De novo segunda época
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 16 de agosto de 2019
Luiz Geraldo Mazza 
De novo segunda época
Dá para lembrar as seguidas trombadas entre a Secretaria do Tesouro Nacional e o governo de Beto Richa nas infrações da Lei de Responsabilidade Fiscal com a gastança com pessoal. Pois apesar das alardeadas alegações de que vivíamos no azul, acabamos figurando novamente como candidatos à segunda época, prova afinal de que nada mudou. É que tivemos de novo a nota de rebaixamento para a classificação B e com viés de queda e com isso perde-se o direito de obter empréstimos com garantias do governo federal, este bastante alinhado ao paranaense, o que afinal será infrutífero.
O Paraná não está sozinho no purgatório da série B – com mesmo risco e classificação -, ao lado do gigante São Paulo (mas esse tem como se virar sozinho), Acre, Pará, Paraíba e Piauí. Se cair, o que é possível, para a nota C, perde o selo de bom pagador e ficar ainda na pior com a nota D, que dá as piores classificações a Minas Gerais, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul. Única unidade com a nota A é o Espírito Santo. Conforme as apurações do Tesouro, 12 governos estaduais registraram despesas com pessoal superiores a 60% da Receita Corrente Líquida no ano passado e que foi de apenas oito em 2017. Nem o congelamento salarial dos barnabés resolve, como se vê.
O horror à austeridade é uma das características essenciais do populismo e vivemos sob ele em extrema exaltação.
Dólar à vista
Indicadores negativos da produção industrial chinesa e do PIB da Alemanha provocaram temor de recessão global com as bolsas caindo 3% e dólar por aqui superando os R$ 4. Para conter a escalada, o Banco Central anunciou a venda da moeda americana no mercado à vista, o que não era praticado no país desde 2009 e que estaria disposto a reduzir a poupança em dólar mantida no exterior, as estratégicas reservas. Incursões do Banco Central começam dia 21 e devem se estender por uma semana em vendas diárias de US$ 550 milhões com limite em US$ 3,8 bi. Esse teto representa 1% das reservas disponíveis num total de US$ 388 bi.
Pelo menos esse tipo de situação, fora de controle, justifica que se fale em cocô. E no ventilador mundial, cósmico. Nada cômico.
Piccolo belo
De quando em quando se consagra os pequenos negócios. É o que se dá agora com a aprovação da Medida Provisória da Liberdade Econômica aprovada na Câmara e que segue ao Senado. Acredita-se muito hoje na simplificação dos negócios sem falar na aposta hoje em aberto na flexibilização, como se vê na uberização, que é um mimetismo conveniente para a dissimulação do desemprego e com suprimento em massa com a tecnologia dos aplicativos. Tivemos um surto dessa crença em passado distante e que consagrou Toledo, município paranaense, em atuação consagrada do jornalista Joelmir Beting e que de certa forma integrava o governo criativo de José Richa ao lado de propostas de tecnologia apropriada e que ampliava o conceito de alternativa. Desde então foi construída a visão que dá ênfase a micro e pequena empresa, hoje um axioma.
Reação
Há um mau momento da Lava Jato, o que não significa que esteja na retranca: vários casos aqui, em São Paulo, Brasília, Minas e especialmente Rio de Janeiro (lá se discute o valor das joias da mulher de Sergio Cabral em leilão) mostram que ela persiste na sua função. Aqui, além do recente ajuste com a Ecorodovia de R$ 400 milhões e a consequente baixa em 30% nas tarifas da Ecovia e Ecocataratas, temos a decisão da Justiça Federal que mandou bloquear bens em R$ 20 milhões do ex-governador Beto Richa e indisponibilidade de imóveis, alguns deles constantes das investigações e delações. Trata-se do caso da duplicação da PR-323 no noroeste e que envolve o irmão José Richa Filho, o Pepe, o primo foragido Luiz Abi Antoun, o contador Dirceu Pupo e os empresários Rafael Gluck José Maria Ribas Mueller. Medidas restritivas visam acautelar não apenas a reparação mínima do dano, mas assegurar valores equivalentes ao produto do crime. Na denúncia, escopo de operação Piloto, a Odebrecht teria pago R$ 3,4 milhões a Beto Richa em propina. A grana foi repassada ao ex-governador por meio de cotas de um imóvel em valor subfaturado por parte de Rafael Gluck e José Maria Ribas Mueller, executivos da Tucumann Engenharia, que fazia parte do consórcio.
Podem dizer tudo que quiserem sobre a Lava Jato menos que tenha feito mal, em qualquer momento, ao país em que pese seus desvios formalísticos usados por adversários que tentam anular seus efeitos na corrupção que tomou conta do país e que alcançou um ex-presidentes e vários postulantes ao posto, vários deles condenados ao silêncio obsequioso.
Gleisi
O desembargador João Pedro Gebran Neto, do TRF-4, cassou liminar que proibia Gleisi Hoffmann de ser advogada de defesa do ex-presidente Lula e isso permitirá à deputada e presidente do PT visitá-lo diariamente. Hoje eles se reencontram.
Folclore
Requião está fora de combate, mas seu projeto que criminaliza abuso de autoridade foi aprovado por 342 a 83, proposta vista como reação da classe política às operações recentes, e que felizmente ainda continuam, contra a corrupção.


