Conspiratória em ação
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quarta-feira, 12 de junho de 2019
Luiz Geraldo Mazza 
Conspiratória em ação
Uma teoria comum à esquerda e à direita no momento é essencialmente conspiração que ganha lastro a cada momento e chegou ao ápice com o papo entre juiz e promotor, que convenhamos não é novidade em nossos hábitos e até quando rola na chacrinha a voz mais tímida do delegado de polícia. Os litigantes se acreditam ungidos, santos, sem pecados, e a oposição, vitalizada, pede o afastamento do ministro da Justiça e ameaça, com uma força que está longe de desfrutar, travar pautas no Congresso. Maiores entusiastas do PT já imaginam Lula na rua a dar rumos ao Brasil e o vilão dos seus sonhos, Sergio Moro, posto em camisa de onze varas.
Com o país cindido em ambiente tóxico, tenta-se estender a todos os alvos da Lava Jato o manto branco da defesa da classe política, indispensável ao exercício da democracia, afinal injuriada pelas investigações. Assanham-se até os que se auto condenaram ao silêncio obsequioso por suas tramas com as estatais em campanhas políticas. Já começam a por a cara na fotografia. O maniqueísmo leva a isso e embora, como das vezes anteriores, a tranquilidade não dure mais do que algumas horas, o momento é de festa e não de salvação.
O importante é que o abalo não cortou, ao menos até aqui, a mecânica institucional e estavam lá no Congresso para votar inclusive um acordo sobre o crédito da regra de ouro, aquele dos R$ 248,9 bilhões, realidade bem mais assustadora do que papo indiscreto da justiça.
Fricções judiciais
Não apenas o Tribunal de Justiça mas também a instância superior, STF e STJ, tem feito correções nas operações do Gaeco, inclusive da ZR3, agora com a recondução do vereador Mario Takahashi ao legislativo londrinense. Processos ligados às operações "Publicano" em especial têm evidenciado intervenções de impacto nas decisões de primeiro grau, o que tem abalado a concentração do Ministério Público em sua rotina. Na ZR3 houve um choque de traço institucional com a Câmara Municipal resistindo à pressão do MP para cassar vareadores.
Tudo é normal
Todos os ciclos de luta sistemática à corrupção sempre encontraram resistência forte na classe política, afinal a mais premiada pela patologia. Não dá para comparar feitos tão sistemáticos e comprobatórios como os do mensalão e do petrolão com o discurso turbulento da UDN, União Democrática Nacional, montado contra o varguismo e a frente popular com o PSD entre os anos quarenta e sessenta. Como carecia de provas, facilitavam a postura dos que estavam no poder, mas de um modo geral a resistência ao que era tido como paroxismo moralista gerou uma doutrina forte, até porque dominante, contra esse tipo de cruzada, inclusive por um certo traço nihilista.
O que não tem sentido é ver o ocorrido no Brasil como se fosse continuidade de uma retórica que era prejudicada até porque não ganhava eleição, como se deu com o brigadeiro Eduardo Gomes, Juarez Távora e tantos outros. O saldo brasileiro é bom: dois ex-presidentes impedidos, dois ex, um preso e outro sob investigações e vários governadores guardados e aí incluído o Eduardo Cunha, o poderoso ex-presidente da Câmara Federal. E depois desse saldo há algo a espantar na tentativa de desmoralizar Sergio Moro e a força tarefa? Interesses aí são difusos, mas convergentes para desmoralizar o consumado.
Copa do Brasil
O Athletico tem chance na atual Copa do Brasil de alinhar-se ao seu mais tradicional adversário, o Coxa, que chegou duas vezes à final (Palmeiras e Vasco), contra uma do concorrente, essa ante o Flamengo. Além disso, o Coritiba chegou mais vezes às semifinais. Para desencanto do Coxa, isso se dá num momento em que o Furacão disputa competições sul-americanas como a que terá novamente com o Boca Juniors e depois da derrota para o River Plate.
Drogas
Embora haja um setor que aposte na descriminação de drogas mais leves como um meio de recuperação, o que se faz nos grandes centros é a mesma política com ênfase em internações e abstinência. Há por vezes discussões se é aceitável a imposição do internamento e não o limitando ao voluntário. Em São Paulo, nos últimos dois anos, 56% dos internados desistiram da terapia em hospitais psiquiátricos ou comunidades terapêuticas religiosas. Dos cerca de 10 mil dependentes químicos, custeados pelo sistema assistencial da prefeitura, 5.600 desistiram.
Os números em Curitiba são bem menos expressivos, mas que levam o setor a crises seguidas de saturação. Há muita discussão doutrinária e por exemplo em vários países se discute como garantir a dignidade dos dependentes químicos sem exigir deles que abandonem radicalmente o uso das substâncias.
Folclore
Houve um tempo, entre os anos 30 e 40, século passado, que as disputas intelectuais em torno de história, política e linha literária aqui na terra eram acertadas no braço. Uma delas levou o polemista Raul Gomes a uma crítica ácida contra o editor da Gazeta do Povo, Acir Guimarães, que respondeu mexendo com um defeito físico, o da boca levemente torta, do autor e botou em destaque em primeira página: "até você, Raul, virou a boca pro meu lado?"


