Fantasias comuns
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 12 de setembro de 2019
EQUIPE DA FOLHA 
Fantasias comuns
Deu-se realce às observações do filho vereador, Carlos, dirigida à claque no sentido de que a via democrática não atende às aspirações do país. É uma fantasia comum no ganhador de eleições como se dava aqui no Paraná com Roberto Requião, que se declarava um governo de linha bolivariana. Houve reação dos presidentes da Câmara e do Senado e uma ponderação, como sempre, do vice Hamilton Mourão, prova de que há setores atentos a qualquer tipo de risco à democracia.
Eleições como a havida no Brasil e o corte que representou geram na área mais ideológica, ou que pensa agir como tal, esse tipo de papo delirante, no qual a permanência dos mesmos de sempre soa como "traição à revolução". Da mesma forma que aliados de Requião saiam pelas ruas com camisas bolivarianas, o papo dos fanáticos é no sentido de que há uma revolução em marcha e convém corrigir desvios. Para esse grupo tudo que parte do presidente é vital para manter o sentido clânico da turma. As insolências, a falta de modos, o descumprimento de regras mínimas em relações diplomáticas - tudo isso é revolucionário, avanço, e não vexame e matéria-prima de anedota.
Para entender a retórica de Carlos Bolsonaro é preciso ter noção do espírito grupal da aliança e perceber que o código tem sua especificidade, razão depois, alegando má interpretação, para negar aval à ditadura.
Controvérsias
O governo estadual estava confiante no sentido de que a derrubada da licença-prêmio teria rumo igual ao das negociações salariais e que mantiveram o arrocho e se surpreendeu com a reação dos sindicalistas, que repelem a proposta. Já houve adiamento, por duas vezes, na CCJ, e a tramitação da matéria terá um rumo dramático. Pretende-se votar na próxima semana o polêmico "Escola sem partido", o que pode tirar o foco do tema principal do corte da licença- prêmio. Essa pauta pode ter o sentido de confundir afinal dois temas de aguda linha ideológica.
Segunda-feira o Fórum sindical se reúne na Casa Civil com membros do governo para discutir o fim da licença-prêmio, tida pelo governo como indispensável para fugir do furor fiscal.
Como se vê, as aparências de tranquilidade somem diante desses dois temas.
Emprego transitório
Segundo cálculos de entidades especializadas, o Paraná estará logo após São Paulo na oferta de emprego temporário, com 75 mil vagas. De outro lado, se tivermos novos sinais de melhora, há perspectiva de que boa parte dessa legião de trabalhadores arrume posto permanente.
Moralismo em recuo
A decisão judicial do STF que impediu a retirada dos livros na Bienal do Rio de Janeiro foi seguida de outra pelo Tribunal de Justiça de São Paulo, essa contra o governador João Doria, que determinou a devolução de apostilas que haviam sido recolhidas na mesma temática de amparo ao LGBT.
Belo Monte
A primeira parte da Lava Jato se ocupou do ex-presidente Lula, e a de agora, manifesta em sua 65ª etapa, sobre campanhas e núcleo de confiança de Dilma Rousseff com a prisão de Marcio Lobão, filho do ex-senador e ex-ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, encarregado pela presidência, de tocar a obra de Belo Monte. A investigação de grana da Odebrecht decorre de delação premiada do ex-ministro Antonio Palocci. Ainda decorrente dessa operação, a força tarefa chega ao mercado de arte pela primeira vez em cinco anos. A operação foi denominada Galeria por envolver agentes do mercado de arte contemporânea como lavagem de dinheiro. Em atos anteriores houve apreensão de obras de arte, mas nunca devassa em galeria, no caso Almeida & Dale, na região dos Jardins em São Paulo.
Competitividade
Mais de 60 mil itens deixarão o regime de Substituição Tributária a partir de 1º de novembro para assegurar competitividade ao Paraná ante estados que já adotaram a mudança. Essa antecipação tributária gerava distorções e fonte permanente de reclamações empresariais. Tenta-se agora tornar mais equilibrada a relação com Santa Catarina, Rio Grande do Sul e São Paulo, entre outras unidades, que já implementaram semelhante conduta. O governo acha que isso baixa preço das mercadorias, aumento de vendas e geração de empregos.
A Substituição Tributária gerava complicações para os empresários (um dos setores que produziram ruídos foi o da venda de vinhos), mas facilitava o trabalho da receita estadual e com a mudança teme-se um aumento da sonegação.
Folclore
Delatores saíram na frente dos condenados na Operação "Quadro Negro": a justiça condenou 12 pessoas a partir de Maurício Fanini e do empresário Eduardo Lopes de Souza, dono da construtora Valor. Fanini pegou 65 anos abreviados para 25 em relação à colaboração. Souza, a 79 anos, 11 meses e oito dias reduzida a 15 anos. Pelo jeito o crime não compensa mesmo quando o autor assume como delator. Há outros no processo como o ex-governador Beto Richa e parte do seu estafe. Está fedido, diria o trocadilhista.


