Beto e Lula, iguais?

Beto Richa e Lula nada têm de parecidos, mas os argumentos defensivos que empregam são os mesmos: nada fizeram de anormal e declararam tudo à justiça eleitoral. Embora os feitos das reeleições em Curitiba e no Paraná no primeiro turno, o paranaense obviamente não tem a aura mítica do ex-presidente, principalmente depois da acachapante derrota no Senado.

Se o grupo de Bolsonaro, a claque de fanáticos, não é lá essas coisas, menor ainda é o de Richa, limitado àqueles que favoreceu, muitos deles envolvidos em processos comuns como esse do bloqueio de R$ 19,9 milhões na Operação Integração, que se junta a outros dois das operações Piloto e Quadro Negro. Como ironizava Drummond de Andrade, "enquanto o poeta estadual discute com o municipal, o poeta federal tira ouro do nariz". Lula é um poeta federal e, mais do que isso, uma expressão internacional sempre referido nas esquerdas, e o ex-governador, depois da última derrota, está fora de combate.

Os dois no entanto são favorecidos pelas revelações do Intercept Brasil, essa mágica de circo que tenta, com apoio na mídia, sugerir que a Vaza Jato tem mais valor do que a Lava Jato como revelação da verdade e efeitos penais. Não dá para imaginar, porém, que houvesse um acampamento em favor de Richa como esse, que já não tem tanta energia, dedicado a Lula. O vitimalismo beneficia os dois até nas decisões judiciais, ainda mais agora que está na pauta a delação do ex-ministro Antonio Palocci já revista em parte no STF.

Olho na bufunfa

Infelizmente, pelo menos até agora, a tese do deputado Gustavo Fruet relativa ao mar territorial e à participação do Paraná no racha dos royalties do petróleo não pegou, razão pela qual há perspectiva de que possamos ser beneficiados com a emenda que permite à União compartilhar com estados e municípios recursos arrecadados em leilões do pré-sal por meio de cessão onerosa e distribuição acompanhando critérios dos fundos de participação. Há até uma previsão de que o Paraná receberia, numa das simulações feitas, R$ 988 milhões, cabendo R$ 250 milhões ao Estado e R$ 739 milhões aos municípios. Sonhar tem efeitos positivos, mas é preciso se estruturar para ir atrás das coisas.

Calar valorizado

Há quem entenda que Sergio Moro deveria pedir o boné e se mandar, tantas as humilhações que sofre no governo, mas o Datafolha mostrou que ele é o mais bem avaliado da gestão Bolsonaro com aprovação de 54% de ótima-boa, portanto com 25 pontos a mais que o "chefe". Isso se dá no momento de máxima exposição ao desgaste e o silêncio do ministro tem a força de um alarido. Pressionado a mexer na hierarquia da Polícia Federal, e com isso submetido a humilhações, optou pela postura de calar, enquanto a logomaquia presidencial opera a todo vapor ao chamá-lo de "ingênuo" e Paulo Guedes de "chucro" e provocar mais uma crise diplomática ao exaltar a ditadura de Pinochet e agredir o pai de Michelle Bachelet, alta comissária dos direitos humanos da ONU, que foi torturado e morto pelo regime.

Profilaxia zero

Com mais um caso em Pernambuco, mortes por sarampo sobem para quatro no Brasil, e no Paraná já temos 104 mortes por gripe. Prova evidente de que os serviços básicos falham e no caso da influenza atingindo faixas etárias acima dos 60 anos e o acúmulo de outras doenças. Há no Paraná 527 casos diagnosticados. No ranking da mortalidade Foz do Iguaçu, com 19 óbitos, está em primeiro, e Curitiba, com 17, em segundo.

Reforma flui

No Senado a tramitação da reforma previdenciária se dá normalmente e a sua aprovação (18 votos a 7) pela Comissão de Constituição e Justiça é indicador de que o mesmo se dará no plenário. A perspectiva é de que gere economia de R$ 962 bilhões em uma década. No embalo teremos o debate de três versões de reforma fiscal que podem ser transformadas numa só. Há esperança de que haja medida intermediária para reativar a economia e gerar empregos, o que tiraria o governo da inércia, já que revelação recente do IBGE mostrou claramente o quanto pesa na economia o investimento ao lado de uma expansão nos serviços e na industria em que se destaca a da construção civil com algo que vai além de um aceno.

Assincronia

Admite-se um embate entre Bolsonaro e seu estafe contra o setor da economia aos cuidados de Paulo Guedes em relação ao teto dos gastos. Já reduziu a comida nos quartéis e novamente se referiu a eles ao dizer que vai ter que cortar a luz se nada for feito. Paulo Guedes opta por reformar despesas obrigatórias. Pelo menos isso tem a ver com a realidade e testa seriamente a sabedoria do Posto Ipiranga.

Folclore

Na aula de anatomia o boêmio Paula Nei tem que responder a pergunta do docente em torno dos ossos existentes na cabeça. Na resposta, um gesto alisando os cabelos e a frase pra lá de verdadeira: "tenho tudo aqui, mas não me lembro".

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