Adesão inútil
PUBLICAÇÃO
sábado, 12 de outubro de 2019
Luiz Geraldo Mazza 
Adesão inútil
O apoio incondicional de Bolsonaro a Trump, completamente fora da nossa tradição diplomática, é lembrado agora com o apoio dos EUA a Argentina e Romênia na OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico). Outra posição, a de ser contrário à expansão mais acelerada da instituição pelos norte-americanos, agrava a perspectiva do ingresso brasileiro na passagem do tempo. É verdade que o governo brasileiro sabia da decisão do aliado gigante bem antes, o que não reduz o impacto da frustração e da cobrança consequente que é feita. Zero, portanto, também em diplomacia.
Guerra cultural
A posição do governo federal em matéria cultural vai acumular derrotas como a recente no TRF2 que fixava restrições sobre LGBT em portaria ministerial. É a consequência da luta contra tudo que é consenso, decorrência do convívio civilizatório, uma das insistências presidenciais. Não se pode negar ao presidente esse direito permanente de questionar, fustigar nossas convenções, todavia as ações carecem de um questionamento de cada tema e avaliá-los na perspectiva das decisões judiciais, como se deu, por exemplo, com o casamento homoafetivo por unanimidade e agora, mais recente, ao considerar a homofobia crime equivalente ao de racismo. Já tivemos reações no caso da Caixa Econômica Federal, no trato de questões culturais, o filtro prometido, e agora nos tribunais essa manifestação de resistência.
Solução ou crise?
A reforma trabalhista de Michel Temer criou o chamado contrato intermitente, hoje representando 16% do total do país. Para os pragmáticos é um caminho razoável para a crise do emprego, mas os defensores de um trabalhismo mais claro essa emergência é uma forma a mais de precarização num mercado sob tensão. Se no país representa 16% da massa obreira, no Paraná, segundo o Dieese, é um pouco menor, cravando 12%, 57% deles na Metropolitana de Curitiba. Tida como saída para o desemprego e a informalidade, mal maior, ela foi uma das apostas do estafe do ex-presidente. Uma solução meia-sola, emergencialmente aceitável. Para quem enfrenta o caso dos desolados, aqueles cinco milhões que nem procuram emprego por terem desistido de fazê-lo, ou o informal, mais ainda o sub empregado, a meia sola anda.
Para se ter a dimensão da modalidade em nossa economia basta apurar que das 62,2 mil vagas desde a reforma trabalhista nada menos de 7.408 guardam o traço de intermitente. O saldo de intermitentes no Brasil é de 102.173.
Leilão
Governo arrecadou R$ 8,9 bilhões com a venda de 12 das 36 áreas oferecidas. É o primeiro de uma série de três leilões, que se fará até o fim deste ano, e o resultado é o maior valor já arrecadado em certames do gênero. Petrobras e Exxon, uma das principais investidoras, tiveram presença frágil na disputa com a estatal fazendo oferta apenas por duas áreas. levando uma na Bacia de Campos e a multi fez uma oferta e arrematou uma área na mesma bacia.
Balões
Vila Velha terá neste domingo uma revoada de 15 balões com o objetivo de tornar esse tipo de prática numa das rotinas de sua exploração turística. Tem, portanto, objetivo experimental e se dará em área restrita do parque estadual. A capacidade de participantes está limitada a 800 pessoas. Espera-se que com isso sejam acionados os projetos existentes para a exploração turística daquele enclave dos Campos Gerais e que se constitui numa memória geológica da humanidade pela circunstância de constituir-se num dos documentos da teoria da migração dos continentes, terra de Gondwana, que separou o nosso continente do africano. Geólogos mostraram que há identificação de elementos fósseis e minerais idênticos nos dois polos e que a areia matriz das formações de Vila Velha se equivalem às do deserto africano.
Uma das ideias é o Museu Geológico, que com técnicas modernas fará a narração do ajuste. Já em 1961, governo Ney Braga, cogitou-se de planejar a exploração da área e uma das ideias foi a de eregir um templo ecumênico na Lagoa Tarumã em alusão ao Concílio tocado aquele tempo pelo papa João XXIII.
Saída complicada
Se para Jair Bolsonaro a saída do PSL não é problema, não se pode dizer o mesmo para eleitos pelo sistema proporcional, caso dos deputados. Pelo menos na perspectiva adotada pelo STF no respeitante às normas de fidelidade partidária. A migração, portanto, implica em algumas dificuldades e é sobre isso que estão debruçados especialistas em legislação eleitoral e partidária para evitar desastres como perda de mandatos. Esse fator é que ainda mantém a sigla com algum apelo, e muitos dos seus militantes, embora não subestimem o impacto com a saída de Bolsonaro, mantém-se engajados.
Folclore
O PRP, Partido de Representação Popular, resultante da Ação Integralista, levava a melhor sobre a esquerda, o PCB, em termos numéricos no Paraná e especialmente onde eram mais fortes em Curitiba e Ponta Grossa, onde Plínio Salgado venceu as eleições presidenciais em 1955. Muitos da hierarquia dos seus conselhos, no entanto, com o passar do tempo saíram para a esquerda como o escritor católico Tristão de Ataíde, o jurista Santiago Dantas e o padre Helder Câmara.


