A descompressão
PUBLICAÇÃO
sábado, 20 de fevereiro de 2021
Luiz Geraldo Mazza 
Atingimos o ponto alto da crise com a busca da descompressão pelos atores em cena: de um lado o STF e de outro a Câmara, ambas as corporações em aberto litígio a despeito da evidência dos crimes do deputado Daniel Silveira. Para a maioria que deseja a sustentação da democracia, a manutenção da prisão do parlamentar é a melhor saída, mas fica bem claro que a Câmara não tolerará, como alertou seu vice-presidente, novas intervenções do Judiciário. Um alerta com sentido de ponto final. A hipótese da liberação é nem pensada, dado o clima que criaria de juízo final.
Quando o cenário é tóxico, tudo é superdimensionado e para alguns Daniel é ativista de primeira e a linguagem rústica e grosseira parece constituir-se em arma essencial da direita, como se nota até em intelectuais como Olavo de Carvalho. O fato é que o Judiciário tenta se mostrar sem medo das retaliações anunciadas, mas foi o peso da intimidação que o levou, lá atrás, aos processos das fake news e das ações antidemocráticas. De qualquer forma as agressões mais recentes do parlamentar mostram que aqueles procedimentos não andaram e com isso gerou ânimo para novas e contundentes provocações.
Prioridades
Bolsonaro tem prioridades específicas: em meio aos mais de 10 milhões de casos de Covid e do atrito entre STF e parlamento, escalou a Petrobras, que segue o mercado internacional, e sugeriu, de forma velada, intervenção na estatal, o que botou em queda o valor de suas ações. No mundo exterior bolsas em alta, no Brasil em baixa. Atingimos 1.432 mortes entre quarta e quinta-feiras e 49.368 infecções em 24 horas. Curitiba, como outras capitais, suspendeu a vacinação por falta de doses, e aparece com 139 mil casos e 2.796 óbitos; Paraná com 600 mil casos e 11 mil mortes. A prioridade visível é a vacina, que é indispensável à recuperação da economia.
Multas
Parece que a repressão – que interdita estabelecimentos e multa - não reeduca o povo ao mostrar que a parte mais sensível do corpo humano não é o bolso, como se pensava. Fiscais em Curitiba chegaram a R$ 3 milhões em multas, interditaram vários estabelecimentos, mas não impediram as aglomerações que levaram a Bahia, ontem, ao toque de recolher diante da escalada do vírus e variantes. Aquilo que é viável no mundo civilizado com o lockdown, como se viu na Alemanha, Reino Unido e França, aqui não funciona como se está, mais uma vez, comprovando.
Auxílio
Até bloqueio de estrada com queima de pneus marcou ontem um tipo de manifestação agressiva pelo auxílio emergencial e isso num momento em que governo e Congresso fecham acordo para destravá-lo. Ele virá acoplado a uma proposta unificada de PECs para o ajuste fiscal. O presidente da Câmara, Arthur Lira, disse a Bolsonaro que o caso Silveira pode atrasar a pauta econômica.
Folclore
Um choque de carecas no cartum de Jaguar contemplou o tempestuoso atrito entre o ministro Alexandre de Moraes e o deputado Daniel Silveira. O Brasil parou ontem por essa causa e em alguns momentos os cabelos ficaram eriçados.


