Cortes nas universidades
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 07 de junho de 2019
Luiz Geraldo Mazza 
Cortes nas universidades
Está definido que haverá contingenciamento (filologia e semântica enriquecem submetidas à política) nas nossas universidades estaduais, o que significa claramente cortes. Isso já era esperado, embora Ratinho Junior não houvesse, lá atrás, o admitido de forma clara como se concluiu depois da análise do secretário da Fazenda sobre o comportamento fiscal no quadrimestre. Como essa já é uma luta endêmica e permeia os governos de José Richa para cá em que as universidades, (e no de Alvaro Dias tivemos ainda a benemerência da gratuidade das matrículas), sob alegação de uma autonomia inimaginável, fora de controles, se revelam impotentes para a prática da austeridade. Como notícia desagradável nunca vem só, o governo pegará ainda a parada do reajuste de 4,94% dos servidores, há quatro anos congelado.
Há apenas uma diferença entre o governo federal e o estadual, este se dispõe a negociações com os reitores na definição de prioridades, o que traduzido claramente significa que a gestão não acolhe a tal autonomia com que mantém o confronto e se não o fizer terá problemas cada vez mais sérios com a Lei de Responsabilidade Fiscal. A cada pleito do funcionalismo estadual por aumento o governo aparece com um compromisso paralelo: antes foi o do pagamento dos bilhões em promoções e progressões que servia em maioria aos grupos mais articulados como professores e policiais e agora a conversa mole para boi dormir de supostos dois bilhões em licença prêmio, aliás obrigação que o Executivo dribla o quanto pode. Deputado tem eleição ano que vem e se atrapalha até a hipótese de levar estados e municípios à reforma previdenciária a negativa ao reajuste virá como fator de confronto, ainda mais depois que levaram mais de 7 mil manifestantes às galerias para oposição à escola sem partido e também para defesa do reajuste. Poderemos ter dias tensos. Para raciocinar, talvez sejam mais adequados do que a manutenção falsa de lua de mel e que tudo dá para tirar de letra.
Dia d, a polêmica
Para o mundo ocidental, cristão e democrático, o dia "d" na luta contra o nazismo foi o embarque aliado na Normandia, ontem celebrado por líderes mundiais em Portsmouth, visão não aceita pelos russos, que a consideram militarmente secundária. Como se vê, se fatores históricos locais como o caso da revolução ou golpe de 1964 na terra brasílica apresentam visões diferenciadas, também os mundiais que provocam o racha, sobretudo ideológico, que como se vê não foi apenas territorial, pois ao olhar ocidental o 6 de junho de 1944 teria selado simultaneamente o fim da Alemanha nazista e evitou ainda que a Europa caísse nas mãos da União Soviética em 1945. O acordo que pôs fim à guerra, que teve ainda os enfrentamentos das tropas germânicas com o inverno russo, sempre foi alvo de crítica do mundo liberal, inconformado com os ganhos territoriais soviéticos, demanda que nem o fim do muro extinguiu.
Velha teimosia
A busca de espaços de autonomia é uma constante na vida parlamentar e sempre esteve bem caracterizada no tal orçamento impositivo, isso é garantia para que prevalecessem na Lei de Meios, algo como as emendas das bancadas estaduais. Obviamente essa não é a doutrina de Paulo Guedes, que reduz a liberdade do governo onde gastar recursos públicos. Mas de outro lado valoriza a ação das bancadas, que teriam para que isso funcionasse sem traumas buscar uma espécie de consenso parlamentar representativo da região. A votação obteve 364 votos favoráveis e apenas dois contrários. Como a luta do ministro da Economia é justamente pelo fim das travas através de ampla desvinculação e desobrigação de despesas orçamentárias, o . fato apenas evidencia a falta de articulação política do governo, exposta num tema que estava parado na Câmara Federal desde 2015 e decidido em votação relâmpago.
Lava Jato
Enfim, sinais de vida da Lava Jato, um deles referente ao enquadramento criminal de Beto Richa, seu irmão Pepe, Abi Antoun, Ezequias Moreira, por corrupção de R$ 7,5 milhões em licitação da PR-323, que liga Maringá a Francisco Alves, noroeste do Paraná. Como já havia essa sinalização em dias anteriores com o enquadramento do ex-senador Romero Jucá há, por todos os motivos, expectativas de novos lances dada a abrangência e capilaridade desses processos.
Momento difícil
Consequência de problemas que remontam até a época do outro Belinati, o prefeito Marcelo Belinati encara um momento difícil como o caso da Sercomtel e agora no da decisão judicial em favor da TCGL (Transporte Coletivo Grande Londrina), que opera 80% do sistema, em indenização milionária. Todos os esforços são despendidos para mitigar os efeitos da caducidade da empresa de telefonia em atos preparatórios à privatização em trâmite na Câmara Municipal.
Folclore
Benedito Valadares, o velho e hábil governador mineiro dos tempos getulistas, aparece com um tersol e ao referir-se à anomalia a ela referiu-se como tersol nos olhos, o que levou alguém a observar que aquilo era um pleonasmo, redundância. Valadares teria corrigido não se tratar de redundância, mas de tersol nos olhos.


