Na segunda eleição após a queda da ditadura Vargas, atribuiu-se ao brigadeiro Eduardo Gomes uma frase contra os trabalhistas, quando teria afirmado não fazer questão dos votos dos marmiteiros. A reação oportunista fez da marmita fetiche eleitoral. Fernando Henrique Cardoso chamou de vagabundos aqueles que se aposentam mais cedo, e o ministro Paulo Guedes, ainda recentemente, comparou funcionários a parasitas e o Estado como hospedeiro. A retificação, mesmo em casos de mentiras como a da marmita, por mais esclarecida, não convence e tudo permanece como ferro em brasa.

De repente o fato de o governo desistir da reforma administrativa e deixá-la na dependência do Congresso tem na frase um dos fatores da reviravolta. A reação de Rodrigo Maia, presidente da Câmara, contra esse recuo teve força, embora a campanha contra ele nas redes sociais.

Nada dengosa

A dengue nada tem de dengosa e isso é visto no fato de que em apenas uma semana tivemos mais de cinco mil casos. Estamos, segundo dados oficiais, com 20 mil casos da doença e com 13 mortes confirmadas, e o número de cidades com epidemia é de sessenta e duas. Há visível afrouxamento nas medidas preventivas contra a proliferação dos focos de mosquitos e tudo indica que o surto atual superará os de 2015 e 2016. Há 64.825 notificações desde agosto do ano passado.

Impermeabilização

O avanço urbano é sobretudo o da pavimentação que impermeabiliza o solo e dificulta a drenagem e facilita a tragédia que marca a vida de São Paulo, Minas, Espírito Santo e Rio, com tantas mortes e flagelados. Há uma razão mais remota no processo de aquecimento global que torna as previsões de chuvas falhas. São Paulo aumentou em 11% o solo impermeável entre 1985 e 2018, alcançando 57% do território. As obras de prevenção e seus respectivos cronogramas ficam severamente prejudicados.

Novidades

Com relação ao assassinato de Marielle e seu motorista Anderson, novidades da semana foram a morte de Adriano da Nóbrega, mal explicada, já que se tratava de um cerco que bem operado não teria se frustrado, e a conclusão de que as gravações na portaria de Bolsonaro não sofreram adulteração mantém tudo na maior obscuridade, ainda que esclareça que não foi o presidente quem autorizou a entrada no condomínio Vivendas da Barra.

Cabral descoberto

Quem descobriu o Brasil foi Cabral, mas quem descobriu o Cabral governador como corrupto foi a Lava Jato. Agora ele ganhou o direito de delatar, apesar de condenado a 280 anos, por sugestão da Polícia Federal e contra a manifesta reação do Ministério Público, razão pela qual o procurador geral da República, Augusto Aras, recorreu ao STF contra a medida e se vier a ser mantida para que não afete as prisões preventivas decretadas.

Folclore

O gestual da primeira campanha vitoriosa de Lula, inventado pelo jornalista Mario Milani, aqui do Paraná, era a mão em forma da letra "L", que agora Bolsonaro inverteu transformando em arminha. Do bom gosto à cafonice da violência.

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