Obviamente a pandemia, pelo menos por sua letalidade, é preocupação maior do que o insinuado e, para muitos, o ensaiado golpe nas instituições. Tenta-se extrair o máximo dos desvios da pandemia na área política e a expressão maior é a CPI, que na abertura da sessão de ontem viu tentativa de intimidação no desfile militar para pressionar a votação do voto impresso. E para sofisticar o cenário temos uma campanha aberta do presidente Bolsonaro contra o TSE e o STF e que anuncia nas redes sociais uma intervenção no Judiciário.

Pergunta-se: consumado o voto impresso, que tem contra si todo o aparato judicial, já estaríamos no golpe ou a meio caminho de sua evidência? Também sua esperada derrota na Câmara Federal não traria a paz institucional imaginada, já que outras operações com o sentido da intervenção poderiam ser praticadas.

Não se divisa no horizonte brasileiro a perspectiva de conciliação e todos os agentes, cada um a seu modo e estilo, mantêm o confronto que tende a ser cada vez mais insolúvel. A pandemia está sendo enfrentada e cada vez com melhores resultados, já do pandemônio político-institucional não sairemos tão cedo.

Parceria

O legislativo estadual aspira a uma parceria técnica e doutrinária com a Universidade Federal a propósito do novo contrato de pedágio. Captou-se que houve melhora nos entendimentos entre a União e o estado relativamente às principais controvérsias, mas persiste resistência, que pode crescer, entre os parlamentares. Essa aproximação com a Universidade é um ganho porque a questão abarca fundamentos multidisciplinares, ainda que já se saiba o que não pode constar do pacto e urge uma mediação racional para que a toxicidez não tome conta da negociação. O fato é que o Estado perdeu a sua capacidade de investimento em algo que sempre foi historicamente de sua responsabilidade e precisamos dar respostas menos controversas a uma forma de concessão hoje tida como inevitável.

Abrandamento

A cada momento temos sinais da melhora no enfrentamento da Covid-19: mais de 30% das cidades brasileiras não registraram mortes pela patologia em julho. As médias diárias de mortes e casos caíram significativamente, o Paraná saiu no mapa da estabilidade para a queda de ocorrências. A cada momento se apreende mais e chega-se à conclusão de que erradicar a Covid é mais fácil do que zerar a poliomielite, mas a despeito das vacinas eficazes o fim da circulação do Sars-CoV-2 depende de esforços globais. Vamos aos registros: entre domingo e segunda 237 mortes e 15.306 infecções em 24 horas, o Paraná com 982 casos, 94 óbitos, Curitiba com 17 mortes.

Inflação com força

Aquilo que parecia não mais nos afrontar, a inflação, volta com toda a força. Em julho ela chegou, puxada pela conta de luz, a 0,96%, com um detalhe impressionante como a maior em 19 anos. Como os gastos públicos estão em escalada com a proximidade do ano eleitoral e o peso das chamadas reformas, a perspectiva aparente nada tem de boa. Há cuidados isolados, como os da administração paranaense, com redução nos gastos com transportes e economia nas licitações do primeiro semestre.

Folclore

O Painel do Clima da ONU pela primeira vez quantificou o aumento da frequência e da intensidade dos eventos extremos ligados a mudanças climáticas. Esse tipo de crise é claramente anunciado na seca que atinge bacias como as dos rios Paraná e Paraguai afetando a navegação e expondo ameaças a hidrovias como a Tietè-Paraná. No Brasil, a autoridade olha tais fenômenos e mais os desmatamentos e incêndios na Amazônia e Pantanal como se estivesse tomado pela catatonia. Secas e tempestades e a mudança do regime pluviométrico revelam que estamos diante de algo irreversível, inclusive com peso de participação mundial na degradação do bioma amazônico.

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