De novo Moro x Bolsonaro
PUBLICAÇÃO
sábado, 12 de setembro de 2020
Luiz Geraldo Mazza 
Decidiu o ministro Celso de Mello, do STF, que Bolsonaro não pode responder por escrito a sua interpelação e que está obrigado a fazê-la presencialmente naquele processo em que Sérgio Moro o acusa de intervenção na Polícia Federal. Para o momento de tanta convergência entre poderes – e a posse de Luis Fux foi exemplo disso, apesar da louvação à Lava Jato - soou como fato restaurador de conflitos intrapoderes.
Da mesma forma que o Judiciário faz questão de se impor, teremos também do Executivo uma postura beligerante através da Advocacia Geral da União e o provável inconformismo da PGR. São testes duros ao ordenamento legal, consequência da maneira como Celso de Mello abriu aos olhos da opinião pública os detalhes sinistros e chocantes da reunião ministerial em que prometeram cadeia para ministros do STF, apodados de vagabundos.
Desistências por Greca
Depois da desistência de Ney Leprevost tivemos a do deputado federal e ex-prefeito Luciano Ducci, do PSB, o que fortalece ainda mais a perspectiva de reeleição de Rafael Greca. Há ainda um postulante fortíssimo dentro do sistema: o deputado estadual Fernando Francischini, aquele que montou no Centro Cívico o massacre de sindicalistas e dentre as figuras que estão por aí é a que tem mais afinidade com o capitão e pode concorrer com esse fator, posto que Ratinho Junior seja também seguidor da doutrina da moda. A recuperação da imagem do justiceiro com o tsunami de votos que obteve deve ser interpretada como ação antissindical que vive também momento de fadiga do material, de estresse. Seria o candidato mais alinhado a Bolsonaro pelo que fez e pelo que faz, apesar do comando revelado por Ratinho Junior, mais agregador e clânico.
Fiscais
Difícil é a tarefa dos fiscais encarregados de combater aglomerações, mas no litoral a coisa funcionou, tanto que foram presos nada menos de 39 participantes de agitos. Em Londrina o comércio não se conformou com as medidas de endurecimento do seu prefeito, Marcelo Belinati, e pretende recorrer. Esse conflito ocorre nos municípios que por motivações várias, como se deu com Curitiba, endurecem as restrições para evitar a difusão do vírus.
Expulsão
A vereadora Fabiane Rosa, contra quem há em andamento um processo de "rachadinha" na Câmara Municipal de Curitiba, foi expulsa do PSD por força da acusação.
Cotas
O TSE tinha fixado que a cota financeira para negros só valeria para 2022, mas o ministro Ricardo Lewandowski decidiu, liminarmente, que a medida seja adotada na eleição atual. Não há data para julgamento do mérito do caso no plenário da Corte.
Folclore
Se a divisão do bolo dos assessores parlamentares é uma "rachadinha", que nome se daria a essa acusada pela Lava Jato de beneficiar escritórios de advocacia do Sesc-Senac, revelada também em delação premiada?


