O Brasil vive sob o signo da esperança, e a cada vez que um tema predomina, como se dá agora com a reforma da Previdência, atribui-se à possível conquista o poder demiúrgico de tudo resolver. Houve isso nos anos quarenta com a volta da democracia, depois em 1950 com o retorno de Getúlio Vargas, e assim por diante até chegarmos nas reformas de Jango e sua derrubada e na sequência com os índices de desenvolvimento do regime militar, depois com a luta pelas diretas e a eleição indireta de Tancredo até chegarmos ao Plano Real de FHC, dos feitos o mais duradouro e agora com a mexida nas aposentadorias.

Em todos esses ciclos dá para perceber que a solucionática era ilusória, já que as causas não tinham a abrangência imaginada, à exceção do Plano Real, até hoje assegurando à nossa degradada economia um fator de sustentação no enfrentamento da inflação. Também agora, em que pese a existência de possíveis efeitos benéficos imediatos, teremos uma alavancagem insuficiente, porém para dar tantas respostas. O Brasil em março fechou 43.190 vagas de emprego formal, dos quais 1.211 no Paraná e 184 em Londrina. Em cinco anos no Paraná houve perda de 56,5 mil vagas, com um quase empate entre demissões (5.006.069) e admissões (4.949.542), equilíbrio rompido pela massa de desalentados, aqueles que desistem de procurar emprego, um dos fatores de perturbação e angústia.

A recuperação da renda per capita não se altera desde o fim da recessão em 2016, estagnada em R$ 32 mil por ano, valor 9% mais baixo ao pico anterior no primeiro trimestre de 2014, 19 trimestres atrás. Expectativa é de que com um Pib de 1% neste ano o quadro persista.

Mas a reforma está aí, aos trancos e barrancos, todos acreditando que de repente pinta algo como o Plano Real e é assim que o mercado enxerga qualquer avanço. Esperança de plantão.

Aposta na Lava Jato

A maior parte da população quer a continuidade da Lava Jato, embora as perdas gradativas que vem sofrendo como a reação a penas exacerbadas no STJ, ao reduzir consideravelmente a sentença de Lula, que podem ocorrer nos demais processos. A cada novo feito como o dessa semana com a delação de gerente da Delta de que teria dado R$ 24 milhões de propina ao lendário Paulo Preto, ex-diretor da Dersa, no governo de José Serra em São Paulo, assiste-se à desconstrução da classe política, fator chave que botou a direita no poder face aos abusos das várias esquerdas e também os da destra apanhados.

Ridículo o esforço de alguns analistas de verem nas ações da polícia, ministério público e justiça uma articulação de direita como se tivesse um grau seletivo, ainda que haja arbítrio nesse carimbo ideológico, pois todas as tonalidades do espectro foram alcançadas e na síntese essa maioria é mesmo ladra, independentemente do discurso que praticam, o que não amaina seus atos como no caso de José Dirceu, em que aparenta tudo menos o Che Guevara imaginado por alguns do seu séquito, mesmo que respeitado o seu silêncio e discrição na prisão, postura de firmeza inquestionável.

Aqui no Paraná a retomada das audiências da Patrulha Rural (há enorme ansiedade em torno da acareação entre Beto Richa e o empresário Toni Garcia) devolve ritmo a um processo que é uma variação de tecnologia nas formas de meter a mão no jarro, delito com know how, prova de que o imaginário da corrupção é lucrativo empreendedorismo, tanto que uma das empresas envolvidas fez acordo de leniência para não perder espaço operacional e ser declarada inidônea, certamente olhada como traidora como se dá no caso dos políticos que se transformam em delatores.

Refis & Profis

Até honorários de advogados públicos (como os demais do Executivo três anos sem reajuste) foram suprimidos para facilitar refinanciamento de débitos com o que, além do maior prazo, empresários estaduais ganham desconto de 8%. Isso visa ampliar a adesão ao Refis estadual para amainar o sufoco fiscal. Os que já pagaram ou assumiram o compromisso de pagar podem ter ressarcimento.

Em Londrina, o Profis (Programa de Recuperação Fiscal) já arrecadou R$ 33,81 milhões em regularização de débitos e a pasta fazendária anunciou 37 mil adesões com um total negociado de R$ 103 milhões. É outra dimensão multifacetada da crise.

Reforma

A reforma administrativa de Ratinho Junior, aprovada com quatro emendas (definindo atribuições de várias pastas, uma delas), implica em redução do tamanho da máquina pública de 28 para 15 secretarias e corta 313 cargos na administração direta. Sua tramitação foi tranquila, o que se prevê para toda a gestão. Em matérias mais polêmicas e em incidentes como o previsto com a greve do funcionalismo estadual para o fim do mês tudo isso será devidamente testado.

Fala, Lula

  • Em entrevista, que pretendia compartilhada com os demais veículos interessados, o que foi vetado no STF, que o ex-presidente Lula concederá na prisão em Curitiba nesta sexta (26) aos jornalistas Mônica Bergamo (Folha de S. Paulo) e Florestan Fernandes (El Pais) teremos finalmente o esperado depoimento trancado em setembro do ano passado pelo ministro Luis Fux e liberado, semana passada, pelo presidente do STF, Dias Toffoli.

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