Em areia movediça

Há muito a receita perde, no Paraná, a corrida com as despesas. O alarme é de algum tempo, só que poucas medidas foram tomadas, entre elas a que descapitalizou o fundo de pensão estadual em dois bilhões anuais, manipulação feita para reduzir artificialmente encargos do Tesouro. Em cima disso, o discurso irresponsável do governo de que estávamos bem e lá vinha a comparação sinistra com estados quebrados como o Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul.

Temos agora uma espécie de banho de realidade com a exposição do secretário da Fazenda sobre o peso da situação fiscal: a receita corrente, entre janeiro e agosto, foi de R$ 33,3 bilhões e que quase empata com o resultado do mesmo período do ano passado, com R$ 32,2 bi. E a despesa foi de R$ 30,1 bilhões de 2018 para R$ 30,4 no atual exercício.

Uma quadra difícil de encarar e que até agora não teve respostas no esforço do governador Ratinho Junior em sua bandeira de fazer mais com menos. O Paraná enfrenta um ciclo dos mais difíceis e a impressão é a de que agimos sobre areia movediça: em cada passo a sensação de que nos atolamos mais, e o pior é que não vemos saída para um quadro repetitivo.

Diferenças

Com toda situação fiscal que Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul enfrentam não perdem como estrutura produtiva suas posições no ranking da renda interna como segundo, terceiro e quarto postos. Isso também se dá com o Paraná, que pode, a qualquer momento, sobrepujar gaúchos, ainda que provisoriamente, como já aconteceu. Não há portanto sincronia entre situações fiscais e o processo produtivo. Fica para estados o drama do parcelamento de salários ou o estágio anterior, que é o do congelamento, seguido de buscas desesperadas por novidades de impacto como a de Ratinho Junior querendo tourear o dragão da licença-prêmio de qualquer jeito. Ainda na questão fiscal inclua-se aí a situação de São Paulo, muito próxima da do Paraná, sob ameaça, pelos cálculos da Secretaria do Tesouro Nacional, de cair da letra B para a C, algo como sair da primeira série do nacional de futebol para a Série C.

E pelo jeito a alternativa viável, como São Paulo faz em especial, é a de atrair investimentos e manter a guerra fiscal, o que como saída racional compromete qualquer uma das reformas em andamento, notadamente a pretendida no setor fazendário.

O Judas

Sergio Moro é o alvo principal da classe política e agora também da mídia. E não se trata apenas do passado como juiz federal e sim também com a situação de ministro em função da abrangência de sua pasta. Entre outras coisas a imprensa retrata que caiu e muito o número de operações da Polícia Federal de sua área e isso teria ficado provado no primeiro semestre. Contabilizaram 204 operações, menor resultado de cinco anos. Dentro em pouco teremos alusões a situação dos presídios ocupados pelo crime organizado, que também é, de certa forma, de sua alçada. Assim, além de tudo aquilo que se diz da operação judicial, haveria restrições de natureza administrativa.

É o Judas do momento e teríamos nos folguedos de páscoa de 2020 o transformado no boneco de pano entregue à sanha da gurizada para o ritual da malhação. Pior do que isso só o caso da Geni da música de Chico Buarque.

Homofobia

É intenção do presidente da Câmara Federal, Rodrigo Maia, pautar em plenário para o final do ano o projeto que trata da homofobia como crime. O STF tratou do assunto em função da carência legislativa como crime de racismo e que isso valeria até o Congresso legislar sobre o tema. Maia quer um consenso na Casa através de um parecer equilibrado e que o citado até agora para relatar seria Ricardo Izar (PP-SP). Há um texto de Sóstenes Cavalcanti (DEM-RJ) que não criminaliza, porém aumenta o tempo de punição de quem praticar atos contra a população LGBT.

Ofensiva

A ofensiva do STF, inclusive no caso da busca e apreensão nos endereços de Rodrigo Janot, de legalidade discutível como tudo que diz respeito a reações a fake news, teve o condão de adensar manifestações nas redes sociais em favor da Lava Toga, impulsionada por um setor mais radical do bolsonarismo. Cada ato defensivo do ministro Alexandre de Moraes acirra esse segmento. O senador Alessandro Vieira (Cidadania, SE), proponente da CPI da Lava Toga, afirma que a declaração de Rodrigo Janot está sendo explorada politicamente pelo ministro Gilmar Mendes como vítima, "que obviamente ele não é".

Folclore

No circo Queirolo, o Espingarda era um artista que tocava violino dando cambotes e com o corpo cheio de guizos se mexia e produzia música da mesma forma que o fazia com garrafas de água, das quais tirava som fino. Uma das cenas marcantes era ele se aproximando de uma lâmpada que chamava de Maria Luisa, trocadilho com a luz, e a apagando com um sopro.

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