Ainda o consenso

Da ditadura para cá, e especialmente depois da Constituinte, o Brasil fixou consensos sobre meio ambiente, clima, convívio democrático, multiculturalismo. Pois com Bolsonaro a ordem é contestar esse acervo experimental, focar o dissenso mesmo em cima de questões que estavam fora de discussão, como as violações do autoritarismo como se viu nesse episódio do conflito com o presidente da OAB, Felipe Santa Cruz, e a declaração, absolutamente sem provas, de que seu pai, Fernando, teria sido justiçado pela esquerda.

Vai ter que responder interpelações por essas informações, em arrazoado firmado por ex-presidentes da OAB na condição de advogados, pois não consta que tenha blindagem para a calúnia e a desumanidade. Ousado na imprudência, descuidado nas obrigações, visível no cancelamento de encontro com chanceler francês que pode atrasar aval a acordo da EU-Mercosul. Tolerante com agressões ao meio ambiente, faz crítica à perda de propriedade por uso de trabalho escravo. E levou o Brasil, pela primeira vez , com representação diplomática, a uma reunião de negacionistas do clima nos Estados Unidos. O dissenso é um direito na democracia ao proteger e garantir a atuação das minorias, mas precisa ser amparado em lógica, se possível fundamentação científica, e não deve e nem pode ser exercido de forma sistemática numa tentativa de bagunçar o coreto.

Morde e assopra

Depois do endurecimento com as pretensões dos sindicatos, ante a impossibilidade de dar qualquer reajuste, o governo de Ratinho Junior, para evitar o caos no terceiro grau, autoriza universidades estaduais a renovar contratos temporários no segundo semestre e não abandona a hipótese de contratar efetivos. Porém, ao abrir a guarda, ouviu reivindicações de reajuste salarial, desaconselhada pela crise fiscal, e apelos pela nomeação dos que passaram em concurso.

E na esteira dessa disposição de maior abertura anunciou mais uma leva de progressões e promoções de carreira aos servidores estaduais, compromisso que havia assumido no decorrer da greve e dos diálogos encetados. Beneficiários recentes foram 654 funcionários da saúde, como na semana anterior se deu com policiais. Na PM, houve promoções de 51 oficiais e 248 praças e ativadas 1.972 progressões nas tropas, sendo que em dezembro mais 1.455 praças ou bombeiros ganharão benefícios. Na polícia civil houve 1.327 progressões de delegados, investigadores, escrivães e papiloscopistas e 180 aumentos na polícia científica.

Já na gestão anterior, de Beto Richa, o pagamento das progressões e promoções foi uma das razões alegadas para manter o salário congelado. Como se vê, a preocupação, nesses dois casos, é evitar que as coisas desandem.

Uma aposta

Londrina apostou na tecnologia e ostenta hoje a maior concentração de startups fora da capital, com 85 unidades conforme levantamento do Sebrae. Curitiba, com 164, lidera a lista e seguem do interior Maringá, com 40, Pato Branco, com 38, Cascavel, com 28. Há mais de mil em todos os seus municípios. O empenho pela preservação da Sercomtel se insere nessa visão estratégica para dar apoio ao agregado da tecnologia da informação.

Tensão

Como a Transportes Coletivos Grande Londrina não apresentou proposta na licitação do sistema, alega que estaria dispensada da cláusula que garantia estabilidade de todos os seus trabalhadores até 2020. Como houve na semana demissão de 30 cobradores, segundo o sindicato trabalhista, pede a mediação do Ministério Público do Trabalho. Há alegação de que outros cem cobradores teriam sido dispensados sem justa causa. Única empresa a apresentar proposta, a Londrisul foi vencedora para a chamada área 2, que atende a zona sul e parte da leste e abrange 35% da demanda. Como não houve proposta para o primeiro lote persiste a interrogação em torno do sistema.

O sistema de Londrina é menos complexo que o de Curitiba, o que não lhe retira o traço oligopolístico a despeito da menor concentração. O da capital já viveu momentos melhores quando dos decalques até internacionais do modelo, BRT e canaletas exclusivas, hoje em aberta crise, visível na redução do número de passageiros em função do alto custo das tarifas.

Pepino

Se não bastasse a série de vazamentos, que o complicam juntamente com a força-tarefa do Ministério Público, o ministro da Justiça, Sergio Moro, está com a cabeça voltada para os motins presidiários como o de Altamira com 57 mortos e a transferência de 46 suspeitos de comandar a rebelião a presídios federais. A prisão dos hackers, ainda que prorrogada, até agora não gerou as expectativas esperadas.

Folclore

Todas as greves de jornalistas bateram na trave, à exceção da havida em Curitiba em 1963. Um dos donos dos jornais fechados, com piquetes que se revesavam, o "Diário Popular", de Abdo Aref Kudri, cedeu suas instalações para que os paredistas produzissem um tabloide com suas reivindicações sob o nome de "Jornal da Greve". Durou três dias.

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