Frutuosa, como era de esperar-se, a sediação provisória do governo em Londrina ao perceber-se que as questões enfocadas configuram prioridades regionais e que a arregimentação havida assegurou debates pertinentes e que encontrou como expressão-síntese o elenco de medidas reivindicatórias da sua Câmara Municipal. São 22 demandas que se tornam visíveis aos olhos da cidade e também de sua função polarizadora de Região Metropolitana: praticamente tudo o que diz respeito a funções de Estado – saúde, infraestrutura, segurança, mobilidade urbana, educação - é enfocado.

Governar, antes de tudo, é definir prioridades e o pacote é abrangente e seu enfoque nem sempre é simétrico a uma visão mais integrada de questões essenciais das cidades de porte do Paraná. Nem sempre o desejável, que se traduz não apenas nesse documento, mas também em outros levantados no curso das negociações, está na linha do possível. Cabe, no entanto, nessas oportunidades, afinal não tão frequentes, alargar ao máximo o que se pretende para a região, o que mostrou a sua unidade e convicção em momento histórico.

De outro lado, no aspecto político-administrativo, deu lastro às afinidades com o governo Ratinho Junior, cuja identificação se revelara no processo eleitoral e também com a União, alvo de boa parte das demandas londrinenses.

Temperando o humor

Ao mostrar que nos cem dias de gestão Jair Bolsonaro emplacou 24 de 35 objetivos, 6 apenas parcialmente, cortou um pouco o mau humor decorrente das críticas e a da economia emperrada e também das pesquisas negativas ao afirmar que estamos em céu de brigadeiro e listou mais 18 iniciativas, anunciando que outras virão.

E deu uma jogada que preocupa o PT com a estória do 13º do Bolsa Família, o que melhorará sensivelmente a sua situação, principalmente no nordeste, com o eleitorado em maioria hostil em algumas áreas. Isso motivou um gracejo da deputada Bia Kicis, PSL-DF, de que com isso o presidente arrancava o número 13 da esquerda, o suficiente para levar Fernando Haddad, candidato presidencial derrotado, a lembrar as críticas dos hoje governistas ao benefício em entrevero pelas redes sociais com o vereador Carlos Bolsonaro. Só faltou o operador das redes lembrar que o PT se recusou a assinar a Carta Magna de 1988, sinalizadora do não saber perder. Se a emulação se desse nesses termos até seria aceitável.

Afinidades

Múltiplas as afinidades programáticas, mais do que as ideológicas, entre Ratinho Junior e o presidente da República. Das 18 medidas recém-anunciadas muitas têm efeitos equivalentes como a pretendida montagem de comitê interministerial de combate à corrupção, a extinção de cargos efetivos vagos ou que vierem a vagar, foco no turismo. Das listadas ganharam força a alusiva à autonomia do Banco Central, sempre prometida e sutilmente contornada, e uma questão polêmica, a do ensino domiciliar.

Bronca

Embora a generalização no país do chamado ensino à distância, os conselhos regionais de controle do exercício profissional vêm aprovando com frequência resoluções que proíbem estudantes formados pela modalidade a presença deles no mercado de trabalho. Argumentam que em determinadas áreas as atividades práticas são essenciais, sob o ponto de vista didático-pedagógico, para o exercício profissional. Universidades decidiram recorrer à justiça. Mas pelo jeito a queda de braços vai ser dura e longa.

Reforma shazam

A União vai descarregar na reforma da Previdência, além dos problemas específicos, outros que agravam a despesa pública, entre eles o da judicialização da saúde em função das decisões judiciais na distribuição de remédios a pacientes da rede pública. Na proposta em exame se firma o princípio de que nenhum benefício administrativo, lei ou decisão judicial, se concederá sem a indicação da “correspondente fonte de custo total”. A medida tenta dar um drible nas práticas atuais que implicaram em 2018 num dispêndio de R$ 1,4 bilhão. Juristas contestam a constitucionalidade do arranjo.

Assessor devendo

Depois de comprometer-se com o Ministério Público do Rio a dar a lista com nome e endereço de quem recebia remuneração informal, Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flavio Bolsonaro, ainda, passados quarenta dias, não os nominou na sua condição de “operador da desconcentração de remumeração” na Assembleia fluminense. Desdobramento das movimentações atípicas do Coaf e que atinge, indiretamente, o senador face as ações do seu subordinado, que vem dando dribles de Garrincha nos investigadores.

Folclore

Um congregado mariano tempo integral, o vereador Elias Karam, um dos mais populares de Curitiba, era uma figura de destaque nas procissões religiosas. Ele nas procissões e a figura das ruas, o “Pé Espalhado”, em todos os enterros. Outra figuraça era o Mandrake, limpador de chaminés, que ganhou o apelido do mágico de histórias em quadrinhos por causa da cartola preta que ostentava.

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