Cabo de guerra


De um lado o público, atormentado com o vírus, se opõe à abertura do comércio (52%, segundo o Datafolha) e de outro o empresariado, em 60%, quer a retomada. Governos se sentem pressionados pelos dois lados. Aqui o Ministério Público quer o lockdown na Grande Curitiba, no litoral, Campos Gerais e Oeste, e o pedido está na justiça e essa já intimou o governo, que tem outra visão e deseja o radicalismo em caráter pontual. No Paraná o registro subiu 397%, e em Curitiba, 334%, há cinco UTIs e uma enfermaria lotadas. Essa situação se repete em escala nacional e até aqui toda flexibilização implicou em aumento de casos e óbitos. De um lado a doença e as mortes, de outro a recessão que no Paraná implicou em perda de 47,6 mil vagas e no Brasil em 1,4 milhão de empregos formais. 


Essa, portanto, não é uma decisão rotineira e daí o drama dos que se obrigam a tomá-la. 


Mais conflito 

Frequentes também os conflitos entre a classe política e a equipe econômica, que agora quer botar trava na pretensão do centrão pela prorrogação de repasse aos municípios, parte do acordo para adiar as eleições. O poder de pressão é maior dos políticos e o presidente, que agora está numa fase "paz e amor", também padece muito com a prensa dos aliados, que se valem da pandemia para os seus pleitos. Lembrar, como fazem os técnicos que servem Paulo Guedes, que em maio as contas públicas tiveram o maior rombo desde 1997, com o recorde de R$ 127 bilhões, é insuficiente para sensibilizar. O centrão, chave em matérias mais agudas como a das reformas, mantém o controle de significativa parte das prefeituras, e luta pela prorrogação dos repasses, o que aumenta a chance dos que disputam a reeleição.    




Eufemismos 

Há a clássica frase do político ( Taleirand) que disse que a palavra foi dada ao homem para confundir seu pensamento. Uma edição de decretos e Medidas Provisórias da Presidência da República foi vista pela imprensa oposicionista como desmonte do Estado quando se tratava tão somente, segundo o governo, de enxugamento da máquina pública. 


Motocas em greve 

Está marcada para hoje a greve dos entregadores de aplicativos, que se queixam dos escassos recursos dessa atividade. Imposta pelas circunstâncias do distanciamento social aparentou uma saída para entrega de alimentos, mas o rendimento é mínimo e os motoqueiros querem um mínimo de proteção trabalhista. A aposta na emergência dá nisso, implacavelmente. 


 Resistência  

Entidades como a Confederação Nacional de Municípios defendem que não haja eleições neste ano e sugerem a prorrogação de mandatos, mesmo levando em conta que a alteração da data tenha sido obra de médicos infectologistas, cientistas, juízes e juristas. As datas de 15 e 29 de novembro, aprovada em PEC no Senado, pode encontrar reação na Câmara Federal, apesar do trabalho de coordenação do seu presidente, deputado Rodrigo Maia. 




Folclore 

O advogado Wassef disse ter protegido e homisiado Fabrício Queiroz para evitar que o matassem e atribuíssem o fato ao presidente e familiares numa queima de arquivo. Mas a sua manutenção também sustenta problemas. Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come. 

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