Distorção máxima é o esforço parlamentar em causa própria na reinterpretação da imunidade na surpreendente mobilização de sexta-feira (26). A avaliação se aprofunda nos números trágicos da pandemia e que obrigou (todos os do sul) a adotar normas rígidas, lockdown geral e irrestrito. A realidade ganha traço de ficção e parece inútil, neste momento mórbido, fazer avaliações de traço moral. Nem tão próximos do contágio e da morte nos damos bem como ser coletivo. A esperança é uma só, a vacina, sabidamente escassa.

Radical

O governo estadual editou as normas para a contenção do contágio (ocupação das UTIs 94%, fechamento das atividades não essenciais, toque de recolher até o dia 9), um esforço para deter a escalada. Não pode haver afrouxamento como no carnaval, provável causa do aumento de contaminação no qual as variantes dariam mais 35% a 50% na transmissão. Rigor na fiscalização para impedir absurdos como o do templo evangélico interditado e multado por agregar 2 mil pessoas.

Prioridades

Espanta o fato de apesar da quarentena ter ocorrido crescimento em 23% nos confrontos com a polícia. Levantamento do Gaeco mostra que 380 pessoas morreram no ano passado, 73 a mais do que o total de 2019. É preciso levar em conta que a violência é componente cultural de nossa época, mas cabe às entidades de direitos humanos as cobranças para evitar manutenção de abusos.

Pedágio

Audiências públicas têm mostrado rigorosa resistência ao modelo ministerial dos contratos novos de pedágio. Degrau tarifário, limite de desconto e hostilidade à outorga (quem entrou nessa agora foi a OAB Paraná) são elementos comuns nas críticas e há esperança de que se obtenha consenso em audiências seguintes e na decisão da Agência Nacional de Transportes Terrestres e no documento final do Ministério da Infraestrutura. Apanhamos demais até agora e desejamos uma nova conjuntura que não seja um gargalo na economia.

Um dos pontos negativos na situação anterior (plano de integração) foi a redução tarifária em cima do pleito em 50% e que beneficiou Lerner, mas foi acertada judicialmente e gerou degraus intermináveis. Houve notória complacência com abusos como muitos deles detectados na Lava Jato e em acordos de leniência, causa maior da resistência a que empresas atuais participem do processo futuro.

Palavra final?

O recado do presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, é curto e grosso e dirigido a Jair Bolsonaro: "preço de combustível não é caro, nem barato, é preço de mercado". Dilma refutou o conceito e afundou a Petrobras em delírio populista, como se já não bastasse a roubalheira no interior da estatal.

Folclore

Briga entre Exército e Polícia Federal em torno de apreensão de madeira é traço da época e pelo jeito será mediado pela turma do deixa disso.

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