Estresse antes do tempo
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 15 de abril de 2020
Luiz Geraldo Mazza 
A sociedade no isolamento antecipa o estresse: aqueles povos que se habituaram à guerra e às revoluções bem como aos terremotos e ciclones parecem ter maior resistência e tanto que os Estados Unidos na altura do primeiro mês de emergência cuidam já de medidas de flexibilização da quarentena, a Índia sinaliza o afrouxamento para os primeiros dias de maio, e a França sai do confinamento em 11 de maio. Isso fortalece posições como a do presidente em choque permanente com seu ministro da Saúde.
O conflito entre o científico das restrições e o econômico de baixar a guarda está cada vez mais "politizado" e serve até de fundamento ideológico e nutriu durante o dia de ontem todo o noticiário de Brasília. Já há 1.328 mortes e 23.430 casos no país e de repente tudo isso é visto como normalidade, daí o estresse. Curitiba já foi colocada em situação de "atenção" pela pasta da Saúde, embora distante de São Paulo, Rio, Belo Horizonte, Fortaleza, Manaus, Floripa, Campo Grande.
Unanimidade
A proibição do corte de luz e água na pandemia foi um momento de unanimidade em nossa Assembleia Legislativa, beneficiando famílias com renda de até três salários mínimos. Outras medidas são adotadas como a de impedir operadoras dos planos de saúde de cobrar taxas adicionais de pacientes em exame, internamento, isolamento e demais situações da Covid-19.
Já no âmbito nacional, o plano de ajuda aos estados e municípios, também aprovado por vasta maioria na Câmara Federal para cobrir perdas de arrecadação e que implica em R$ 89,6 bi, pode ser vetado pelo presidente se prevalecer o ponto de vista do ministro da Economia. A matéria não prevê contrapartida dos beneficiados, o que aliás se assenta na tradição bem brasileira da gastança.
Salários
Mais de um milhão de acordos entre patrões e empregados na redução de salários e jornadas e suspensão de contratos enquanto houver a pandemia foram estabelecidos. Há aquela liminar do ministro Levandowski que obriga a audiência de sindicatos, mas também o seu entendimento de que acordos de forma individual têm efeito imediato. Sindicatos e centrais estão num mau momento para agir.
Prioridade
Dado o predomínio da terapia voltada para a Covid-19 a rede hospitalar reduz atendimentos a outras patologias, as mais comuns, dentre elas o infarto com queda de atenção de até 70%. A restrição às chamadas demandas seletivas implica nisso.
Sem exagero
Num dos pronunciamentos da semana passada, João Doria, governador de São Paulo, anunciou até prisão para a quebra do isolamento, o que pegou mal na área do Direito e ele se viu obrigado a recuar de tal pretensão. A taxa de isolamento não passava de 60% e a intenção é fazê-la atingir pelo menos 70%. Concentrado na capital (75% dos óbitos), o vírus se espalha em 14 das 16 regiões com registro de mortes.
Folclore
Agora se agarraram no fato de Mandetta ser ortopedista e não infectologista para opinar na Covid-19. Pandemia não anula a desonestidade política.


