A fagulha na padaria

É clássica a frase de Mao Tse Tung – riquíssima por sua cinemática- "a fagulha na pradaria". Por sinal que a revisão do jornal "Correio de Notícias" me colocou mal ao transformá-la em "fagulha na padaria", que obviamente não tem a força do original. O que houve na sessão de terça-feira (6) na base do governo Ratinho Junior é uma fagulha na padaria e não na pradaria, tanto que se sugere que a designação do relator da CPI que investiga contrato da manutenção e reparo das frotas, Michele Caputo, visaria "melar" o processo, conforme a visão do PSL.


O atrito é de pequena monta, já que há o peso da maioria parlamentar para metabolizar riscos de crise, mas é preciso ver CPI, pelo menos na história do nosso legislativo, com extrema desconfiança porque, afora a espetacularização, poucos, mínimos, os resultados, bastando dizer, como exemplo clássico, mais de duas montadas para o pedágio, como se já não bastasse a infrene demagogia de Requião do "baixa ou acaba". Só baixou com ação da justiça e fazer investigação paralela quando a polícia mal começou a sua é desperdício de energia. A presunção não parece favorecer o governo, até porque a delegacia, criada por Cida Borghetti, vai ser alvo de questionamentos inclusive pela ousadia de ações do gênero que não fazem parte da tradição da nossa polícia judiciária em sua vocação governista, o que decorre do federalismo que temos e não o que queremos.

Teremos outros casos, decorrentes de decisões judiciais, e que podem, como temos dito, pegar gente da gestão atual. Em São Paulo, mais vivo porque candidato presidencial, João Doria vai extinguir a estatal Dersa, origem da corrupção tucana paulista. Como agir na mesma linha por aqui? Eis a questão.

Boa praça

É um boa praça o empresário que adota uma praça ou outro bem público tal qual se dá com frequência em Curitiba e ocorre também em Cambé, região metropolitana de Londrina, com pelo menos seis espaços públicos passando por readequações aprovadas com entusiasmo pela população. Boa parte do paisagismo ao longo da avenida que nos liga ao aeroporto de Afonso Pena na capital foi submetida a esse tipo de experiência, com bons resultados também em troca de propaganda, mais do que isso a projeção de imagem do doador.

Cracódromo

Não se tem conhecimento até agora de qualquer intervenção urbanística no sentido de evitar que Curitiba acabe se transformando num gigantesco cracódromo face ao que ocorre, por exemplo, nos bairros São Francisco e no entorno do Cemitério Municipal. Setores do Centro Histórico, custosamente preservado, já se expressam como cracódromo e a despeito das feirinhas pedem algo que não se limite à mera ação policial de rotina. Áreas como as da Catedral Metropolitana padecem com isso e com perdas severas no fechamento de empresas comerciais com dificuldade para o convívio diante do predomínio do tráfico.

Pressão cai

Apesar de sinais de retomada da Lava Jato com o processamento de Romero Jucá e também o ex-presidente da Transpetro, Sergio Machado, capta-se um sinal de revisão processual expresso no ponto de vista da Procuradoria da República pleiteando o semiaberto para Lula e colocando-se favorável à redução da multa de R$ 16 milhões para R$ 2,4 milhões no processo do tríplex de Guarujá. O ciclo punitivo, em parte por seus excessos, entrou em queda livre e percebe-se um clima de julgamento menos denso. É verdade que Lula já está condenado no caso do Sítio de Atibaia (fevereiro deste ano) em primeira instância a 12 anos e 11 meses de prisão. Se houver condenação em segunda instância o caso complica, isso sem falar em outras seis ações que responde.

A sinalização do caso do líder do MDB, Romero Jucá, pode significar um novo surto. Quebraria, no mínimo, o ritmo da acomodação.

Protagonismo

A situação fiscal do Paraná em relação às demais unidades federativas é de tal ordem que justificaria um maior protagonismo do governador Ratinho Junior na questão da reforma, inclusive no sentido da unidade com o presidente da República. Não é bem uma Brastemp, o que foi confirmado pelo secretário da Fazenda, Renê Garcia Júnior, em seu relato no legislativo sobre o primeiro quadrimestre. De janeiro a abril houve a receita total de R$ 16,907 bilhões, o que implicou em queda nominal de O,8% e real de 4,86% relativamente ao mesmo período de 2018. Seguindo uma tendência houve aumento na despesa de R$ 15,158 bilhões para R$ 15,580 bilhões. Agora só falta um, daqueles repetitivos alertas do Tribunal de Contas quanto à despesa de pessoal, o que não impedirá sindicalistas de colocarem o reajuste em pauta.

Folclore

A provocação de Jair Bolsonaro sobre a falta de um ministro evangélico levou a maioria do STF declarar-se católica (Edson Fachin, Carmen Lúcia, Gilmar Mendes entre eles), judeus como Luis Fux e Luis Roberto Barroso e a argumentar que o confessionalismo numa república laica é absolutamente irrelevante. Aqui no Paraná já tivemos um juiz da capital que tinha um templo de plástico no Alto da Rua XV, um presidente evangélico, Henrique Lenz Cesar, um espírita, na figura do desembargador James Portugal, maçons e até um escoteiro, Luis Silva Albuquerque. Houve um tempo em que a maçonaria estava representada no Tribunal de Justiça. E em 1964 acabaram, como se deu em todo o Brasil, descobrindo comunistas ou simpatizantes.

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