Cabo de guerra

Em política voltamos ao cabo de guerra com as manifestações de apoio às reformas e contra o centrão. Discute-se quem botou mais gente na rua - se os que combateram os cortes em nossas universidades, ou a cobertura bolsonarista -, mas percebe-se a obviedade do radicalismo que cinde o Brasil, e numa escalada, e isso sem guerra fria, como a de 1964, momento em que a arregimentação das ruas se tornou sufocante.

Como as resistências no Congresso nada têm de pequenas, o alvo dos protestos se fixou no presidente da Câmara Federal, Rodrigo Maia, e a bancada do centrão, símbolo do fisiologismo tupiniquim, que formam maioria, pelo menos até aqui, para pautar o estilo de reforma viável, bloqueio de difícil negociação, ainda mais com a deplorável falta de articulação do governo. A sensação é de que dificilmente se superará o clima de imobilismo.

Pautas legítimas timbraram o protesto, felizmente com a queda acentuada de minorias que pediam o fechamento do Congresso ou do STF, o que não deixou de constituir-se em ganho civilizatório. Não há, porém, sinal de que a ruptura desse quadro se dê num bom sentido e consigamos restabelecer o diálogo, face à toxina que molda o ambiente.

Exaltação

Paulo Guedes e Sergio Moro foram os exaltados das passeatas como autores dos pacotes da reforma e do anticrime, e o paranaense derrotado parcialmente com a ida do Coaf para a pasta da economia, todavia a força preponderante foi a do presidente da República no esforço de encarar a pauta de resistência no Congresso. Esse confronto não é resolvido no palmômetro em auditório de televisão ou em hipotéticas avaliações estatísticas de quem botou mais gente na rua. Pelo jeito teremos novos confrontos e condimentados com radicalismo até que o processo de entropia se firme e revele a inocuidade das barricadas se a questão não se resolve no campo adequado, o plenário da Câmara e do Senado. Por sinal que haverá tentativa de alterar a decisão que tirou o Coaf do Ministério da Justiça, porém há tantas dificuldades que as consequências da Medida Provisória que reestrutura o ministério corre o risco sério de ser invalidada.

Festerê

129.600 postos de trabalho foram criados em abril no país, de cujo total 10.653 ocorreram no Paraná, que apareceu com o terceiro melhor desempenho entre unidades federativas, o que é uma rotina decorrente da vitalidade de nossa economia e não de eventuais feitos do governo como um certo marketing insistia em fazê-lo. Na verdade, o governo responde pelos pontos de crise e estrangulamento como os relativos à infraestrutura de rodovias, ferrovias, portos e aeroportos. Por exemplo, a situação fiscal do Paraná é razoável, disparadamente superior a de Minas Gerais, engolfada numa crise pública, mas que como conjunto de economia nos supera, tanto que na geração de empregos ficou em segundo lugar, com 22.345, logo depois de São Paulo, com 50.168. Nem sempre a higidez fiscal, que responde pelo setor público, se impõe, tanto que continuamos atrás do Rio Grande do Sul em renda interna, embora aquela unidade federativa se veja impelida a parcelar salários dos seus funcionários.

Em termos anuais o Paraná aparece em quarto, com 37.876 vagas, depois de Santa Catarina (49.206), Minas (56.129) e Sampa (125.602).

VAR desmistifica

Na maior parte das penalidades máximas defendidas pelos goleiros há irregularidades pelo fato de se mexerem, se adiantarem, não observarem o rigor da regra. Com o VAR, como se viu no jogo Bahia x Fluminense, o goleiro tricolor teve a sua defesa anulada e acumulada ainda com a expulsão. A precisão do desdobramento cênico é tão rigorosa que pelo jeito a moleza de aceitar a defesa como consumada vai ser revista. Menos heroísmo é bom para o jogo?

E o "menos fila"?

A despeito das medidas adotadas com o prolongamento dos horários nas unidades de saúde o problema persiste e em escala nacional. No encontro do fim de semana entre governadores do sul e sudeste, além da questão do saneamento e de apoio à MP privatizante, também se abordou o veto do Ministério de Saúde a profissionais do Mais Médicos em capitais e cidades de grande porte, tema que preocupa notadamente secretários municipais da área. Gestores reivindicam a regularização de 2 mil médicos cubanos que tenham ficado no país.

Quanto à MP do Saneamento, dos sete governadores cinco deles são favoráveis à maior inserção de recursos privados na área.

PT e seu pacote

Até aqui imerso na tese do "Lula livre", o PT, maior partido de oposição, está anunciando um pacote de projetos para combater o desemprego, apostar no consumo e aumentar níveis de arrecadação. Várias propostas com esse objetivo já foram protocoladas por deputados e senadores do partido. Num instante de tanto engajamento era preciso mostrar a cara.

Folclore

Na fase mais histórica do Partido dos Trabalhadores seu representante era o Pedro Tonelli, PT até no nome, criador de abelhas do oeste. Aníbal Curi, com quem tinha seguidas trombadas, costumava dizer que o apicultor valia por uma bancada.

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