O regime democrático só se sustenta sob desafios: estar sob vertigem é normalidade como também se encontrar em processo pré-convulsivo, como agora, dependendo dos estímulos que partem da autoridade central, como por exemplo neste momento, entre nós, no decreto autorizando poda de restinga no litoral paranaense complementando ações predatórias contra a mata atlântica. É aberta desobediência à academia e à ciência. É o governo estadual se ajustando à postura nacional contra o meio-ambiente. Urge reação antes que vire norma.

Agepar em questão

A primeira iniciativa de regular a Agepar fracassou, mas o governo Ratinho Junior promete consertá-la e ajustá-la para os processos privatizantes ou de ajuste nas parcerias. Percebe-se a intenção de fragilizar normas para facilitar o avanço das medidas e não detê-las. No acervo de desvios do governo Beto Richa, casos notórios de corrupção com as pedagiadas, ela se deu mal na melhor das hipóteses pela complacência. Não exibiu nem independência e muito menos apego à transparência. Encontrar o equilíbrio não é fácil entre o excesso de Estado e sua ausência ou extrema passividade.

Cadastros

O momento é de cadastros e o mais importante, o da questão do desconto em folha para associações e sindicatos. Não deixa de ser uma necessidade, embora o alarme produzido pelo temor de que se transformasse em elemento de pressão. Concedido mais prazo pela adoção, espera-se bom senso das partes envolvidas. Num país em que aposentados vivos são dados formalmente como mortos e não recebem seus haveres o cadastramento é vital.

Agora há em elaboração o Censo Social que mapeará comunidades tradicionais, movimentos sociais e instituições sem fins lucrativos. Um questionário será enviado este mês aos governos municipais, o que facilitará o exercício das políticas públicas. Em princípio é iniciativa louvável da Sudis estadual, Superintendência de Diálogo e Interação Social.

Modelo

Um dos sustentáculos da economia paranaense está no seu modelo cooperativista, e a maior delas, a Coamo, teve receita de R$ 13,97 bilhões em 2019, um pouco menor do que a obtida em 2018 (R$ 14,80) em função da perda em 20% da safra de soja e trigo. Associados devem receber sobras de R$ 361,67 milhões, a partir de ontem, nos entrepostos de Paraná, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul.

Prevenção frágil

Muito mal a engenharia brasileira em episódios como o de Brumadinho, dos viadutos e pontes sob ameaça de queda e nos eventos da crise hídrica, aquela que manteve São Paulo sob suspense, e agora nas enxurradas nos grandes centros urbanos com dimensão trágica. Sequela de tudo isso o prejuízo de mais de R$ 140 milhões para lojas e shoppings que não puderam abrir.

Folclore

Numa exposição na Biblioteca Pública de um quadro de Van Gogh (A arlesiana) em Curitiba uma senhora estacada diante da obra perguntava ao marido se Van Gogh era apelido, ao que o jornalista Fernando Pessoa, que estava ao lado, explicou "é apelido. O nome é Kirk Douglas", que no filme clássico interpretou o agoniado pintor e Anthony Quinn fez o papel de Gauguin.

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