Temos um histórico de arquivos queimados, dentre eles o da morte de Gregório Fortunato, chefe da guarda pessoal de Getúlio Vargas, assassinado ao deixar a prisão. E agora temos o caso de Adriano da Nóbrega, acusado de comandar a mais antiga milícia do Rio, abatido em confronto com policiais no interior da Bahia e citado na investigação da "rachadinha" no antigo gabinete do senador Flavio Bolsonaro, quando deputado estadual.

Gregório vivo poderia dar mais compreensão ao ataque contra Carlos Lacerda e que matou o major da aeronáutica, Rubens Vaz, iniciativa da guarda palaciana de expoente própria, o que era posto em dúvida pelos anti-getulistas. Naquele tempo não havia delação premiada, que hoje é rotina em processos criminais, a quem se deve boa parte do sucesso da Lava Jato.

As ligações com o presidente Bolsonaro e seus filhos estão evidenciadas em vários episódios (elogios parlamentares e até condecorações) e em registros bancários, o que é parte do acervo do Ministério Público e da polícia judiciária do Rio de Janeiro. Adriano era foragido da justiça e sua morte decorreu de confronto, o que terá implicações processuais que dificultarão o clareamento das coisas e aquecendo a especulação política.

Requião candidato

O MDB decidiu (o sobrinho indicando o tio) que Roberto Requião será candidato a prefeito em Curitiba, o que, a despeito do desgaste com a recente derrota para o Senado, dá tonalidade nova à disputa, já que o postulante detém qualidade rara na maioria dos políticos: a de saber falar como poucos. Energiza o partido e preconiza uma eleição difícil com muitos candidatos, alguns com potencial elevado como Francischini, na direita, Gustavo Fruet, centro esquerda, Rafael Greca e Ney Leprevost, que fizeram a última final num esforço de auto-superação.

Será de tantos disputantes como a primeira eleição da cidade, em 1954, que Ney Braga venceu sobrepujando o pai de Requião, Walace de Mello e Silva, mas não terá sentido radical e excludente como o pleito de 1985, que prejudicou a postulação de Paulo Pimentel, terceira via, entre os polarizados Requião e Jaime Lerner.

Embalado com a situação de Curitiba, João Arruda quer que o MDB tenha candidatura própria no segundo polo urbano, Londrina.

Abstinência tem apoios

Embora mais ajustada a ações religiosas como as que pregam a castidade, hoje não muito em moda, surpreende o apoio nas redes sociais à tese da abstinência, contestada vigorosamente por educadores e sanitaristas. Vale, porém, pelo debate que se complementará em seus fundamentos com o Plano Nacional de Prevenção ao Risco Sexual Precoce.

Ações sociais

Esta FOLHA vem se esmerando em ações sociais como o demonstrou nas reportagens sobre o catador que passou no vestiba e dos detentos que tiveram tal mérito e agora na abordagem da abertura da temporada de estágios e na atuação do Hospital Universitário de Londrina em cirurgias inovadoras e feitas pelo Sistema Único de Saúde. Isso, sim, é jornalismo vinculado a valores.

Reação saudável

A despeito do fanatismo clubístico, a torcida do Flamengo deu exemplo ao exigir resposta da diretoria sobre o incêndio do Ninho do Urubu e a morte dos dez meninos. Os cartolas se mostram insensíveis e agora são acuados pela justiça, pelos jornalistas e pela torcida.

Folclore

O chargista do passado, Alceu Chichorro, vai a uma reunião literária em Paranaguá e ouve de uma das recepcionistas que ele compreendesse que as meninas da terra eram bem acanhadas. Repique do Chichorro: "acanhadas com cê cedilha".

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