Cracódromo em alta
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quarta-feira, 18 de setembro de 2019
Luiz Geraldo Mazza 
Cracódromo em alta
Curitiba discute um dos aspectos mais agudos do Plano Diretor, que é o zoneamento, e um desafio de cara aparece: o que fazer, como intervenção urbanística nas áreas degradadas, e que foram anteriormente foco de destaque até internacional nas ações de Lerner? Esse paradoxo – o do surgimento de pré-cracódromos justamente naqueles pontos que abrigaram planos de preservação de casario histórico - é um desafio de primeira ordem nesse momento em que não apenas especialistas, mas todo o povo se empenha no redesenho da cidade.
Tentativas de recuperação como as processadas no antigo prédio da prefeitura e seu entorno, com destaque a rua Riachuelo, foram insuficientes justamente pelo tipo de ocupação comercial com lojas de móveis e equipamentos domésticos usados, uma característica marcante de sua história. Todo o setor histórico é hoje ocupado, como se dá no São Francisco, por esse tipo de transição para a decadência e sinais fortes de cracódromo nos bares e bistrõs com fregueses tomando uma na calçada.
Há um nível de convivência entre a polícia, tanto civil quanto militar, e as pessoas que usam tais espaços, mas fica visível a degradação e a extrema dificuldade de uma mediação que devolva o sentido original das intervenções feitas.
Valeu a pressão
Por 27 votos a 21 o "Escola sem partido" dançou em meio a um ambiente conflagrado, expressão comum da polarização nacional. Com o arquivamento da proposta no início da semana em nossa Assembleia Legislativa, houve o bloqueio de uma nova iniciativa com tal objetivo – impedir discussões sobre política, gênero e sexualidade em salas de aula- se contar com o apoio da maioria dos 54 parlamentares. O tema vinha sendo empurrado com a barriga e agora sai da pauta, apesar de o bolsonarismo tentar impô-lo em nível nacional como o seu núcleo duro imagina.
Se a pressão nesse caso ideológico funcionou é de esperar-se que se tente adotá-lo no caso do fim da licença prêmio. Há um setor que pretende a técnica de adiar o quanto possível esse exame, todavia a urgência é do governo, que procura adotá-la o quanto antes possível. Já se sabe que não será fácil neutralizar a polarização numa questão que para fundamentalistas é, antes de tudo, de princípio. É um teste profundo para verificar o suposto apoio majoritário que Ratinho Junior desfrutaria na casa por tratar-se de questão estratégica e vital para o seu governo.
Abusos
Uma comissão de vereadores londrinenses visitou cinco das 16 áreas que a prefeitura pretende vender para investir em obras de infraestrutura urbana e apontou em pelo menos quatro delas utilização por moradores vizinhos. Acredita-se pela expressão numérica dessa amostragem que o mesmo ocorra nas demais. Esse tipo de alinhamento dos legisladores é altamente produtivo e revela postura das mais válidas.
Desmatamento
Fomos surpreendidos, em dois anos pelo menos, com a informação chocante de que o Paraná aparecia em primeiro lugar no ranking de desmatamento da Mata Atlântica e isso se dava num momento em que uma ação do governo a pretexto de ligação com a Ponta do Poço em Pontal do Cruz atingiria mais espaços do bioma. O fato é que a defesa da Mata Atlântica é objetivo de ação coordenada dos ministérios públicos das 17 unidades federativas e que tem no seu comando Alexandre Gaio e está em sua terceira edição, cujo balanço será conhecido no dia 20.
No ano passado, quando quinze estados participaram, 517 propriedades foram submetidas à fiscalização e houve confirmação de desmatamento em 5.285 hectares de florestas e apreendidos 7.467 metros cúbicos de madeira, o equivalente a 870 caminhões carregados. No governo federal há quem veja como xiitas esse tipo de combate e de combatentes.
Paraná sumiu
De cada 10 brasileiros, nada menos de dois são flamenguistas, isso na mais recente pesquisa sobre o tema pelo Datafolha. O Mengo fica com 20% da torcida, o Corinthians com 14, São Paulo com 8, Palmeiras com 6, Vasco, Cruzeiro e Grêmio, 4, Internacional e Santos, 3, Atlético Mineiro 2, nenhum 22. A escala numérica não favorece times paranaenses, embora dois deles tenham sido campeões, Athletico e Coritiba. Há um limite geográfico para nossos times, cuja torcida não sai da região metropolitana, e os gaúchos, que por estarem em todo o país, em função de sua aventura migratória, desfrutam dessa vantagem.
Aparecem na pesquisa a seleção brasileira, com 2%, Botafogo, Bahia, Fluminense, Sport, Santa Cruz, Fortaleza, Vitória e Ceará, com 1%. A turma da praça vai chiar, mas mesmo o chio não sai da Grande Curitiba. No Paraná temos o exemplo das carreatas no oeste e sudoeste em dia de Grenal e a preferência dominante pelos times de São Paulo no norte do estado. No sudeste brasileiro, conforme a sondagem, alinham-se Corinthians, 18, Flamengo, 17, São Paulo, 11, e no sul Grêmio, 21, Internacional, 17, e Corinthians, 11.
Folclore
Um jogo do Coritiba com o Santos disputado em Cascavel havia 10 torcedores santistas por torcedor coxa. Se fosse um time gaúcho – tanto do Grêmio como do Inter ou mesmo Brasil de Pelotas, Caxias ou Juventude – dá para imaginar a avalanche.


