Dilema incontornável

O alarido da greve funcional, desprezada pelo governador, mostra que o trato seletivo aos policiais acaba favorecendo o conjunto da categoria, pois mesmo sem as dimensões alegadas a parede chateia, isso para dizer o mínimo. A pretensão oficial de que a sua versão é a quente no referente aos índices de participação não abala o ânimo dos insurretos que têm curso até de pós-graduação em greve que não dá resultado, portanto se acham vitoriosos, haja o que houver.

Enquanto o governo negocia com os policiais, apavorado com a hipótese de a, qualquer momento, retomarem a operação padrão que o desmoraliza e de outro lado a continuidade do berreiro de professores, ainda que de baixos teores, percebe-se que não haverá como o trato ser diferenciado e, consequentemente, como evitar que os grevistas minoritários acabem levando alguma vantagem. É que já há o trato privilegiado aos servidores dos demais poderes, que incorporam todos os anos a taxa de inflação à sua remuneração.

Percebe-se que é um jogo de perda de tempo dos dois lados, especialmente com o diálogo com os policiais, que de repente assumem hegemonia da ação sindical pública, até porque mais eficiente e menos irritante para a sociedade, os pais que em maioria não suportam essa reprise de todos os anos, especialmente daqueles que têm filhos de olho no vestiba e que encaram um padecimento todo especial na ansiedade da ida ao terceiro grau.

Ao nosso lado

A Santa Casa de Colombo foi a leilão e com isso amplia-se consideravelmente na Região Metropolitana de Curitiba o drama da assistência pelo Sistema Único de Saúde com a superlotação na demanda das unidades de pronto atendimento da capital. Causa maior da enchente humana decorre disso aí, como se vê no entorno do Hospital de Clínicas a quantidade de ambulâncias de prefeituras do interior como de resto se dá em Campo Largo com sua rede hospitalar recentemente enriquecida.

O tema da manchete de ontem desta "Folha" é nacional, mas com angustiada repercussão na maioria dos municípios: o esperado alívio dos hospitais filantrópicos em suas contas com o tal empréstimo de R$ 1 bilhão por ano até 2022. Com dívidas de R$ 20 bilhões, mais de 2 mil hospitais e instituições filantrópicas de todo o Brasil que atendem pelo SUS, por meio do BNDES, estão no aguardo da regulamentação da Medida Provisória que restabelecerá a tomada de empréstimos ou refinanciamento de débitos. Some-se o cenário aos treze milhões de desempregados, fora os desalentados, e ter-se-á a dimensão do problema.

Identidade

O Brasil joga hoje o maior clássico sul-americano e percebe-se que caiu muito a empatia por nosso escrete: não há confiança na seleção e muitos a atribuem a um fator identitário no fato de a maioria absoluta jogar no exterior, fator até que leva o torcedor a ver em Everton o nome capaz de substituir o de Neymar por ser um dos raros que atuam por aqui. O louvor é tão nítido que cumulam o atleta de carinho especial como Cebolinha, ficção dos quadrinhos gaúchos, algo brasileiro com jeitinho mundial.

O fato é que ela está devendo e a goleada sobre o Peru deu um embalo, mas não o suficiente para que se veja em nossa seleção aquilo que havia no passado, o orgulho da brasilidade. Basta ganhar e isso passa.

Abertura do portos

A inserção do Mercosul na comunidade europeia, há tanto reivindicada, queiram ou não, é vitória de Bolsonaro a despeito de todas as heresias que profere sobre globalização, lamento-cópia do Trump e que ajudou a elegê-lo, e contra organismos multilaterais. A práxis se dá em contraposição à teoria, mas temos também que nos preparar para nova realidade, que pode injetar R$ 480 bilhões em nosso PIB em quinze anos. Equivale – sem exagero como alguém nominou – a uma reprise histórica da abertura dos portos.

Palmômetro

Quantas escolas no Paraná estão fechadas com a greve? Haja o número que houver e isso não altera a situação. O mesmo se dá com as passeatas pró Lava Jato e as contrárias. Essa questão não se define no palmômetro como se estivéssemos num auditório de televisão. Gravações da The Intercept Brasil mexeram com o fulgor da operação, evidenciaram as disputas entre polícia, ministério público e justiça, que nada têm de novidade e também a busca de protagonismo, narcisismo em alta. Quando soltaram fake news sobre o STF a Corte se perdeu e tentou virar inquisidora e agora como é que se legaliza a ação clandestina, já que aparenta ser veraz? Isso, afinal, não diz respeito ao sacrossanto estado de direito democrático ou o argumento só vale na prisão de Lula?

Folclore

Na campanha, Bolsonaro desancou a globalização e acertou agora no acordo entre Mercosul e Unidade Europeia como também se recusava ao "toma lá dá cá" da velha política e agora negocia emendas e cargos em troca de apoio político para a reforma previdenciária. O homem leva jeito de bateria dialética: é o sim e o não, a tese, a antítese a síntese, tema para o guru Olavo de Carvalho decifrar.

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