Globalização patológica
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quinta-feira, 30 de janeiro de 2020
Luiz Geraldo Mazza 
A humanidade tem criado protocolos para enfrentar pandemias e alarmes como esse do coronavírus, surgido na China e que chegou em Curitiba, suspeita sob investigação. Tanto nos momentos de guerra como nessas situações impõem-se o dado mundializante e as esperanças nos chamados organismos multilaterais como é o caso da OMS, Organização Mundial de Saúde, uma ONU de jaleco em versão médica de prevenção e cura.
São evidências fortes de que repousa aí a perspectiva possível diante de situações como o surto de ebola e tantos outros. Como há os que negam a relevância da globalização ou teses catastróficas como a do aquecimento global é preciso enxergar a obviedade do que temos à nossa disposição como profilaxia e terapêutica, tanto que já estamos sob alerta com três casos de suspeita no Brasil, um deles na capital paranaense, felizmente ontem descartado.
Acomodação mórbida
A cada divulgação da dívida pública federal percebe-se que as áreas técnicas se habituaram em não vê-la como grave ameaça, mas como algo transferível. Já não impacta a noção de que a dívida federal chegou a R$ 4 trilhões, como se a referência desse para tirar de letra. Não houvesse o hábito de metabolizar – e empurrá-lo para a frente rumo a um cronograma infinito- certamente essas revelações teriam respostas de curto e longo prazos, revelando graus de sensibilidade e resistência.
Ter atingido o maior patamar da história (R$ 4,248 trilhões, alta de 9,5% em 2019) e com a visão clara de que o ritmo das reformas é insuficiente, há uma cultura de autoflagelação se sobrepondo a tudo e que se mostra impermeável a medidas de efetiva austeridade, que para os demagogos da política é reacionária e inaceitável.
Ironia
Soa como irônica a informação de que os gastos federais para prevenir desastres é o menor em 11 anos e justamente quando somos acossados pelas enxurradas e deslizamentos em intensidade extrema. Menos de um terço dos recursos previstos foi usado em 2019 e o corte deste ano será mais amplo.
Paraná inseguro
O Tribunal de Contas aprovou, unanimemente, relatório de auditoria que apontou falhas graves no Programa Paraná Seguro, as quais envolvem até pagamentos de R$ 2,1 milhões a contas não identificadas, um caso de polícia completo. O programa era decalcado do Rio de Janeiro com a fixação de unidades em zonas tensas e que fracassou por não ter levado apoios sociais nos lugares em que operava. Aqui houve melhora sensível na taxa de criminalidade.
Rádio Patrulha
O principal delator da Rádio Patrulha é o empresário Toni Garcia como integrante das gravações com Beto Richa, seu irmão Pepe Richa e o primo distante Luiz Abi Antoun, num total de 18 horas de áudio e diálogos mantidos com as pessoas referidas. Nesta semana o juiz da 13ª Vara Criminal de Curitiba, José Daniel Toaldo, negou pedido de Luiz Abi Antoun para anular a delação copiosa de Toni Garcia. O magistrado mostrou que nessa altura do processo não seria conveniente examinar o mérito dos áudios, seja para usá-los ou para exclui-los.
Moderação verbal
Inútil pretender no governo Bolsonaro a moderação verbal. O próprio presidente se incumbe de romper qualquer regra, como se referiu agora à auditoria da caixa preta do BNDES ao dizer "Tem coisa esquisita aí. Parece que alguém quis raspar o tacho". O ministro da Educação foi criticado pela forma como se referiu a ex-presidentes pelo Conselho de Ética da Presidência.
Fake News
Dá para perceber na contingência atual do coronavírus o terror explícito desenvolvido nas redes sociais no que se refere ao apuro na prática de fake news, que se espalham, mais que a própria doença. Um capítulo sobre sua inserção em saúde pública ganhará destaque na CPMI que trata do tema com base em informes sem sentido sobre vacinas.
Folclore
Regina Duarte permanece noiva do governo, mas para os ex-presidentes do Banco Central, Gustavo Franco e Persio Arida, a relação Bolsonaro-Guedes é casamento arranjado e sem amor sincero. A metáfora matrimonial ajuda a entender as coisas.


