Da água pro vinho
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 10 de junho de 2020
Luiz Geraldo Mazza 
A reunião do Conselho de Ministros de ontem foi o anverso da ocorrida em 22 de abril, até hoje enroscada na justiça em função da denúncia de Sergio Moro. Uma visão geral do que cada pasta está fazendo com abordagem segura e sem clima para desvios da anterior. A forma tranquila como se deu pode representar novo estilo de dar respostas a desafios.
No Paraná, na passagem dos anos cinquenta para sessenta, tivemos a experiência dessas reuniões secretariais com a coordenadoria do Pladep, plano de desenvolvimento econômico do Paraná, em que se passava a limpo diagnóstico e terapia dos nossos problemas. Fato de haver uma diretriz, centrada numa visão de governo, impedia desvios e ociosidades. Foi essa série de encontros dos governos Adolfo de Oliveira Franco, Moisés Lupion e Ney Braga que desaguaria nos governos que mudaram o Paraná na potência que é. Pode ser que não se dê o mesmo com o governo da União, mas não se pode negar que impressionou a diferença com aquela reunião desastrada. Diferença, como se diz, da água pro vinho.
Embarque na ilusão
O estresse da quarentena leva o povo, de um modo geral, diante da flexibilização, a abusos como se a pandemia tivesse passado. É esse aspecto de normalidade coletiva, que se vê em Curitiba e Londrina, como ocorre em centros maiores como Rio e São Paulo, que por seus efeitos deletérios nos níveis de contágio obriga a um recuo radical às vezes por pedido do Judiciário. Curitiba vai ter que botar o freio na situação, segundo o prefeito, e a sua secretária de Saúde. Os pleitos às vezes veem programados impondo a revisão sobre shoppings, academias e igrejas, porém em certos casos se obrigam a medidas radicais como a suspensão no Rio do afrouxamento porque houve 500% de aumento no movimento de carros e gente nas ruas no primeiro dia de flexibilização.
Estatística nova
Com o comitê de veículos de comunicação criado para assegurar informe correto de novos casos e mortes pela Covid-19, apurou-se 37.312 óbitos e 710.887 infectados. À soma se acrescentaram anteontem 849 mortes e 19.631 novos casos. A iniciativa dos jornais foi bem recebida, como também a ordem do ministro Alexandre Moraes, do STF, para que o governo não maquie dados. Moraes é tão ligado nas ações em cima do Executivo que, segundo uma brincadeira entre seus colegas, tornou-se prevento para esse tipo de missão. Já o ministro Celso de Mello concedeu mais 30 dias para a investigação sobre a interferência de Bolsonaro na Polícia Federal.
Adiamento
Ouvida a opinião de médicos, o TSE deve adiar as eleições municipais, mas há resistência nos partidos do centrão (PP, PL, Solidariedade e PSD), e o ministro Luis Roberto Barroso, seu presidente, agenda reunião para a próxima semana com especialistas, entre infectologistas e epidemiologistas. Presidentes da Câmara e Senado participam desses entendimentos.
Folclore
O general Alipio Aires de Carvalho, genuíno introdutor do planejamento no governo estadual e na prefeitura de Curitiba (nesta especialmente o transporte coletivo) era, antes de tudo, um generalista e dotado de impressionante carga de conhecimentos gerais. Mas acabou não escapando das caricaturas de Paranaguá com o apelido de professor de Deus.


