouro Nacional.
Há uma crise grave na transposição do marco de gastos com pessoal e a despeito dos supostos esforços, visível no anátema a servidores do Executivo, marchando para o quarto ano de arrocho, percebe-se que os deputados estaduais não estão nem aí com a gravidade da crise ante a qual já haviam optado pelo caminho mais fácil do agrado a demandas seletivas do que encaminhar uma saída mais digna que já haviam descartado ante a governadora interina Cida Borghetti, que vetara a manutenção das vantagens aos poderes tidos como excepcionais.
Austeridade, no clichê dos fisiológicos, é reacionarismo, neoliberalismo, tecnocracia. Se o Paraná for timbrado com a nota D, o que não é impossível, não vai ser nada difícil distribuir as culpas por termos caído, como a maioria dos times paranaenses, também aí, na segunda divisão.
Horizonte carregado
Não apenas São Paulo é atingida pela fumaça dos incêndios do Centro-Oeste e Amazônia. Também por aqui o problema impressiona. Há uma alta de 83% sobre igual período de 2018 nos seus 72,8 mil focos. O Instituto Ambiental do Paraná, IAP, não tem dados seguros da questão em função de problemas técnicos nas estações. O fato é que a qualidade do ar está bastante afetada e preocupa. É paradoxal a insensibilidade do governo central com relação à política ambiental por seu desinteresse militante em negar apoio a conclusões científicas e que já levaram os governos da Alemanha e Noruega a desistirem de ofertar recursos ao Fundo da Amazônia. A frequência dos incêndios completa essa quadra perversa.
Sarampo
Segundo caso de sarampo importado de área endêmica: o primeiro foi de Campina Grande do Sul, na Grande Curitiba, e agora com um morador da capital. Perda de rotinas de imunização está na origem do problema. Porta arrombada, tranca de ferro: a partir de hoje crianças de seis meses a menores de um ano devem ser vacinadas em todo país. Nos últimos três meses houve confirmação de 1.680 casos de sarampo em 11 unidades federativas.
Luta difícil
Curitiba já tem cinco decretos que buscam regular a atividade dos motoristas de aplicativos, e o mais recente que ordena o cadastro na Urbs decorre de manifestação de massa dos taxistas que fecharam o Centro Cívico nessa semana. Trata-se de tema delicado: o serviço em questão serve como descarga do desemprego e pode atingir mais de um milhão de pessoas dentre as várias modalidades de prestação de serviços. É uma descarga e ao mesmo tempo uma saída mimética, disfarçada, da questão do emprego. A operadoras como o Uber não há interesse nenhum em regulação por valer-se justamente da flexibilidade para maior rentabilidade. Aos taxistas não há outra alternativa se não novas e frequentes carreatas de protesto. O sistema, todos sabem, é quase de nenhum retorno para os operadores que se agarram na emergência à falta de alternativa .
Crise
Auditores da Receita Federal recuaram em seu propósito de deixar os cargos em função das interferências do Executivo que se dão aí, mas também na Procuradoria da República e ainda na Polícia Federal. A relação nos comandos dessa área é conflitiva.
Ciclo punitivo
O ciclo punitivo tem continuidade a despeito da perda de intensidade com as publicações do Intercept Brasil (uma das derradeiras de Deltan Dallagnol a idealização de monumento para a Lava Jato, inteiramente cabível por nossa endêmica relação com a corrupção e a impunidade, ainda que de gosto discutível e beirando fundamentalismo): novas arremetidas no Paraná, e em São Paulo o ex-prefeito Haddad foi condenado em primeira instância a quatro anos de reclusão pela Justiça Eleitoral. Crime do caixa dois, esse que a fauna política se empenha por uma anistia. Além do ex-candidato presidencial, o contador da campanha, dois empresários gráficos e o onipresente tesoureiro do PT, Vaccari Neto, condenado a mais dez anos , aparecem na lista.
Folclore
Uma das consequências da Revolução de 1930 (defensores do sistema também a encaravam como golpe, tal a nossa tradição) foi o fim da política do café com leite, aliança São Paulo-Minas. Hoje Minas é o maior produtor de café e se distancia de São Paulo também na política. Tanto que o seu governador João Doria quer a expulsão do PSDB do mineiro Aécio Neves, que há pouco foi candidato presidencial do partido.


