Emergência fitossanitária foi declarada no sul do Brasil face a nuvem de gafanhotos que atacou a Argentina. Nos anos quarenta, século passado, tivemos experiência do gênero. Que deixou a memória em marchinha carnavalesca como a patologia foi enfrentada com bom humor. Vamos a ela: "gafanhoto deu na minha roça// comeu, comeu toda minha plantação// chô, gafanhoto, chô, chô// deixa um pé de agrião pro meu pulmão// gafanhoto, isso não se faz// deixa minha roça em paz// minha verdura gafanhoto comeu// a rapadura gafanhoto comeu// não há mais nada, nem quiabo, que diabo// não há couve, o que é que houve? gafanhoto comeu //

Ambientalistas colocam o fenômeno como decorrente dos nossos descuidos e quem sabe uma de nossas deformações no abuso dos agrotóxicos ajude no combate à fome dos acrídeos.

Eleições

Há resistências na Câmara Federal ao adiamento das eleições municipais, conforme o texto aprovado no Senado. Novamente entra o protagonismo do presidente da Câmara Baixa, Rodrigo Maia, e sua autoridade em negociações. No original é prevista a sequência de convenções partidárias entre 31 de agosto e 16 de setembro. Tiago Amaral, líder interino do governo na Assembleia, defende a coincidência de mandatos para 2022, com prefeitos e vereadores biônicos. Maioria dos candidatos aprovou a linha do Senado.

Eleição em Londrina e Curitiba será disputadíssima com os prefeitos atuais, Marcelo Belinati e Rafael Greca, concorrendo com vantagem. Ratinho Junior tem dois candidatos: Belinati e Amaral em Londrina e Greca e Ney Leprevost em Curitiba, razão de sobra para não se envolver.

Obviedade

A consciência culpada das elites redescobre na crise nossos problemas de inclusão social visíveis no fato elementar de que pretos, pardos, pobres e sem estudo aparecem como os mais afetados, segundo o IBGE. Entre 4,2 milhões que tinham sintomas da doença, 70% deles eram de cor preta ou parda. Em maio 19 milhões de brasileiros foram afastados do trabalho, 9,7 milhões ficaram sem remuneração. Entre os brancos, 16,1% foram afastados, e entre pretos e pardos o índice subiu para 20,8%. A pandemia serviu para acentuar a obviedade dos nossos níveis degradantes de desigualdade.

Saneamento

Sob o regime militar apostou-se tudo no Estado na demanda pelo saneamento básico e isso estava inscrito no Planasa, Plano de Saneamento, que se estruturava nas estatais. Agora com o novo marco regulatório aprovado no Senado aposta-se na universalização dos serviços até 2033 com um investimento de até R$ 700 bilhões com ampla participação privada. Deslanche do processo licitatório é esperado para 2023.

Folclore

A privada, finalmente, deixará de ser pública e redundantemente volta a ser privada na filosofia ditada pelo novo marco regulatório do saneamento.

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