Contrarrevolução em marcha
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 18 de agosto de 2020
Luiz Geraldo Mazza 
Na história brasileira, pelo comprometimento de suas elites, a normalidade sempre foi centrada em dois pilares: a corrupção e a impunidade. A Lava Jato foi uma revolução de costumes, a maior de todas, e o que está em andamento é uma contrarrevolução que hoje interessa ao governo que tanto dela se beneficiou na eleição, movida por parte do Ministério Público, do Judiciário e sobretudo pela maioria da classe política. A evidência dos seus feitos está aí no caso do doleiro Dario Messer, que quase escapou na falta de abrangência das ações de Sergio Moro, que se valeu de um mini doleiro, Youssef, em processos da CC-5 Banestado e lances da Lava Jato. O afastamento de Deltan Dallagnol é a batalha do momento, que divide a Procuradoria da República, e visa constranger Sergio Moro por ter denunciado Bolsonaro por intervenções na Polícia Federal, e com isso se transformou no inimigo maior. Disposto a encarar tudo o que a Lava Jato representa, como já vem demonstrando, Augusto Aras assume o papel de mosqueteiro-mor do governo.
Amarelou
Curitiba e Londrina amarelaram e tornam flexíveis as formas de enfrentamento da Covid-19. A liberação de praças e parques e áreas comuns de condomínio se deu ontem em Londrina, e a capital volta hoje ao amarelo e teve no fim da semana o registro de 13 mortes e 415 casos, e no Paraná 26 mortes e 1.315 infectados. Em Londrina, no domingo, dois óbitos e 37 casos. O acompanhamento desses dados é que levou o prefeito Marcelo Belinati à flexibilização.
Delação
O Ministério Público sempre achou inconsistente a delação de Antonio Palocci e não a acolheu. Já a Polícia Federal lutou pelo direito de receber delações, o que lhe foi assegurado pelo STF. Agora a própria Polícia Federal concluiu que um suposto caixa milionário de Lula administrado pelo banqueiro André Esteves não é corroborado por provas.
Fábula de Jacarezinho
Nos bens expropriados do doleiro Dario Messer há obras de arte, dentre elas a de Sigaud, um vanguardista. Sigaud esquerdista era irmão do cardeal Sigaud, arcebispo de Jacarezinho, liderança da Tradição, Família e Liberdade, da extrema direita, e ao pintor foi atribuída a tarefa de pintar a via crucis da igreja da cidade. No curso da obra acabou entrando em dividida com o irmão pastoral e interrompeu o belíssimo painel que ainda hoje ornamenta as paredes da igreja. Eugênio Sigaud liderou com seu colega de Campos, Castro Mayer, ação contra a reforma agrária no livro que a tratava como uma questão de consciência e que era badalado nas ruas pelos jovens guerreiros da TFP em sua postura guerreira com estandartes medievais.
Neve
Previsão para a semana no sul do país é de neve e chuva congelada e que poderia alcançar as serras gaúcha, catarinense e paranaense (aqui mais provável em Palmas e General Carneiro).
Folclore
Racha no governo: Guedes quer R$ 400 bi de lucro do Banco Central e Roberto Campos Neto, como o talentoso avô, resiste.


