Um incidente no pagamento do funcionalismo estadual, completamente incomum, chamou a atenção: no dia 30 saiu como sempre a folha do pessoal da ativa, já aposentados e pensionistas só viram a grana no dia seguinte. Não deu sequer para haver reação ou explicações para o nada comum incidente. Alguns dias do ocorrido, o governador Ratinho Junior anunciou um novo congelamento para o funcionalismo, tanto os da ativa como aposentados, sobre as parcelas do reajuste mínimo e de longo prazo. A situação era gravíssima pois apenas no primeiro semestre se constatara uma perda próxima de R$ 1,5 bilhão no ICMS, acreditando-se que até o final do exercício chegaria a R$ 3 bilhões, o que se dava a despeito do desempenho recorde nas exportações e na movimentação via férrea do oeste ao porto de Paranaguá, que evidenciavam que o Paraná não parara.

Há compensações a perceber, entre elas as prometidas pela União e aquelas decorrentes da Lei Kandir. Quanto às sanções da Lei de Responsabilidade Fiscal, já que seus referenciais de limite prudencial foram alcançados, toda a cautela é imperiosa. E entre receber salários parcelados ou integrais sem o reajuste quase imperceptível, a escolha é óbvia.

Mau sinal

Há várias instituições que vão do Ministério Público ao Tribunal de Contas empenhadas na questão da anomalia de gastos com a pandemia em nível municipal. Dos 230 processos na corte de contas estadual, há 120 com irregularidades flagrantes, como já se tornaram comuns as cenas da Polícia Federal nas secretarias de saúde estaduais. É verdade que falta coordenação adequada e daí as regras de mercado em relação a insumos e equipamentos como ventiladores acabam se impondo como também as chances de negociatas, parasitismo que infesta o ecoambiente administrativo. Alegação mais frequente a de que o texto criava despesa obrigatória sem evidenciar o impacto orçamentário e financeiro, o que adensaria o traço de inconstitucionalidade.

Desempenho

Na primeira fase do embate contra o coronavírus houve um momento em que era razoável o grau de coordenação entre as secretarias de saúde estaduais e municipais quando o ministro era Mandetta. Na atual fase da pandemia nossa referência deixou de ser favorável, tanto que Curitiba está entre as seis capitais com mais de 90% das UTIs ocupadas ao lado de Natal, Rio Branco, Cuiabá, Belo Horizonte e Florianópolis. Justifica-se portanto o tom de ansiedade que precedeu o decreto radical de bloqueio ao comércio e serviços numa forma aproximada de lockdown. No início da semana a capital tinha apenas 18 vagas em leitos para adultos e uma UTI no setor infantil. O prefeito Rafael Greca anunciou abertura de novos leitos, e o decreto do governador foi baixado como resposta e mal assimilado por várias prefeituras, dentre elas Londrina, que alega que seus dados conflitam com os estaduais, como a auditagem provará.

No país chegamos a 1.716.196 casos e 65.055 óbitos, dos quais 1.187 nas últimas 24 horas.

Folclore

O poeta e jornalista Barros Cassal produziu um poema altamente crítico ao governador Lupion, denominado "Barão de Arapoti" e que quando estava de mal com o governo costumava declamar, o que não o impedia de defender o chefe de Estado, que era o dono do jornal "O Dia" em que ele escrevia a coluna mais forte, "A ferro e fogo".

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