A reconvocação do ministro Marcelo Queiroga, sob a acusação de ter sido contraditório e de não dizer o que a CPI queria, é uma evidência de que a coisa não está saindo como a oposição pretendia, embora o inegável constrangimento que isso representou para o governo, que tinha tanta consciência de seus pecados que listou mais de vinte questionamentos para treinar antes de ir à fala. Bolsonaro não está nem aí com a CPI e com a própria pandemia, que enfrentou sem máscara um aglomerado de motoqueiros, com ele à frente.

O depoente de hoje é Antonio Barra Torres, da Anvisa, que se limitará às questões técnicas e não dirá o que pretendem os interlocutores, por exemplo, uma recomendação oficial pela cloroquina, objetivo dos inquisidores. Já amanhã ouvem o ex-chefe da Secom, Wajngarten, que ferrou o ex-ministro Pazuello em entrevista à "Veja". Como as testemunhas não dizem bem o que querem os perguntadores, o situacionismo, embora minoria, tentará levar tudo no banho-maria. E o mata-mata ao sabor de duas versões conflitantes. Para a semana que vem a figura que pode tirar a CPI da moleza o ex ministro Eduardo Pazuello, o ponto mais frágil do time bolsonarista e que tenta sair da pedrada por via judicial.

Covid

No Paraná, 2.095 casos, 33 óbitos, 2.339 internados, Londrina não registra mortes, mas o banco de leite materno da UEL clama por doadores. A pandemia gera essas carências, como se nota nos protocolos para reabilitação pós infecção. Paraná recebe remessa de 67.860 doses da Pfizer, o Butantan entrega mais 2 milhões de imunizantes da Coronovac ao governo federal, mas o cronograma das futuras remessas está comprometido. No Brasil, 425 mil mortes, 15,2 milhões de casos (934 entre sábado e domingo) e 31.591 infecções em 24 horas. Pasta da Saúde distribui 1,12 milhão de vacinas da Pfizer. Aglomerações na rua surpreenderam em Curitiba, o que se deu no domingo num momento de mais casos e mortes. Estamos no amarelo do mapa, sinal de estabilidade.

Sequelas

Entre as consequências sociais da pandemia, duas foram capa ontem desta FOLHA: trabalho em casa afeta a saúde mental e tivemos quase 1,1 mil ações trabalhistas decorrentes da conjuntura, inclusive das intervenções do governo na redução induzida de jornada e salários.

Aulas

Tudo pronto para as aulas presenciais com processo lento e gradual. App Sindicato se mantém em posição adversa. A disposição governamental é de encarar qualquer foco de resistência.

Reformas

Projetos originais de reforma tributária - eram dois essenciais - foram submetidos ao fatiamento e, apesar da sua relevância, perdem em significados para a CPI do Senado, posto que mais na perspectiva de oposição. Mas fica a impressão de que Michel Temer teve mais disposição para reformas, embora essas estejam destituídas do salvacionismo das anteriores como aquelas que geraram a intervenção militar.

Folclore

Fatiar lembra pizza e teme-se que tanto as reformas como a CPI terminem aos cuidados de um pizzaiolo.

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