O setor fardado do governo reafirma sua fidelidade à democracia, mas adverte que a oposição não estique demais a corda. Vivemos num ciclo em que ganham força metáforas como essas, embora haja falta de um Nelson Rodrigues para elaborá-las. Não é fácil apontar quem mais a estica, já que numa certa medida todos o fazem como se estivessem num mutirão e tudo se consumasse no mero jogo retórico.

No caso Weintraub, a corda ficou esticada ao máximo e o Judiciário sugeriu que com ele no governo é impossível qualquer esforço de pacificação intrapoderes. O ministro da Educação é uma forte expressão do grupo mais ideológico e ligado a Olavo de Carvalho, o que dificulta a ação do presidente Bolsonaro ante o grupo de raiz.

O fato é que enquanto esticam a corda, o país vê a sua economia rumando para a recessão nas elevadas taxas de desemprego, na queda de 16,8% do varejo em abril e com o país ostentando a medalha de prata na olimpíada dos afetados pela Covid-19.

Renascida?

De vez em quando a Lava Jato volta à cena, como agora no desdobramento do processo do ex-senador Romero Jucá e Valdir Raupp. A manipulação (de interesse da classe política) feita em cima daquela ação judicial com interpretações distorcidas quase a levou ao esquecimento, razão pela qual é positivo retomar a batalha suspensa, mas até aqui ainda não perdida.

Assistencialismo

Como não temos uma ação vigorosa e bem definida de política social, percebe-se que no curso da tragédia sanitária mais se acentua o problema da desigualdade, que é enfrentado com medidas assistencialistas como essa de não cortar o fornecimento de água e energia nas sextas-feiras, fins de semana e feriados dos inadimplentes ou as de suprimento de renda mínima e auxílios emergenciais, por sinal que pessimamente desenvolvidos pela União. E anuncia-se decreto para ampliar o prazo e redução de salário e jornada para conter as demissões.

Recuperação

A onda de recuperações judiciais teve alta de 70% em maio relativamente a abril, em função da pandemia e seus efeitos econômicos, com deferimento de 61,5% dos pedidos. Há no Senado um projeto dando prazo maior às empresas para negociar com credores enquanto vigorar o estado de calamidade pública. Por ora não há espaço para a visão do permanente.

Nova Wuhan

Para evitar que Pequim se transforme numa nova Wuhan, em função de um surto da Covid em mercado público, foram fechadas escolas e realizadas testagens em massa. Possivelmente o fato pode levar ao lockdown no temor de uma segunda onda da pandemia.

Protesto proibido

Em Curitiba decisão judicial proíbe protestos como os que eram feitos contra a volta de restrições na escalada da Covid-19. Impera a confusão: enquanto o uso emergencial da cloroquina nos EUA é revogado, no Brasil o governo amplia sua oferta a criança e gestante. E em Manaus um hospital de campanha é fechado por falta de pacientes. É o Brasil descendo a ladeira. Ou será que sempre estivemos numa pandemia que não enxergamos?

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