Ascensão e queda

Enquanto devassou as vísceras da política brasileira a Lava Jato se credenciou na condição de maior feito institucional na história contra a impunidade e a corrupção, essas irmãs xifópagas do maior dos males. Pelo rumo adotado e em apoio aberto da opinião pública se valia de um momento imperial e algumas deformações eram absorvidas - prisões agudamente prolongadas e delações vistas em si como matéria probatória - como acidentes de percurso e tolerados pelo custo-benefício da empreitada civilizatória.

Com as publicações da Intercept Brasil tenta-se criar uma linha de condenação e até de anulação dos atos praticados como se tudo estivesse comprometido, ainda que se saiba ser impossível deletar o ocorrido não apenas em relação a Lula como também a representantes de outros espectros da política, todos identificados no fazer artesanal da corrupção como se dá em São Paulo, governo José Serra, em que Paulo Preto, além de todos os feitos, levantou grana para atender demandas do PCC, conforme noticiário recente.

O que não se pode é permitir que eventuais quebras de rigores formais sejam vistas como suficiente purgadora de tanta bandalheira. Aliás se tentou, à certa altura, por uma mediação de setor de direitos humanos da ONU, manobra mais política do que jurídica, para declarar a suposta inocência do ex-presidente, e se percebeu que não é só a opinião pública brasileira, mas também a mundial que acompanha os acontecimentos. Há desgastes e desvios, porém nada justificará uma virada nos feitos processuais, sonho acalentado pela fauna de corruptos finalmente expostos de forma tão veemente.

Embalado

Num dia de muito agito, inclusive entre evangélicos pelos quais foi aclamado na Marcha para Jesus, em São Paulo, o presidente Jair Bolsonaro declarou que se habilitará à reeleição com o voto de apoiadores e não apoiadores. Um ato falho porque afinal, quando candidato, dizia pretender acabar com a reeleição.

Autoconfiança em excesso, com jeitinho de soberba, argumentou "se tiver uma boa reforma política, eu posso até jogar fora a possibilidade da reeleição. Agora, se não tiver e o povo quiser, estamos aí para continuar por mais quatro anos."

Mudanças

Dá para perceber hoje que defender privatizações não é reacionarismo, como se postulava entre os anos 50 e 60 na esquerda. Mas não é fácil fazer a ablução cerebral para tirar esse tipo de resíduo da cabeça de militares que durante anos curtiam essa variável nacionalista. Pois agora estamos diante de um governo que se declara contra o globalismo com sacrifício de valores identitários e que vê como inimigos de raiz os que defendem monopólios, como se deu com um diretor dos Correios que além de tudo teria posado ao lado de esquerdistas.

Atualmente, mesmo na esquerda se admite como válida a privatização, tema em que se empenharam Collor e principalmente FHC, que a patrocinou de forma vigorosa. Até no caso singelo dessa variável há um exemplo londrinense: lá atrás um prefeito petista a admitiu discordando da banda de música no caso da Sercomtel. O que em passado era visto como crime de lesa pátria hoje se acolhe como se viu na reação da maioria dos analistas na defesa do entendimento do STF de que as subsidiárias da Petrobras podem ser vendidas sem audiência do Congresso. Essa abertura - e não apenas desse episódio referencial - indica que aquilo que era tabu já não prospera, posto que ainda existam blocos resistentes quanto a maiores concessões na área do pré-sal. Primeiro quem ia salvar o Brasil era a Petrobras, como já foi a Vale do Rio Doce e agora a peça sacralizada está na aura que tem cercado expectativas miraculosas do pré-sal.

Turismo hibernal

Não é apenas São Roque em São Paulo ou em cidades da serra gaúcha e catarinense que se percebe o fluxo turístico de inverno. Curitiba tem posição de destaque e isso deu para captar ontem na carga dos ônibus especializados que atendem essa demanda e também na grande frequência de visitantes nos parques da cidade, destacando-se o Jardim Botânico. Como a capital mais fria do país fatura no segmento.

Mudou a tática

Agora não é mais o fulgor da Lei de Responsabilidade Fiscal que impede o reajuste salarial dos funcionários estaduais, há três anos congelado. Ratinho Junior submete a questão a um outro dilema: reajuste só com aumento de impostos. Examinou os números fazendários e concluiu que para atendê-lo precisa de outras fontes de recursos, já que as atuais estão saturadas.

Essa declaração acirra o Fórum Sindical para que a greve do dia 25, terça feira, seja deflagrada com o maior empenho. Pelo jeito também se esgotaram quaisquer perspectivas de diálogo produtivo entre sindicalistas e o governo, até porque aqueles não acreditam nos números oficiais e os contestam com assessoramento de econometristas do Dieese.

Folclore

Quando se queria dizer que um time de futebol era limitado usava-se a expressão "é tudo japonês". Quinta-feira, na Arena do Grêmio, os uruguaios experimentaram a tese e viram quanto era discriminatória e injusta. Empataram graças ao juiz um jogo que mereciam perder da seleção olímpica do Japão.

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