Confronto estimulado

O Paraná quebrou. E isso ocorreu no governo anterior, e ao atual não cabe alternativa como a do arrocho salarial aos servidores com a incrível proposta de 5% ao longo de quatro anos em suaves prestações, modelo Casas Bahia, e o fim da licença-prêmio para novos contratos. Tudo aquilo que prometia fazer com os demais poderes bateu na trave: deputados derrubaram os cortes nas dotações orçamentárias. Se contra os grandes sofreu esmagadora derrota vai com tudo em cima dos funcionários que à falta de alternativa mantêm sua greve capenga, disposta porém a crescer.

É o confronto estimulado, surpreendendo o fato de não haver da parte do Fórum respostas econométricas às alegações oficiais quanto às disponibilidades do Tesouro.

Ideologia & sobrevivência

Não há em termos ideológicos nada mais forte que a sobrevivência expressa na briga por aumento salarial. Isso na aparência, pois na realidade captou-se maior mobilização, com mais de sete mil pessoas, no adiamento da discussão da Escola sem Partido, nas galerias do poder legislativo, do que na causa maior. Se o constrangimento físico – esse de não ter reajuste ao longo de três anos - não alavanca a massa pelo jeito nada o fará. Ratinho aposta nisso e vê pequena margem de risco.

A inércia só será rompida pela força de qualquer das partes e o governo aposta na retranca à espera de insanidades semelhantes à sua da massa de servidores. O calendário escolar, também nas universidades, está comprometido, e a polícia, rebelada com o aumento, pode retomar a operação padrão que tecnicamente não é greve e se insere nos direitos da livre manifestação. Mantida a pressão haveria consequências nas eleições municipais.

Semelhanças

Um líder da esquerda, como Ciro Gomes, ao se referir ao vereador Fernando Holiday como "capitãozinho do mato" e "nazista" mostra que o linguajar sem freios da direita de Olavo de Carvalho é didática também dos seus ex-adversos. O palavrão, como doutrinava Nelson Rodrigues, pregador da direita e dos mais sistemáticos, era um ato de libertação.

Vazamentos

Vazamentos foram o forte da Lava Jato e agora se dão na sua contestação com mensagens do site The Intercept Brasil. Discutiu-se no fim da semana passada que Léo Pinheiro, ex-presidente da OAS, delator de Lula, no caso do tríplex do Guarujá, era alvo de desconfiança pela força-tarefa e em carta enviada da prisão declarou jamais ter sofrido qualquer coação. O processo para validar, ratificando, sua delação está parado há cinco meses na Procuradoria da República. Como se percebe, embora a clandestinidade de origem (alguns já querem ferrar o jornalista), os vazamentos, tanto aqueles da Lava Jato, como os de agora da Vaza Jato, são contestáveis.

Corporativismo

Não há maior evidência para o exercício do corporativismo do que o trâmite da reforma da Previdência. Que aliás se evidenciou, lá na origem, com a brandura das medidas em favor de militares. Quando de um dos relatos da Comissão respectiva, o ministro da Economia, Paulo Guedes, acusou o exercício do lobby descarado em favor de algumas categorias e agora o próprio presidente da República negociou branduras em favor de policiais federais, rodoviários e legislativos que geraram atritos porque os demandantes queriam mais do que o obtido. Dá para imaginar o poder de sedução argumentativa de magistrados, promotores e, sobretudo, servidores federais

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Digitalismo

Quando dos vestibas em Curitiba, a divulgação dos seus resultados era uma festa no centro da capital promovida pela "Gazeta do Povo", feito de sua plataforma gráfica. Hoje isso se apura,. também festivamente, por via digital e o governo federal planeja Enem inteiramente por essa via até 2026. Aplica um projeto piloto do Enem em computadores ainda em 2020. Neste ano, em 3 e 10 de novembro inteiramente em papel, em 2020, em 11 e 18 de outubro, teste da prova digital em 15 capitais e em 1º e 8 de novembro prova em papel, em 2021 duas edições de prova digital e uma em papel, de 2022 a 2025 quatro edições digitais e uma em papel a cada ano e em 2026 prova somente digital em diversas edições ao longo do ano.

CPI das "fake"

Uma Comissão Parlamentar de Inquérito mista (15 deputados, 15 senadores) do Congresso vai investigar o emprego sistemático das "fake news" nas eleições para apurar suspeitas como o uso de perfis falsos e ataques a políticos. Será que anda? É que haverá muita gente querendo brecar, tal qual se deu nos Estados Unidos da América do Norte.

Folclore

Ratinho tentou divisão mais equânime do queijo com os demais poderes, tirando-lhes um mínimo de participação nos orçamentos atuais e não deu certo por decisão dos deputados e para a massa de barnabés acena com aumento de 5,09% em quatro anos. Prometeu fazer mais com menos, mais ou menos o que estão fazendo os servidores em greve.

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