Afinal a convergência?
PUBLICAÇÃO
sábado, 27 de março de 2021
Luiz Geraldo Mazza 
A despeito do nosso mau comportamento relativo à pandemia, na sexta-feira (26) tivemos afinal um ponto de convergência com o governo paulista, via Butantan, anunciando a primeira vacina brasileira, e o governo federal dando conta de outra, via Ministério de Ciência e Tecnologia. Dá para acreditar no fim das trombadas? O fato é que a dupla informação, que devolve ao país a autoestima tão agredida nos últimos tempos, abre perspectivas duradouras na exaltação da ciência, que vinha sendo muito maltratada. Afina-se o discurso dos litigantes, há sinais de seriedade e o orgulho nacional está aí para impor a unidade que não se obteve com o tal pacto entre poderes, amaciado com o encontro do senador Rodrigo Pacheco, presidente do Senado, com os governadores. Mas a avalanche da tragédia, o tsunami emocional, segue.
Engajamento
Frase forte de Ratinho Junior: vacinação intensa de domingo a domingo. Em breve com as duas vacinas nacionais, produto de sua ciência e tecnologia, tão maltratadas por aqui, também sendo aplicadas. O Brasil mudou na sexta (26): da falta de perspectivas chegamos ao anúncio duplo de vacinas eminentemente nossas. A ordem, segundo o secretário Beto Preto, é para que as famílias não viagem, seguindo-se o ritual das máscaras, do álcool gel e do distanciamento. A quarentena pode não ser suficiente, não atingindo os desejados 60%, mas influiu na queda de 21% nos acidentes neste ano.
Orçamento
Paulo Guedes reclamou a Bolsonaro de que houve exagero na maquiagem do orçamento, decidida por 60 votos a 12. Na Câmara foram aprovadas emendas parlamentares de R$ 49 bi.
Mais adesão
Paralisia nas montadoras segue: agora chegou a vez da Renault, depois da Wolks, Volvo, Nissan, Scania, Mercedes, General Motors. Razões estratégicas o determinaram, entre as quais a falta de peças. É outro tipo de distanciamento, dessa vez logístico.
Gestual
Apanhado num gestual supremacista nas costas do presidente do Senado, o assessor do presidente, Filipe Martins, um dos elos da ala ideológica, teve cobrada a sua demissão por vários senadores, inclusive o presidente Rodrigo Pacheco. Isso se deu no momento em que a Câmara Alta pleiteava a saída de Ernesto Araújo. O sinal era de apoio ao chanceler.
Saques
O espectro da rachadinha pega vários momentos da família, inclusive quando Bolsonaro era deputado federal e anuncia-se que ex-assessores sacaram 90% de salários de Flávio e Carlos .
Folclore
Brincar de esconde-esconde num programa de vacinação clandestina como aconteceu na área dos transportes em Belo Horizonte é bem o retrato macunaímico do Brasil. Políticos e empresários curtiram o privilégio gravado e agora tocado pela Polícia Federal. Num país em que se ousa traficar cocaína em avião da Força Aérea Brasileira tudo é possível. Para cada notícia boa como a das vacinais, pelo menos dez ou vinte tenebrosas. É a cota diária.


