Na pandemia acentuam-se os dados culturais, antropológicos, de nossa sociedade, como se vê na frequência do consumismo e da corrupção. A escolha da vacina é decorrência do consumo, vista como mercadoria coisificada, o que exigiu de prefeituras paulistas mecanismos para dificultá-la e impedi-la pelos seus efeitos deletérios. Já a corrupção de variados estilos também constituiu o cenário, o que mostra sua adaptação ao contexto e a permanente inevitabilidade dessa intervenção, da mesma forma como se acentuam os níveis de desigualdade.

Melhora

Finalmente a indústria voltou a crescer 1,4% depois de três quedas sucessivas em maio. Mais um sinal alentador para a economia em sinais de recomposição. Há enormes mudanças no mercado em função da crise. O IBGE detectou uma delas, bastante expressiva: em um ano, 661 mil trabalhadores migraram para o conta própria, o que caracterizou um deslocamento para o empreendedorismo por necessidade. Mais transpiração do que inspiração esse reforço no campo da autonomia do trabalho. Tendência a ser mantida. Outra questão: o Paraná gerou mais de cem mil empregos neste ano.

O desligamento pela morte de trabalhadores cresceu 164%, sendo que apenas 1/3 delas pela Covid-19.

Vacinação

Melhorou muito o ritmo das vacinações no país com a ultrapassagem de 100 milhões de doses, mas o fato é que a massa atendida corresponde a cerca de 16% dos maiores de 18 anos. Há registros relevantes como o fato de ter havido aceleração em junho, com o número de vacinados ao menos com a primeira dose mais que dobrou em relação a maio. Depois de 129 dias a ocupação de leitos de UTI ficou abaixo de 90%. No país tivemos 1.945 mortes entre quarta e quinta e mais 63.035 infecções em 24 horas. Balanço geral: 521 mil óbitos e 18,7 milhões de casos.

Amostragem

A experiência da massificação vacinal em Serrana, SP, faz com que mortes e casos despenquem, experiência comandada pelo Butantan. Em 17 de fevereiro, início da operação, Serrana tinha 57 mortos e 2.499 casos. No final de junho registrou 99 óbitos e 4.261 casos. Internações na última semana de abril caíram 86%, casos sintomáticos 81% e as mortes 95%.

Prensa

Já está em andamento a representação da Procuradoria da República contra o ex-ministro Pazuello por omissão na compra de vacinas e também um procedimento contra Bolsonaro sobre a Covaxin. A ex-coordenadora do programa de imunização da pasta da Saúde, Francieli Fontana, afirma que as falas contraditórias do presidente Bolsonaro prejudicam severamente a vacinação.

Folclore

As prefeituras do ABC paulista acharam uma forma exemplar de punir os que exigem a marca do imunizante: quem não quiser a vacina do posto terá que aguardar o final da vacinação da população adulta para ter acesso novamente à proteção. É o empaca na fila num tempo em que é comum tanto "fura fila". Fura fila sommelier seria um caso de terrorismo.

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