Nem todos os vetos presidenciais são aprovados, nem todas as Medidas Provisórias se sustentam, nem tudo que o Executivo pretende o Judiciário e o Parlamento aprovam, enfim por descuido ou inspiração, ainda mantemos uma configuração de democracia. É evidente que se revela precária, insuficiente, mas fica longe da ameaça, tantas vezes evidenciada, de um corte autoritário.

Instituições colocadas sob a lupa das pesquisas andam mal: o Executivo com 36% de ruim e péssimo, o Legislativo com 45% nessa deficiência e o Judiciário com 39% dessa rejeição. Como se vê as instituições se revelam deficientes para a maioria da população, como indicam sismógrafos do Datafolha. Temos, para compensação, um povo ligado razoavelmente em sua função fiscalizadora.

Considerando que o protagonismo, por vezes excessivo, dos três poderes os coloca sob permanente observação e é indisfarçável a disputa de prerrogativas é de esperar-se que esses indicadores sejam suficientes para o exercício magisterial da autocrítica.

Ranking da bola

Está dando o que falar a publicação do ranking da "Folha de S.Paulo" ligado ao futebol com Flamengo disparado à frente como o maior do país com 1.081 pontos. Com a conquista da Libertadores e o vice mundial o rubro-negro se tornou o 22º em escala universal, quarto melhor brasileiro da lista com o São Paulo aparecendo como o décimo.

Claro que tudo isso é discutível ainda mais quando as diferenças regionais são colocadas como no caso do Cruzeiro, que caiu para a série B, aparecer em sexto com 844 pontos e o seu rival Atlético Mineiro em 11º com 633 pontos e especialmente a situação do Athletico Paranaense, com sua arrancada de glória, figurando em 19º lugar com 296 pontos e o Coritiba à sua frente com 320. A diferença entre eles é nas disputas regionais e nos títulos obtidos como campeão e vice.

O Coxa desfrutou no fim dos anos 60 e na sequência de 70, século passado, uma situação de hegemonia. Só que o seu adversário mostrou sinal de vida ao ser campeão em 1970 e ter sido o ganhador de um torneio com o trio de ferro que o habilitou a disputar o Roberto Gomes Pedrosa, no qual se saiu razoavelmente com o empréstimo de dois jogadores coritibanos (Célio, goleiro, e Nilo, zagueiro esquerdo) e dois do Colorado (Madureira e Vilmar). Até aqui parecem precárias as reações coritibanas ao domínio rubro negro (campeão brasileiro, vice da Libertadores, conquistas internacionais e o título recente da Copa Brasil) que ainda testará forças contra o Flamengo, o que pode até aumentar a dianteira atual.

A lei do abuso

Alvo de ações a lei de abuso da autoridade é apontada como inconstitucional por várias corporações como entidades de juízes, Ministério Público, policiais e auditores fiscais que entraram com seis desses instrumentos no STF e dois já foram rejeitados. Originalmente a lei visava fortalecer a atuação do Ministério Público e da polícia, mas com a campanha contra a Lava Jato seu sentido mudou radicalmente em função também do desgaste do ciclo punitivo aberto com o mensalão e que cresceu muito com o petrolão.

Droga nos portos

Nesse ano houve apreensão de 26,31 toneladas de cocaína nos portos (predomínio para Santos e Paranaguá), um pouco mais do que as 23,11 toneladas de 2018. No terminal paranaense foram apreendidas 15 toneladas praticamente o triplo do ano anterior. Constata-se em Paranaguá que o valor da droga interceptada supera exportação de carros. Esse tipo de frequência das apreensões dá a entender que os riscos devem ser compensados com o fluxo do negócio e há suspeita de que esse desvio compensa e não se pode subestimar o volume da mercadoria não apreendido. Quem acabou beneficiada por essas atuações da Receita foi Guaraqueçaba que ganhou uma máquina escavadeira e uma pá carregadeira, apreendidas numa operação de combate ao tráfico internacional e que serviram para atender ocorrência de deslizamentos nas estradas da região em função dos temporais.

Tolerância

Há no país um clima de tolerância com agressões ao meio ambiente, como se viu nos incidentes na Amazônia com desmatamento e incêndios. Há concessões sucessivas de destruição da mata atlântica no Paraná como no episódio da ligação rodoviária no litoral para acessar a Ponta do Poço em Pontal do Sul, a despeito da resistência de entidades e do próprio Ministério Público e agora o presidente do Ibama, Eduardo Bim, ignorando restrição da área técnica, autorizou a empresa Tibagi Energia a desmatar 14 hectares de mata atlântica para construção de usina hidrelétrica no rio Tibagi. A empreiteira, mesmo sem autorização, já havia iniciado as obras e o desmate. Como se vê a nova política ambiental que dá pesos diversos ao desenvolvimento econômico ante a preservação, mesmo que defendida pela retaguarda técnica, é linha dominante e será um ponto de conflito permanente.

Folclore

Dois engenheiros acompanharam em momentos diferentes intervenções urbanas na Capital: no passado distante Airton (Lolô) Cornelsen, então estudante de engenharia, estava na missão de Agache na montagem do seu plano diretor e anos mais tarde outro engenheiro, Saul Raiz, que chegou a dirigir a prefeitura de Curitiba, foi um dos assistentes de Prestes Maia que veio à Capital para ajustes no zoneamento e na dimensão de obras na gestão de Ney Braga iniciada em 1955.

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