Crise prorrogada
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quarta-feira, 30 de dezembro de 2020
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Estados buscam meios de manter o estado de calamidade pública e no momento cuidam de sustentar o toque de recolher e até radicalizar contra as medidas de afrouxamento inclusive nas praias. Nossas perspectivas se estreitam muito com o atraso na adoção da vacina, ontem (29) iniciada na Argentina e o alerta está no fato de que em dezembro tivemos um aumento de 40% em relação a novembro no número de infecções. O Paraná com 401.631 casos e 7.671 óbitos, Londrina com 20.892 casos e 425 mortes, em dois dias Curitiba registrou 790 casos e 23 mortes. Apesar da gravidade da situação, nos dias 31 e 1º haverá liberação. Para fugir do tema dominante, Bolsonaro põe em dúvida que Dilma Rousseff tenha sido torturada e os políticos protestam, dentre eles os ex presidentes FHC, Lula e a própria Dilma. Como se vê as insolências também se repetem.
Inflação
Com a queda de empregos e de salários temos em paralelo a escalada da inflação que nas locações chegou a quase 24%, o IPC-M em 1,21% e uma quase imperceptível queda no desemprego (ainda em 14,1%) e dentre as novidades as altas de 5% na gasolina e de 4% no diesel, isso sem falar no disparo de gás de cozinha à base de 5% ao mês. O pior é que na visão de especialistas a vacina não implicará no fim da pandemia e medidas de prevenção deverão ser mantidas em máximo rigor. O atraso na imunização levará quase um ano inteiro só para atender grupos prioritários.
Ensaio
A sucessão no comando da Câmara Federal, segundo Rodrigo Maia, é ensaio para 2022. Ele acentua que a marca de sua gestão foi recuperar o protagonismo parlamentar e isso além de ressaltar o papel do Congresso no combate à pandemia. Resumindo, vê como um ensaio para a eleição presidencial a formação do bloco que reuniria 280 deputados e um esforço para reduzir a radicalização no país. Há um excesso de otimismo nisso tudo porque a chapa apoiada por Bolsonaro (a do deputado Arthur Lira) não pode, de forma alguma, ser subestimada. Por sinal que Lira se juntou aos que protestaram contra Bolsonaro no caso da tortura.
Noel contaminado
Na visita de Papai Noel a um asilo de idosos no interior da Bélgica houve 23 mortos contaminados pelo velhinho. Parece uma efabulação mórbida mas tem de tudo do momento que vivemos. Primeiros casos foram diagnosticados há 15 dias, pouco depois da passagem de um visitante fantasiado de Papai Noel no dia 4. Diante de uma tragédia dessas é que se percebe o grau de inconsciência dos que promovem festas em bares, residências e clubes sem a adoção de cautelas mínimas. Dai a relevância do alerta dos dirigentes da OMS de que o mundo não está preparado para pandemias futuras.
Folclore
Se tivéssemos aqui, como na Argentina, o debate sobre o aborto, aprovado na Câmara e sob revisão do Senado, estaríamos no caos diante da atmosfera tóxica.


