Do mate à cocaína

O Porto de Paranaguá, no momento em que amplia o seu raio de autonomia e consolida a hipótese de tornar o Paraná uma base logística da América Latina, como deseja Ratinho Junior, se tornou vulnerável ao contrabando de cocaína e com tal frequência que dá ideia de igualar-se às commodities. Só neste ano a Receita Federal já reteve 9.874 quilos da droga, resultado de 16 operações bem sucedidas. Se nem toda carga é apreendida pelo seu valor vale qualquer tipo de risco, daí o estado de permanente vigilância.

Sabe-se a geografia do crime, sendo que a destinação de dez cargas era da Bélgica, quatro para a Holanda e uma para a França. De um porto que foi de navios negreiros, conforme o episódio histórico do Cormorant, e que deu resposta aos mini-ciclos de nossa economia com erva mate e madeira para alcançar a condição de maior terminal cafeeiro do mundo nos anos cincoenta, ao suplantar Santos, chegamos ao predomínio graneleiro para diversificar em sua pauta com carros, máquinas e motores.

Em passado distante tivemos no porto desvios, sendo histórico o de carros levados de um contêiner, como anteriormente se dava em pequena escala de mercadorias, dentre elas a mitificação do uísque, anedoticamente desfigurado um tempo por bebidas piratas feitas de forma artesanal e traficadas, com toda a encenação, na baía. Num momento em que se coloca sob ameaça a hierarquia da Receita Federal e de sua autonomia funcional é relevante o registro das apreensões de toneladas de cocaína.

Na Costa Oeste, no manancial do Rio Paraná, o registro trágico de que as duas semanas de incêndio florestal no Parque da Ilha Grande já teria queimado 61% de sua área, drama que se repete praticamente todos os anos.

Reformas

O Paraná não está ausente no Brasil. Além de tudo que a Lava Jato representou, tanto o feito em si como o dos seus participantes da força tarefa, temos a ingente atuação do ex-deputado Luiz Carlos Hauly, que desde os tempos em que era secretário da Fazenda de Alvaro Dias militava na causa da reforma fiscal, autor que é de um dos projetos em análise. Como há três propostas – uma no Executivo e outras duas na Câmara e no Senado - estuda-se a hipótese de uma fusão em uma só proposta.

Lixões

Um dos maiores absurdos e que prova que em matéria de meio ambiente somos primários está na circunstância de que grande parte dos lixões se situa em área de proteção ambiental. Temos, como demonstrou a reportagem em manchete, nada menos de 163 lixões dentre nossos 399 municípios. Um consórcio metropolitano foi tentado em Curitiba e prejudicado pela disputa entre grupos que visavam a exploração. O assunto é sério e a capital, tida como modelar no tema (ninguém esquece do "lixo que não é lixo" de Lerner), não faz exploração moderna e industrial do tema depois de esgotados dois aterros sanitários, um primaríssimo que desaguava no Passaúna e outro de mais porte, na divisória da capital, no Iguaçu.

A migração do lixo é inevitável e um projeto que visava Mandirituba foi condenado por atingir dois cursos d'água da bacia do Iguaçu, um deles o rio Maurício.

Sem respingo

Uma empresa de Paulo Guedes teria feito pagamento a um escritório de fachada (suspeito de lavar dinheiro para propina) em desdobramentos da Lava Jato em esquema que beneficiava o Grupo Triunfo, da qual três executivos foram denunciados. Denúncia em abril de 2018 não inclui o atual ministro no rol dos acusados ou outros representantes de sua empresa.

Terreno minado

O terreno da Receita Federal, da Procuradoria da República e da Polícia Federal em suas relações com o poder central está minado e a quebra de hierarquia intentada pelo governo central cria um fato que inexistiu em gestões anteriores, tirando o fato de Michel Temer ter escolhido a segunda da lista dentre os procuradores, Raquel Dodge, o que não feria norma alguma. Basta lembrar que essa autonomia permitiu o processo do mensalão sob Lula e o petrolão com Dilma Rousseff.

Sai ou não sai

A prensa do governador paulista, João Doria, PSDB, pela expulsão do deputado federal Aécio Neves do partido se insere no seu projeto presidencial. É possível que hoje o Conselho de Ética do partido venha a examinar o pleito em reunião da executiva nacional. Uma ala do tucanato mineiro lembra que a sanção pretendida a qualquer membro do partido somente caberia após condenação judicial. Nem tudo é singelo, pois a velha guarda do PSDB, aquela que governou São Paulo, se opõe a Doria no caso da filiação de Alexandre Frota, expulso do PSL.

Folclore

Moisés Lupion, em seu segundo mandato, sofreu com JK pela circunstância de um boato: o de que não teria apoiado o presidente eleito e sim Adhemar de Barros, que teria vencido no Paraná. Esse pleito teve coisas surpreendentes como a vitória de Plínio Salgado, da Ação Integralista, tanto em Curitiba como em Ponta Grossa. Em 1958 Jânio Quadros é eleito deputado federal pelo Paraná, seguido de Ney Braga, Acioly Filho e Plínio Salgado. Aquecia aqui a presidência e a governança estadual na escala das votações.

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