Adversidade une
PUBLICAÇÃO
sábado, 20 de junho de 2020
Luiz Geraldo Mazza 
O cerco das circunstâncias contra o presidente Bolsonaro está levando a sua base, notadamente a do centrão, a um esforço maior de blindagem. A prisão de Fabrício Queiroz, a queda de Weintraub, a prensa do STF levaram os aliados, ante a gravidade dos fatos, a um fortalecimento na cobertura presidencial. Há a noção dos riscos, inclusive no agravamento do caso das fake news no pedido de cassação da chapa presidencial no TSE. Está difícil é a montagem do armistício "patriótico" com o STF, referido na posse do Ministro das Comunicações, severamente abalado nos últimos acontecimentos, apesar do ganho com a saída do ministro da Educação para refazer o diálogo. Embora favorecida pelas ocorrências, a oposição não parece vitaminada o suficiente para agir contra o situacionismo e carece de amálgama na construção de base parlamentar que sobra no adversário.
Não avança
A esperança do governo reside no potencial do Ministério da Economia numa resposta efetiva contra os sinais recessivos com os dois dígitos de queda no PIB. A pandemia cortou a série de medidas bem encaminhadas e agora Paulo Guedes tenta outra âncora fiscal centrada no endividamento público e apoiada num gatilho para reduzi-la com a venda de patrimônio e de reservas internacionais. Essas ideias frequentemente são colocadas como um compromisso com o liberalismo, mas não saem do papel. Vender ativos em situação de crise, lastreada ainda pela conjuntura política, é caminho certo para a desvalorização.
Pico de casos
Paraná registra pico de novos casos de Covid-19. Depois de a taxa de ocupação de UTIs manter-se por meses entre 40% e 45%, o afrouxamento das cautelas nas duas últimas semanas elevou esse nível no SUS para 85%. No Distrito Federal os casos suspeitos aumentaram 170% em Ceilândia, o que ocorre em outras cidades-satélite. Em São Paulo cidades como Campinas, Sorocaba, Ribeirão Preto e Barretos já não têm leitos de UTI ou estão próximas do limite. Em Minas Gerais cidades como Uberlândia (500 mil habitantes) já têm mais registros de doentes do que Belo Horizonte, onde o índice de utilização de leitos de UTI para pacientes da Covid saltou de 40% para 85%, o que a obrigou a suspender a abertura e limitá-la às atividades essenciais. A lista dos que pedem o lockdown em Curitiba subiu para 10 mil pessoas. A pasta municipal de Saúde continua afastando a hipótese extrema.
Abuso
Que há abusos não se pode negar e isso não absolve nenhum dos atores políticos representados pelos poderes. De todos, o Judiciário é o maior dos alvos, ainda que tenha se afastado, há algum tempo, da invasão das prerrogativas como a de suprir lacunas da legislação a que se dedicava. Passeatas, carreatas e comícios pelo seu fechamento se tornaram comuns e com a presença do presidente Bolsonaro, medidas hoje alvo de processo contra práticas antidemocráticas. E quando baixou o astral do governo sob cerco, o presidente saiu-se com a frase "eles estão abusando". Parece que abusos se atraem sem que a compulsão viva pelo protagonismo se altere.
Folclore
Quando Bento Munhoz da Rocha era governador teve como presidente do legislativo o jurista Laertes de Macedo Munhoz e no Judiciário José Munhoz de Mello. Ney Braga, que era cunhado de Munhoz, quando voltou ao governo por via indireta tinha no legislativo Fabiano Braga Cortes e no Judiciário Marino Bueno Brandão Braga, todos parentes, antes e depois.


