Apropriação costumeira

É uma praxe, não apenas paranaense, o governo apropriar-se de indicadores como rotina marqueteira. A mais recente peça, a que avalia o nível de emprego no terceiro trimestre, e faz comparações com a média nacional, abaixo da nossa, é paradigmática. Como pode ser feita a do Ipardes que mostrou o PIB da terra crescendo o dobro da média brasileira: depois de um primeiro trimestre de baixa avançou no segundo 1,05%, suplantando os 0,44% nacionais.

Quando os indicadores macroeconômicos revelam recuo, obviamente o tema é esquecido, como sempre aconteceu. É muito complicado provar que se deve tal feito ao governo quando persistem pontos de estrangulamento naquilo que é fundamental para a economia como a questão infraestrutural de rodovias, ferrovias, portos e aeroportos.

A celebração é válida na medida em que destaca os agentes que proporcionam tais avanços num quadro solidário de empresários, população e governo, o que também conta, em termos coletivos, como estimulo à autoconfiança, um mutirão de autoestima.

O Paraná é sabidamente um cenário diferenciado e isso por tradição, mas perdeu um instrumental, a estrutura de planejamento, que respondeu pelos avanços do neysmo e que deixaram as bases para um permanente arranque. Do "aqui se trabalha" de Paulo Pimentel e da ambição de postar-se como segunda unidade federativa, exagerada, mas válida como objetivo a conquistar, estamos novamente pondo em destaque o trabalho de todos e buscando superar o Rio Grande do Sul em renda interna para posar como o primeiro do Brasil meridional.

Coerência

Se há evidência de que Bolsonaro é um monotemático nas suas intervenções, mas cujas mediações guardam coerência como se viu na fala na ONU, percebeu-se que visava tanto o público interno quanto o externo. Em tudo a carga da ideologia com um tom agressivo como gosta o agrupamento mais radical que o apoia. Reintroduziu na prática questionamentos apropriados a uma guerra fria como quando sugere que sua vitória evitou que o Brasil fosse levado ao socialismo e daí partiu para o ataque a Cuba, Venezuela e o foro de São Paulo, que tenta unir essas forças.

Nunca essa participação brasileira foi tão contundente ao ponto de afirmar que preocupações com a Amazônia têm um toque colonizador. Não buscou ser moderado e é preciso já ir se acostumando com a mesma catilinária. É a face da direita, a que no poder tentará firmar-se numa luta incessante contra o consenso a que nos habituamos e aos padrões de convívio que cultivamos ao longo do tempo.

Vetos

O projeto relativo ao abuso de autoridade já nasceu de uma distorção com a alteração radical de medidas que visavam dar mais força à polícia e ao Ministério Público, uma subversão em cima de uma lei de iniciativa popular, nosso jeito de democracia direta. No meio do percurso tivemos a operação de busca e apreensão no gabinete do líder do governo – o que mostra que a força-tarefa, ainda que constrangida, reage e fortemente - e isso deu origem à retaliação em cima dos vetos presidenciais, numa derrota de Sergio Moro, que vê o ciclo punitivo que comandou esgotar-se.

No discurso na ONU o presidente fez elogio ao seu ministro da Justiça.

Licença de barnabés

Começou a andar no legislativo estadual o projeto que extingue a licença-prêmio e a substitui para os novos funcionários uma licença-capacitação com o servidor tirando as folgas remuneradas se comprovar um curso de aperfeiçoamento na sua área de atuação. Outra mudança é em favor dos policiais, que terão redução de dez para cinco anos no tempo estipulado para licença, conquista atribuída à bancada da bala.

Massacre

O Ministério Público estadual fez o balanço de mortes em confrontos com a polícia e anotou que no primeiro semestre houve 157 ocorrências. Outras quatro pessoas foram mortas por policiais civis e uma por um guarda municipal. Curitiba 32 mortes, Londrina 25 e Almirante Tamandaré e São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, tiveram oito mortes cada, seguidas de Ponta Grossa, Sarandi e Campo Largo, cada uma delas com cinco. O Gaeco, seguindo norma do Conselho Nacional do Ministério Público, faz essas apurações.

Alvarismo

Alvaro Dias foi muito mal na eleição presidencial, mas vai muito bem no partido que criou, o Podemos, que já é a segunda bancada senatorial com 11 membros, dois a menos que a do MDB, a maior. Está para ganhar mais um componente com Flavio Arns. De outro lado a ação da bancada paranaense é unívoca e se deve isso também a Alvaro Dias.

Folclore

Voltou a onda dos óvnis e no Paraná há o caso inventado pelo jornalista e poeta pernambucano Fernando Pessoa Ferreira e o fotógrafo Romário Amódio: improvisaram um aparato metálico e o lançaram ao espaço no centro de Curitiba e o "Estadinho" a publicou na primeira página. Foi um auê, mas se fosse lido o texto da reportagem perceber-se-ia a molecagem: ´´Estávamos eu e o Romário caçando lagostas nos boeiros da 24 de Maio quando vimos o estranho objeto em movimento". Fake news dos anos cincoenta.

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