Alinhamento ao capitão
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terça-feira, 24 de dezembro de 2019
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O governo Ratinho Júnior decalca, em grande parte, o de Bolsonaro. Dá para percebê-lo no ritmo imposto à reforma previdenciária com o que reprisou também Beto Richa no uso do tratoraço das votações, opressivas e nada democráticas, com aquele refúgio no Ópera de Arame com alta concentração policial. Ópera de Arame farpado, nostalgia da primeira guerra mundial, aquela das trincheiras.
Recentemente baixou um ato que interdita os editais públicos nos jornais, último aceno de verba oficial para os veículos impressos. Apesar da medida ter sido levada ao Judiciário e ter despertado a reação da associação de jornais e revistas e estar subjudice já é lei no Paraná.
Desde o início da gestão, Ratinho engatilhou a tese do porto bioceânico com a qual o Paraná teria um papel logístico de primeira grandeza no continente latino. A base política é menos pulverizada que a nacional, o que garantiu até aqui a tranquilidade ao governo, mas está devendo e muito na questão da privatização, a que tanto se referiu e mesmo aquela anunciada na subsidiária telefônica da Copel que encontrou reações.
Pibinho em cena
Segundo o Focus do Banco Central, o PIB de 2019 teria subido de 1,12% para 1,16%. Essa pulsação, ainda que discreta, ajuda a montar um cenário positivo para 2020 já sinalizado nos oito meses consecutivos de aumento nos níveis de emprego com carteira assinada, posto que ainda seja alta a informalidade, o que reduz a base do segmento no consumo. Um dos aspectos dessa conjuntura se expressa no setor imobiliário que teria crescido o dobro do previsto para o PIB em 2%. Analistas da área acham que a construção civil pode ser o motor da economia no ano que vem e registre avanço de até 3%. É que o setor esteve submetido à recessão por seis anos e respondeu neste ano pela geração de 10% dos postos de trabalho com carteira assinada.
No Paraná, a sinalização é forte especialmente em Curitiba, mas também em Londrina, São José dos Pinhais, Maringá, Ponta Grossa, Cascavel e Foz do Iguaçu.
Mau desempenho
O Datafolha sondou como o público viu a atuação do governo federal no caso do derramamento de óleo no Litoral brasileiro: 42% entendem que o desempenho foi ruim ou péssimo ao lidar com o assunto. Dá a impressão que não temos retaguarda técnica para o encaminhamento da questão o que justificou declarações desastrosas e ilações temerárias sem provas, aliás marca de um estilo permanente. O governo tem ainda boa parte da opinião pública a seu favor como se viu no Ibope recente e agora nos 31% considerando sua ação regular no caso do óleo e 23% como ótima e boa.
Feitos na economia ajudam nessa alavancagem como se percebe.
Praias sujas
No Brasil, de um modo geral, é alto o grau de comprometimento na qualidade da água das praias em função dos elevados níveis de poluição e agora ainda com o óleo. No Paraná, nos últimos anos, melhorou consideravelmente a qualidade da água e a expectativa é de que essa tendência se mantenha. Há um alerta, outra vez, com a infestação das áreas de banho com águas vivas que no ano passado exigiram programas especiais de prevenção e tratamento das queimaduras nos banhistas.
Aceno pedagógico
O STF do Brasil cortou o barato das aposentadorias dos governadores. Como sempre veio tarde a solução que acabou acatando a demanda da Ordem dos Advogados. Mas na França, onde a parada é barra pesadíssima na questão previdenciária, o presidente Emmanuel Macron fez aceno aos grevistas renunciando antecipadamente a sua aposentadoria de R$ 28,2 mil. Decidiu ainda não integrar o Conselho Constitucional francês, do qual seria membro vitalício e pelo qual receberia 13,5 mil euros, o equivalente a R$ 61,3 mil por mês.
O sacrifício de cortar na própria carne se dá num momento de queda do apoio popular aos atos de resistência, 31% estão a favor e para 20% os protestos despertam alguma simpatia.
Privataria
Muitos são os anúncios de privatização de estatais, mas na prática pouco anda. Agora a Petrobras anuncia o leilão de duas usinas de biodiesel, uma em Passo Fundo no Rio Grande do Sul, e outra em Marialva, Norte do Paraná.
Polarização
Há uma polarização entre o ex-presidente Lula e o atual Jair Bolsonaro na disputa das redes sociais e, curiosamente, no sobe e desce das apurações. A consultoria Quest, que criou método de avaliação no Facebook, Twitter e Instagram, mostrou que Bolsonaro teria uma queda de 50% no quesito valência (relação entre comentários positivos e negativos) e Lula uma ainda maior de 60%.
Folclore
Num campo do MST houve uma pelada em que as figuras mais cortejadas foram as do escritor e compositor Chico Buarque e do seu amigo ex-presidente Lula. Numa jogada Lula fez um gol e saiu a comemorá-lo com a retirada da camisa pelo que levou justamente cartão amarelo. Da refrega presidencial Lula já pegou um cartão vermelho e isso porque dançou na lei da ficha limpa, ainda que o advogado Pereirinha defenda a tese de que mesmo preso o sindicalista poderia concorrer.


